Raízen Energia tem prejuízo de R$ 23,8 milhões no trimestre e perspectiva de moagem cai

Maior parte da receita da companhia é atribuída à comercialização de etanol e diesel; vendas de açúcar caíram 40,28%

O primeiro trimestre da safra 2018/19 trouxe um novo prejuízo para a Raízen Energia, joint venture entre Cosan e Shell. A companhia obteve um resultado líquido negativo de R$ 23,8 milhões no primeiro trimestre da safra – no mesmo período de 2017/18, o balanço registrava um prejuízo de R$ 249,9 milhões. Os dados foram divulgados pela Cosan, em conjunto com o resultado financeiro da holding.

Essa queda ocorreu mesmo com um aumento na receita com vendas, que alcançou R$ 4,09 bilhões, ante R$ 3,11 bilhões no ano anterior. O maior aumento relativo está classificado como “outros”, que subiu de R$ 71 milhões para R$ 1,43 bilhão (+1.919,44%). Dentre os produtos que fazem parte dessa categoria estão diesel (R$ 1,12 bi) e gasolina (R$ 275,07 mi).

Aliás, a receita com diesel é a segunda maior da companhia, ficando atrás apenas das vendas de etanol. Na comparação com o mesmo período da safra anterior, a receita com etanol também apresentou crescimento, mas de apenas 0,6%, saindo de R$ 1,61 bilhão para R$ 1,62 bilhão.

Em contrapartida, o açúcar viu uma queda de 51,5% em sua receita ajustada, que considera o efeito do câmbio. As vendas no 1º primeiro trimestre de 2018/19 registraram a entrada de R$ 722,8 milhões, contra R$ 1,49 bilhão um ano antes. Desse total, R$ 492,2 milhões são referentes ao mercado externo (-58,2%).

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Segundo a companhia, esse resultado reflete a diminuição no volume vendido, que teve uma queda de 30%, com preço médio de R$ 994 por tonelada – um valor 31% menor na comparação anual. “As vendas no trimestre foram impactadas pela greve dos caminhoneiros, alterando a programação de alguns embarques, mas sem impactos para as vendas programadas para o ano-safra”, garante a Cosan.

Além disso, em função da maior rentabilidade do etanol, a empresa adotou um mix de produção onde 48% da cana-de-açúcar foi direcionada para o açúcar, contra 57% no primeiro trimestre de 2017/18.

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Por fim, as vendas de energia elétrica subiram de R$ 198,7 milhões para R$ 303,9 milhões (+53,0%). Conforme a Cosan, isso foi possível devido à aceleração da moagem e ao maior volume de energia comercializada, com preço médio de vendas de R$ 237/MWh (8% maior que no mesmo período da safra passada).

Como o custo dos produtos vendidos foi de R$ 3,79 bilhões, sendo que R$ 2,3 bilhões são referentes a açúcar e etanol, a relação entre a receita líquida e os custos totais é de 92,6% – uma margem apertada, que gerou um lucro bruto de R$ 301,2 milhões. Considerando apenas açúcar e etanol, os dois números são equivalentes, anulando o lucro bruto.

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Segundo a Cosan, o Ebitda ajustado da Raízen Energia foi de R$ 488 milhões no trimestre, ante R$ 804 milhões um ano antes (-39%). A queda é atribuída principalmente ao menor volume
de vendas de açúcar no período.

Estiagem ajuda a moagem, mas não a cana

Beneficiada pelo tempo seco, a moagem de cana-de-açúcar da Raízen Energia no primeiro trimestre da safra 2018/19 alcançou 22,3 milhões de toneladas, ante 19,2 no início de 2017/18 (+16%). A companhia ressalva que, contudo, esse valor poderia ter sido maior, pois foi prejudicado pela greve dos caminhoneiros, que interrompeu a colheita devido à crise no abastecimento de diesel.

Por sua vez, a produção também registrou aumentos. O total de açúcar fabricado no trimestre subiu 5,5% na comparação anual, de 1,24 milhões de toneladas para 1,31 milhões de toneladas. Já o volume de etanol cresceu 47,5%, indo de 589 milhões de litros para 869 milhões de litros.

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Mas, apesar do aumento no volume de cana-de-açúcar, houve uma queda da quantidade de açúcar total recuperável (ATR) por hectare, outra consequência da falta de chuvas. Com isso, a produtividade média da companhia caiu em 3,8%, de 10 kg/ha para 9,6 kg/ha.

“[A estiagem] de um lado aumenta a concentração de sacarose na cana, mas, por outro lado, reduziu o rendimento agrícola”, explica. No trimestre, o índice de ATR por tonelada foi de 127,7 kg/t (+3,3%), enquanto o rendimento dos canaviais foi de 75,1 t/ha (-6,9%).

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Queda nas projeções

Por acreditar que o clima seco pode continuar a prejudicar a produtividade agrícola nos próximos trimestres, a Cosan optou por reduzir a expectativa de moagem de cana-de-açúcar da Raízen Energia. Com isso, o intervalo projetado mudou de 62 a 66 milhões de toneladas para de 60 a 63 milhões de toneladas. Ainda assim, esse valor representa um aumento em relação ao resultado da safra 2017/18, que foi de 61,22 milhões de toneladas.

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Apesar da menor projeção de moagem, a companhia manteve suas estimativas para a produção de açúcar e etanol. Segundo o guidance divulgado, serão fabricadas entre 4,2 e 4,6 milhões de toneladas do adoçante, além de um volume de 2,3 a 2,6 bilhões de litros do biocombustível. Já a geração de energia está projetada para um intervalo entre 2,5 e 2,7 TWh.

Também está previsto um Ebitda de R$ 3,4 a R$ 3,8 bilhões – ante um resultado de 4,09 bilhões em 2017/18 –, além de investimentos totalizando entre R$ 2,4 e R$ 2,7 bilhões, contra R$ 2,38 bilhões na safra anterior.

Renata Bossle – novaCana.com

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