Grupo Clealco, dono de três usinas, entra com pedido de recuperação judicial

O grupo Clealco, um dos mais tradicionais do setor sucroenergético brasileiro e dono de três usinas no Estado de São Paulo, entrou com pedido de recuperação judicial nesta terça-feira, segundo comunicado da companhia.

A empresa afirmou que o pedido foi protocolado na Comarca de Birigui (SP) visando "preservar a condição operacional da companhia e readequar seu passivo de forma a sustentar um fluxo financeiro que garanta a capacidade de pagamento dos compromissos firmados".

O grupo ressaltou que empenhou "significativos esforços" nos últimos meses para superar as dificuldades econômicas e operacionais, bem como impulsionar a performance, maximizar a produtividade e atenuar custos.

De acordo com o Valor Econômico, a empresa acumula dívidas de R$ 1,3 bilhão, das quais mais da metade estão concentradas nas mãos de Itaú, Rabobank e Santander.

Segundo uma fonte consultada pelo jornal, os bancos já esperavam que a Clealco entrasse com o pedido de recuperação diante do fracasso das tentativas da companhia para vender alguma de suas usinas. "Agora dentro da recuperação talvez dê para vender", disse a fonte, sob anonimato.

Além disso, o grupo também não conseguiu encontrar um sócio que injetasse dinheiro no negócio, outra possibilidade para recuperar a situação financeira, conforme afirmou em março o CEO da Clealco, Alberto Pedrosa, ao Valor. Os bancos Santander e Itaú BBA estavam encarregados de buscar sócios.

Agora, a empresa disse esperar que seja bem-sucedida a aprovação de um plano de recuperação judicial e "que permita ganho de valor e o cumprimento dos compromissos firmados".

"Contudo, o cenário comercial de extrema adversidade, decorrente de uma contínua deterioração dos preços do açúcar VHP no mercado internacional, que reduziu ainda mais a rentabilidade do negócio, e a quebra de safra da cana, ocasionada por intempéries climáticas, trouxeram impactos severos", afirmou a Clealco, em nota.

O grupo Clealco possui capacidade instalada para processar cerca de 10 milhões de toneladas de cana por safra.

Nos últimos anos, dezenas de indústrias do setor de açúcar e etanol entraram em processos de recuperação judicial ou fecharam as portas, afetadas pelo controle de preços de gasolina por governos anteriores, entre outros fatores.

Com informações adicionais do Valor Econômico e edição novaCana.com

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