Cosan tem prejuízo de R$ 76 milhões no trimestre; moagem da Raízen cai 14,4%

A empresa de energia e infraestrutura Cosan apresentou prejuízo líquido de 76 milhões de reais no segundo trimestre, frente a lucro líquido de cerca de 280 milhões de reais no mesmo período do ano passado, informou a companhia nesta quarta-feira.

Enquanto a Cosan foi afetada principalmente pelo menor resultado contábil e efeitos não recorrentes no segundo trimestre, a unidade de açúcar e etanol da empresa, a Raízen Energia, registrou uma moagem 14,4% menor, de 19,2 milhões de toneladas.

A moagem da Raízen, joint venture da Cosan com a Shell, caiu devido ao clima mais chuvoso no começo do trimestre e forte base de comparação no ano anterior, quando houve antecipação do início da moagem para março de 2016, segundo relatório publicado juntamente com o balanço.

A produtividade dos canaviais também caiu, para 81 toneladas de cana por hectare, ante 92 toneladas/ha no mesmo período do ano passado, quando havia mais cana bisada (cana da safra anterior que ficou no campo ao longo da entressafra).

A Cosan disse que a produção da Raízen segue focada na maximização da produção de açúcar – o mix de cana no começo de safra atingiu 57% para o adoçante (ante 55% no mesmo período do ano passado) – e na redução de custos.

"Vale ressaltar que houve maior concentração de revenda no trimestre, uma vez que o atraso na moagem reduziu a produção e, portanto, a disponibilidade de produtos próprios", disse a empresa.

Com isso, a receita líquida ajustada da Raízen Energia cresceu 22,6% entre os trimestres, para R$ 3,38 bilhões. A receita com a venda de açúcar avançou 21,6%, para R$ 1,49 bilhão, e o faturamento com etanol subiu 27,9%, a R$ 1,61 bilhão. Já o Ebitda ajustado da Raízen Energia recuou 4%, para R$ 804 milhões.

No caso do etanol, a concentração e priorização de revenda e trading foi ainda mais expressiva, reflexo da menor produção e estratégia de comercialização para a safra.

Por sua vez, a Raízen também manteve suas projeções de moagem de cana e produção de açúcar e etanol para a safra 2017/18. A perspectiva de moagem para o período está entre 59 milhões e 63 milhões de toneladas (53,39 milhões na safra passada), com produção de 4,3 milhões a 4,7 milhões de toneladas de açúcar (4,227 milhões no período anterior) e entre 2 bilhões e 2,3 bilhões de litros de etanol (1,99 bilhão em 2016/2017).

Distribuição

Na unidade da Raízen Combustíveis, a Cosan disse que "as vendas superaram novamente a média do mercado, reflexo da consistência da estratégia de crescimento com foco contínuo no relacionamento de longo prazo com a rede de postos revendedores".

As vendas de combustíveis do Ciclo Otto – gasolina e etanol – avançaram 4% no trimestre, para 2,94 bilhões de litros, e a comercialização de diesel cresceu 1% ante o mesmo período de 2016, para 2,756 bilhões de litros. No total, a venda total de combustível pela Raízen cresceu 1,9% sobre igual período de 2016, para 6,273 bilhões de litros.

A Cosan mencionou ainda que, diferentemente da dinâmica observada no segundo trimestre de 2016, quando os preços de etanol tiveram comportamento atípico, o trimestre foi marcado pela queda acentuada dos preços do biocombustível, comum no início da safra.

"Este efeito, combinado com reduções de preço de gasolina e diesel anunciadas pela Petrobras, gerou perdas de estoque neste trimestre, parcialmente compensadas pelo crescimento do volume vendido e pela eficácia da estratégia de suprimentos e comercialização", disse a empresa.

Indicadores gerais e perspectivas

O Ebitda, indicador do resultado operacional da Cosan, teve queda de 35,7%, indo para 804,2 milhões de reais. Mas em bases ajustadas, que excluem efeitos pontuais registrados no trimestre, o Ebitda subiu 11%, para 1,1 bilhão de reais, com destaque para o melhor resultado normalizado da Comgás.

A receita líquida da Cosan foi de R$ 11,63 bilhões entre abril e junho, alta de 1,9%. O capex atingiu R$ 424,7 milhões no período de abril a junho, ante R$ 411 milhões no segundo trimestre de 2016, avanço de 3,3%. Já a dívida líquida caiu 16,4% entre os períodos, para R$ 9,62 bilhões. Com isso, a alavancagem, medida pela relação dívida líquida/Ebitda, fechou em 30 de junho em 2,1 vezes, ante 2,5 vezes em igual data do ano anterior.

As vendas de gás natural no trimestre apresentaram crescimento nos segmentos industrial, residencial e comercial, disse a Cosan.

A Cosan ainda manteve seu guidance e prevê receita líquida proforma de R$ 45 bilhões a R$ 48 bilhões em 2017, contra R$ 47 bilhões em 2016. Já o Ebitda proforma deve variar de R$ 4,75 bilhões a R$ 5,25 bilhões, ante R$ 4,50 bilhões no ano passado.

Roberto Samora
Com informações adicionais da Agência Estado e edição novaCana.com

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