Financeiro

Câmbio impactou na dívida da Biosev, mas também deu competitividade à exportação


Agência Estado - 11 nov 2015 - 10:42

A Biosev, braço sucroenergético da Louis Dreyfus Commodities, reportou prejuízo de R$ 220 milhões no segundo trimestre do ano-safra 2015/16, correspondente aos meses de julho, agosto e setembro. O montante é 423,8 maior na comparação com o prejuízo de R$ 42 milhões registrado em igual intervalo do ano passado.

O CEO da Biosev, Rui Chammas, disse ao Broadcast Agro que a desvalorização do real impactou no endividamento da empresa durante o segundo trimestre da safra 2015/16 (julho, agosto e setembro), "mas também trouxe maior competitividade para a exportação". "Com essa desvalorização, o Brasil voltou a ser o País mais competitivo do mundo em embarques de açúcar", destacou o executivo.

O resultado financeiro do trimestre foi negativo em R$ 859,5 milhões, 190% acima do registrado um ano antes. Segundo informações divulgadas pelo Valor Econômico, desse montante, o efeito do câmbio foi de R$ 790 milhões, resultado da depreciação de 28,1% do real em relação ao dólar no intervalo.

Para o Broadcast Agro, Chammas destacou, ainda, que, apesar da redução dos estoques de açúcar e etanol, a empresa pretende tirar proveito da alta das cotações desses produtos prevista até o final do atual ciclo, em março do ano que vem. Em 30 de setembro, a companhia detinha reservas de 419 mil toneladas de açúcar, estável ante igual intervalo do ano passado, e 354 milhões de litros de etanol, queda de 28,9%. "A comparação com o ano passado não é precisa, porque a safra 2014/15 foi menor. Nossa estratégia de venda está ancorada nos estoques de setembro e na produção que ainda virá", afirmou o executivo.

Ele não projetou, contudo, nenhum mix de produção para o restante da temporada. "Continuamos a fazer nosso mix numa base semanal. Não dá para dar um guidance", explicou. No acumulado da atual temporada, entre abril e setembro, a Biosev destinou 48,2% da oferta de cana para açúcar, ante 47,2% há um ano.

Indagado se as chuvas deste ano no Centro-Sul do Brasil tendem a atrasar o término da safra das unidades da Biosev, Chammas comentou que ainda não é possível fazer previsões, mas salientou que o setor sucroenergético como um todo tende a deixar mais cana em pé no campo (bisada) por causa das precipitações, que prejudicaram o trabalho de colheita. "Devemos ter muita cana bisada e uma safra que começará mais cedo no ano que vem", afirmou.

Sobre eventuais aquisições pela Biosev, Chammas apenas informou "que não há nada para se comentar no momento". Criada em 2009 a partir da fusão da LDC Bioenergia com a Santelisa Vale, uma das maiores companhias nacionais na produção e processamento de cana-de-açúcar, a Biosev é a segunda maior processadora de cana do mundo, com 11 unidades industriais localizadas em 4 polos agroindustriais no Brasil. A capacidade total de moagem é superior a 36 milhões de toneladas por safra.

Investimento

A Biosev reportou investimentos de R$ 220 milhões no segundo trimestre do ano-safra 2015/16 (julho, agosto e setembro), montante 8,2% maior na comparação com igual período do ano passado. "Esse aumento é decorrente principalmente do aumento dos custos de insumos utilizados no plantio e nos tratos culturais, indexados ao dólar", destaca a empresa no relatório de demonstrações financeiras.

Receita

No segundo trimestre, a receita líquida somou R$ 1,74 bilhão, expansão de 56,6% ante a de R$ 1,11 bilhão registrada no mesmo período do ciclo anterior.
A empresa aumentou a receita com açúcar no trimestre em 0,4%, para R$ 653,14 milhões, e a com etanol em 48,1%, para R$ 406,77 milhões.

Ebitda

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado aumentou 26% entre os trimestres, passando de R$ 273,11 milhões para R$ 344,09 milhões. A margem Ebitda ajustado variou de 24,6% para 19,8% no segundo trimestre deste ano safra.

Dívida líquida ajustada

A dívida líquida ajustada totalizou R$ 5,7 bilhões ao término do trimestre, em 30 de setembro, um aumento de 20,5% em relação ao valor registrado no encerramento da safra anterior. . "Essa variação é decorrente principalmente do impacto da variação cambial sobre a parcela do endividamento em dólares. Esses efeitos foram parcialmente compensados pelo aumento dos estoques de alta liquidez (açúcar e etanol)."

Do total do endividamento, 80,6% estavam denominados em dólar e 19,4%, em real. Ao final do primeiro semestre da safra, a dívida líquida ajustada representava 4,2 vezes o Ebitda ajustado.

Produção

A Biosev informou ainda ter processado 12,08 milhões de toneladas de cana entre julho e setembro (+6,7%). O rendimento por hectare foi de 78,5 toneladas de cana (+16,1%), com nível de sacarose de 137,5 kg por tonelada (+1,2%).

Foram produzidos 776 mil toneladas de açúcar (+12,6%) e 489 milhões de litros de etanol (+0,8%), com cogeração de energia elétrica para venda de 370 GWh (+3,4%).

Guidance de produção

A Biosev manteve nesta terça-feira seu guidance de produção para a safra 2015/16, que se encerra em 31 de março do ano que vem. A companhia espera processar entre 29 milhões e 32 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, com nível de sacarose (ATR) de 129 kg a 133 kg por tonelada

Estoques

A Biosev, reportou estoques de 419 mil toneladas de açúcar em 30 de setembro, término do segundo trimestre do ano-safra 2015/16. O volume ficou estável na comparação com igual intervalo do ano passado. Já em relação às reservas de etanol, estas caíram 28,9%, para 354 milhões de litros.

A companhia informou ainda já ter realizado o hedge de 1,59 milhão de toneladas de açúcar da safra 2015/16, a um preço médio de 14,60 centavos de dólar por libra-peso. O volume representa aproximadamente 95% da exposição da companhia.

Mecanização

Entre outras informações, a empresa informou também que a mecanização da colheita atingiu 97,3% no segundo trimestre do ano-safra 2015/16, superando em 1,5 ponto porcentual os 95,8% alcançados em igual intervalo do ano passado. "A Biosev perseguirá o atingimento de 100% de piloto automático na colheita mecanizada até o final da safra 2016/17. Já contamos com a totalidade do canavial georreferenciado, o que assegura as condições necessárias para a automatização do plantio e da colheita", destaca a companhia no relatório de demonstrações financeiras.

Com informações adicionais do Valor Econômico