Biosev encerra safra 2016/2017 com prejuízo de R$ 600 milhões

Resultados demonstram melhora no desempenho operacional da companhia, no entanto, em última avaliação, Fitch aponta que capacidade ociosa da Biosev ainda é alta para o setor

A Biosev, empresa sucroenergética controlada pela Louis Dreyfus Company, divulgou um prejuízo líquido de R$ 313,4 milhões no quarto trimestre da safra 2016/17, período referente aos meses de janeiro a março de 2017. Com o resultado, a companhia encerrou a temporada 2016/17 com um prejuízo total de R$ 600 milhões. Apesar do resultado negativo, o número foi 32% menor do que o apresentado na safra anterior.

A perda é reflexo de uma série de indicadores. No quarto trimestre, o lucro bruto da Biosev terminou no negativo em R$ 144,16 milhões. O número é o resultado de uma receita líquida no trimestre de R$ 1,57 bilhão (crescimento de 15%) frente a um crescimento nos custos dos produtos vendidos de mais 46% , que chegaram a R$ 1,68 bilhão. No 4º trimestre da safra, a companhia ainda registrou um crescimento de 52% nas despesas operacionais, que também impactaram na formação do resultado do período.

No acumulado da safra 2016/17, por sua vez, o lucro bruto terminou positivo em R$ 630,53 milhões. Ainda assim, houve uma queda de 24,5% em relação à temporada anterior. Ela foi motivada especialmente por um aumento de 20% no custo dos produtos comercializados, que foram contabilizados em R$ 6,39 bilhões.

Por sua vez, a receita líquida foi de R$ 7,1 bilhões, 13% superior ao mesmo período da safra 2015/16. Segundo a companhia, essa performance decorre principalmente do aumento dos volumes vendidos de açúcar e dos maiores preços de açúcar e etanol.

Além disso, o relatório financeiro destaca o resultado financeiro líquido negativo de R$ 450 milhões. Apesar de representar que a empresa está no vermelho, o indicador está 63,5% menor em relação ao registrado na safra anterior. Essa redução resulta principalmente do efeito da variação cambial sobre os ativos e passivos denominados em dólar, conforme explica o documento.

20170602 resultado financeiro resumido

Receita por produto evidencia foco no açúcar

Na safra 2016/17, segundo a Biosev, a receita de açúcar foi ampliada em 18,9% e atingiu R$ 2,9 bilhões. O resultado reflete principalmente o crescimento de 10,2% no volume de açúcar vendido, combinado com o aumento de 7,9% dos preços médios, resultado da recuperação do preço do açúcar no mercado internacional e o aumento dos prêmios dos açúcares cristal e refinado sobre o VHP.

Este é o resultado do aumento da participação do açúcar no mix de produção, que chegou a 50,7% em 2016/17, indicador 4,8 pontos percentuais maior do que na temporada 2015/16.

Já a receita líquida de etanol foi de R$ 2,1 bilhões na safra 16/17, um aumento de 1,1% em relação à safra 15/16. Esse resultado reflete o aumento de 8,7% dos preços médios, que foi parcialmente compensado pela redução de 7,0% nos volumes vendidos.

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A companhia assinala que o aumento dos preços médios do etanol observados na safra é decorrente de uma combinação de fatores, entre eles o maior preço do etanol praticado no mercado interno, sustentado pela menor oferta do produto, do impacto positivo da nova política de preços da Petrobras e da maior participação de etanol anidro no mix de vendas, pois ele é considerado um produto de maior valor agregado.

Por sua vez, a venda de energia gerou uma receita líquida de R$ 219 milhões em 16/17, uma redução de 6,2% em relação à safra 15/16. O principal motivo foi a redução do Preço de Liquidação das Diferenças (PLD), que impactou negativamente o preço médio da Biosev.

Essa redução foi parcialmente compensada pelo aumento de 5,7% do volume vendido em função do aumento da moagem e da maior quantidade de operações de revenda de energia.

Crescimento da dívida

Além disso, a Biosev encerrou 2016/17 com uma dívida líquida de R$ 4,69 bilhões – uma posição 5% maior frente aos R$ 4,47 bilhões observados ao final da safra anterior.

Ainda assim, a empresa destaca como positiva a redução da dívida bruta, que foi de R$ 6,3 bilhões ao final da safra. A redução foi de 6,3% em relação ao endividamento do final da safra 2015/16. Segundo a companhia, o principal fator para a redução da dívida bruta foi o impacto positivo da variação cambial, no montante de R$ 541 milhões.

Boa parte dessa redução, contudo, foi concentrada nas dívidas com vencimento superior a 12 meses. Agora, a companhia possui uma dívida de curto prazo 6,2% superior à vista um ano antes, somando R$ 1,94 bilhão.

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Desempenho operacional evolui, mas menos de 2%

A companhia destacou no seu relatório que a moagem atingiu 31,5 milhões de toneladas, um aumento de 1,9% ante a safra anterior, resultado que é também superior às últimas seis safras. A Biosev também atingiu 86,6% da utilização de sua capacidade instalada na safra 2016/17, um aumento de 1,5 ponto percentual em relação à safra anterior e recorde para a companhia.

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Entretanto, na última reafirmação dos ratings da companhia, a agência de classificação de risco Fitch fez ressalvas em relação às melhoras operacionais da Biosev nos dois últimos anos, afirmando que o ritmo de recuperação tem sido “mais lento do que o esperado”. Fora isso, a Fitch ainda assinalou que, mesmo com a melhora esperada para o desempenho operacional da empresa, a “capacidade ociosa da Biosev deve permanecer superior” a outras companhias do setor.

Em relação aos resultados, a empresa destaca que, no acumulado dos 12 meses da safra, o maior volume de moagem ocorreu principalmente por causa do crescimento da produtividade dos canaviais, que atingiu 77,9 t/ha no período, um aumento de 2%. O teor de ATR da cana consolidado foi de 129 kg/t, com destaque para o ATR do Polo Lagoa da Prata, que atingiu 140,1 kg/t, um aumento de 6% sobre a safra 2015/2016.

“Do ponto de vista operacional, consolidamos o processo de melhorias de gestão na área agrícola e mantivemos o nível de investimentos na renovação do canavial e melhoria dos tratos culturais, resultando em mais um ano de crescimento de produtividade (TCH)”, afirma o presidente da Biosev, Rui Chammas, que continua: “Esse fato, combinado com a melhoria da qualidade da cana (ATR), gerou uma produção de açúcar por hectare (TAH), que coloca a companhia como uma das referências para o setor sucroalcooleiro”.

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Otimismo toma conta das expectativas para 2017/18

A Biosev ainda divulgou suas expectativas para atual temporada. Segundo a companhia, está sendo projetada para o ciclo 2017/18 uma moagem entre 31,5 e 33,5 milhões de toneladas de cana de açúcar. Além disso, o ATR da cana de ficar entre 129 kg/ton e 131 kg/ton. O Capex, por sua vez, é estimado em R$ 1,355 bilhão.

A Biosev afirma que iniciou a moagem com todas as nove unidades do Centro-Sul “com a eficiência industrial em outro patamar”. A empresa diz que isso é evidenciado pela razão entre o ATR produto e o ATR Cana, que em abril de 2017 foi igual a 1,01. “Superior à média de mercado e ao valor de 0,98 registrado na safra anterior”, assinala.

Além disso, para aumentar a eficiência operacional, por meio da redução de transições entre produtos e gerando impactos positivos sobre o custo de produção, as unidades Santa Elisa e Maracaju foram convertidas para produção exclusiva de açúcar VHP, produto bruto para exportação. A escolha também evidencia a opção da empresa por valorizar a produção de açúcar em detrimento do etanol.

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Marina Gallucci – novaCana.com

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