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Financeiro

Biosev tem prejuízo trimestral de R$ 506 milhões


Reuters - 10 ago 2018 - 06:08

A Biosev, segunda maior processadora de cana-de-açúcar do mundo, registrou prejuízo líquido de R$ 506 milhões no seu primeiro trimestre da safra 2018/19 (abril, maio e junho), ante prejuízo de R$ 577 milhões no mesmo período da temporada passada, com o resultado financeiro pesando no desempenho diante do impacto negativo da variação cambial.

O resultado financeiro líquido no período foi negativo em R$ 538 milhões, o que se compara com uma despesa de R$ 474 milhões no mesmo período da temporada passada.

Mesmo com o prejuízo, a companhia conseguiu uma leve alta em sua Margem Ebitda ajustada, que mede seu desempenho operacional. O indicador passou de 22,9% para 23,7% na comparação anual.

Ainda assim, o Ebitda ajustado total diminuiu 13%, indo de R$ 282 milhões no primeiro semestre da safra passada para R$ 245 milhões. O indicador considera os efeitos de revenda e HACC (impactos contábeis não-caixa do hedge accounting da dívida em moeda estrangeira).

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Perdas cambiais

A empresa controlada pela trading de commodities global Louis Dreyfus indicou que o resultado poderia ter sido melhor não fosse a questão cambial.

“Excluindo-se o efeito da variação cambial, o resultado financeiro no trimestre foi uma despesa de 13 milhões de reais, representando uma redução de 94,9 por cento em relação ao mesmo período da safra anterior, explicado principalmente pela redução das despesas com juros e pelos ganhos com a liquidação e marcação a mercado dos derivativos”, disse em seu balanço.

De acordo com a empresa, a receita líquida excluindo-se os efeitos contábeis (não caixa) do hedge accounting da dívida em moeda estrangeira (HACC) atingiu 1,9 bilhão de reais, uma redução de 2 por cento.

“Essa performance decorre principalmente dos menores volumes e preços de açúcar, sendo que os volumes foram impactados pelos efeitos da greve dos caminhoneiros ocorrida entre os meses de maio e junho e pela estratégia da companhia de carregar estoques do produto”, afirmou.

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Segundo a Biosev, esses efeitos foram parcialmente compensados pelos maiores volumes de etanol, de energia e de performance de exportação de commodities executado no período.

Moagem

A companhia disse ainda que atingiu um volume de moagem de 11,3 milhões de toneladas de cana no primeiro trimestre da safra 2018/19, alta de 17,1 por cento ante o mesmo trimestre da safra anterior.

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“O maior volume de moagem é resultado principalmente dos aumentos de 29,7 por cento na área colhida e de 12,7 por cento no processamento de cana de terceiros”, afirmou.

A companhia observou também queda de 5,1 por cento na produtividade dos canaviais medida pelo TCH, afetada principalmente pelo menor nível de chuvas de janeiro a março.

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Perfil da dívida

A companhia ainda divulgou um aumento da dívida no período. Segundo os números apresentados, os débitos totais somavam R$ 6,28 bilhões ao final de junho, ante a posição de R$ 5,30 bilhões ao final da safra 2017/18 (+18,5%).

Desse total, R$ 567 milhões possuem vencimento em até 12 meses – um crescimento de 5,6% em relação ao trimestre anterior. Já o endividamento em médio e longo prazo somava R$ 5,72 bilhões.

Considerando que a posição de caixa e aplicações financeiras também caiu no mesmo comparativo, o aumento da dívida líquida foi ainda maior: 49,7%. O valor passou de 3,32 bilhões em 31 de março para R$ 4,97 bilhões ao final de junho.

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A alta foi atribuída, em parte, à desvalorização do real, que ampliou a dívida em dólar em R$ 792 milhões. Além disso, a Biosev afirma que realizou amortizações e adiantamentos ao acionista controlador no valor de R$ 718 milhões.

Roberto Samora
Com informações adicionais e edição novaCana.com