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Financeiro

Biosev tem prejuízo de R$ 155,567 milhões no 2º trimestre da safra 2018/19


Agência Estado - 08 nov 2018 - 08:11

A Biosev, braço sucroenergético do Grupo Louis Dreyfus, reportou prejuízo líquido de R$ 155,567 milhões no segundo trimestre do ano-safra 2018/2019, entre julho e setembro.

O resultado reverte lucro de R$ 32,848 milhões registrado em igual período do ciclo anterior.

Em seis meses de safra, a companhia acumula prejuízo líquido de R$ 662,029 milhões, valor 21,6% maior do que os R$ 544,455 milhões de prejuízo em igual semestre da safra 2017/2018.

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O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado ex-revenda/HACC totalizou R$ 583,540 milhões no segundo trimestre de 2018/2019, alta de 34,1% sobre igual período da safra passada, e avançou 13,5% no primeiro semestre, para R$ 783,560 milhões.

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Por sua vez, a receita líquida da companhia (ex-HACC) recuou 17,8% na mesma base de comparação trimestral, para R$ 1,503 bilhão, e 9,6% na semestral, para R$ 3,420 bilhões. A queda teria sido motivada pela redução da produção e das vendas de açúcar nesta safra.

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Além disso, a Biosev está entre as companhias que adotou a estratégia de maior armazenamento de etanol. Em 30 de setembro, os estoques somavam 459 milhões de litros (+33%).

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Em entrevista ao Valor Econômico, o presidente da empresa, Juan José Blanchard, afirmou que o aumento dos estoques de etanol se deu graças à estratégia de carregamento e também pela decisão de maximizar a produção do biocombustível, que chegou a um patamar recorde.

Moagem e produção

No trimestre, a Biosev moeu 11,81 milhões de toneladas de cana-de-açúcar – queda de 9,7% na comparação com o mesmo período do ano passado. No acumulado, entretanto, houve um crescimento de 1,6% na moagem.

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A companhia ainda registrou nesta safra uma queda de 8,3% no rendimento dos canaviais, que foi de 78 toneladas de cana por hectare, ante 85,1 t/ha no primeiro semestre da safra anterior.

Assim, mesmo com um avanço na quantidade de ATR da cana, o índice de ATR por hectare caiu 7,1% no período acumulado.

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A partir dessa matéria-prima, a companhia produziu 650 mil toneladas de açúcar no trimestre e 1,11 bilhão no acumulado de 2018/19 – quedas de 25,1% e 24%, respectivamente, nos comparativos anuais.

Seguindo a tendência de mercado, a produção de etanol teve elevação de 16,3% entre julho e setembro (599 milhões de litros) e de 34,2% na primeira metade da safra (1,12 bilhão de litros).

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Dívida

A dívida líquida em 30 de setembro era de R$ 5,211 bilhões, alta de 4,9% na comparação com a relatada ao final do primeiro trimestre de 2018/2019, em 30 de junho, de R$ 4,966 bilhões. A alavancagem medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda da Biosev recuou de 2,9 vezes para 2,8 vezes entre os trimestres da atual safra.

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Conforme o valor Econômico, a forte valorização do dólar no período teve um forte efeito contábil sobre as despesas financeiras da Biosev, pois a maior parte da dívida é dolarizada.

A reportagem exemplifica a questão com o resultado do mesmo trimestre na safra passada. Na ocasião, a companhia lucrou R$ 32,9 milhões, mas a variação cambial havia contribuído de forma positiva com R$ 216 milhões.

Além disso, o Valor Econômico aponta que, mesmo com a reestruturação da dívida da companhia – realizada no início do ano –, no trimestre, a Biosev pagou R$ 449,2 milhões em amortizações, além de juros, o que acabou consumindo caixa.

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Entretanto, houve uma redução na pressão. O valor a ser pago no curto prazo era de R$ 511 milhões, abaixo do montante em caixa, de R$ 859 milhões, de acordo com dados do balanço.

“Agora temos capacidade de gerenciar melhor os estoques e ter ganhos no momento certo de vender. Não tem mais a loucura de vender logo”, disse ao Valor o diretor financeiro e de relações com investidores da Biosev, Gustavo Theodozio.

Usinas à venda

Theodozio ainda apontou que a venda da Usina Estivas, em Arês (RN), fechada em setembro por R$ 203,6 milhões, ainda depende de aprovação de órgãos reguladores. De acordo com ele, a expectativa é que o negócio seja concluído até o fim desta safra, o que deve fortalecer o caixa neste exercício.

Sobre a venda da Usina Giasa, em Pedras de Fogo (PB), Juan José Blanchard disse ao Valor Econômico que ainda não há “nada definido ou assinado”.

Investimento

A Biosev investiu um total de R$ 185,844 milhões no segundo trimestre da safra 2018/2019, 0,5% a mais do que em igual intervalo da passada. Do total, R$ 165,988 milhões foram investidos nas operações.

No semestre, o capex atinge R$ 385,441 milhões, queda de 14,7% sobre igual período de 2017/2018.

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Com informações adicionais de novaCana.com e Valor Econômico; edição novaCana.com