Mário Sérgio Vasconcelos (Febraban): O mercado de carbono no setor financeiro

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Órgãos reguladores brasileiros e internacionais estão engajados no esforço de atribuir um custo aos impactos gerados pelas emissões de gases de efeito estufa na atmosfera. Por aqui, o RenovaBio é o pontapé inicial.

novaCana.com03/08/2018

O mercado de carbono é uma tendência global. No Brasil, o Ministério da Fazenda já criou um comitê consultivo que estuda as possibilidades de implementação de um modelo de precificação de carbono em diferentes setores da economia brasileira. Mas a primeira iniciativa nesse sentido a ser colocada em prática veio do Ministério de Minas e Energia (MME), com o RenovaBio. O programa cria um mercado para as mitigações das emissões dos biocombustíveis – e promete ser uma nova fonte de receita para as usinas por meio dos créditos de descarbonização (CBios).

Para que o programa funcione na prática, o MME trabalha na articulação com o setor financeiro a mais de um ano. Entre as instituições que fazem parte dessa iniciativa – e também do comitê do Ministério da Fazenda – está a Federação Brasileira de Bancos (Febraban).

A instituição estará representada no NovaCana Ethanol Conference 2018 por meio de seu diretor de relações institucionais, Mário Sérgio Vasconcelos. Ele já está confirmado para o painel “RenovaBio na bolsa de valores”, ao lado do analista de infraestrutura do MME, Paulo Costa, e da coordenadora do Grupo de Trabalho Sustentabilidade, Luzia Hirata, da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais).

O evento é realizado anualmente, e, em 2018 acontecerá em São Paulo (SP), nos dias 3 e 4 de setembro.

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Bancos estão atentos

De acordo com Vasconcelos, a Febraban já realizou um levantamento para deixar os bancos atentos aos potenciais impactos que as mudanças climáticas podem trazer nos resultados financeiros das empresas e, por consequência, em suas carteiras de crédito e portfólios de investimentos.

“Para os bancos conseguirem incorporar em suas análises de crédito e investimento a gestão dos riscos e oportunidades relacionada à mudança do clima, eles precisam questionar as empresas a respeito do que elas estão fazendo, quão resilientes são suas estratégias considerando diferentes cenários climáticos, quais seus projetos de redução de emissão de gases do efeito estufa, entre outras perguntas”, afirma.

Segundo a instituição, a análise, feita com base nas respostas de empresas de capital aberto enviadas ao programa CDP Climate Change em 2016 – ou seja, antes mesmo da lei que estabeleceu o RenovaBio –, revelou que houve avanços na percepção dos riscos climáticos, mas que a quantificação e divulgação das implicações financeiras ainda são desafios presentes.

“A precificação [do carbono] pode ser feita via mercado de carbono, via tributação das emissões, ou por um modelo que una as duas propostas”.

A Febraban detalha: “No Brasil, a prática ainda não é obrigatória, mas tratados internacionais, como o Acordo de Paris, representam a iminência de tal precificação nos próximos anos – e empresas e bancos precisam se preparar, o quanto antes, para os impactos das novas regulações”.

Com o início do RenovaBio, entretanto, a opção nacional por um mercado de carbono em bolsa de valores se tornará uma realidade. As distribuidoras de combustíveis, que terão metas anuais de aquisição de CBios, serão as primeiras a sentir o impacto em seus custos. No caso das usinas, porém, esse novo mercado será traduzido em mais receita.

Uma das recomendações da Febraban aos seus bancos associados é usar ferramentas que simulem o impacto de uma eventual precificação de carbono nos resultados de empresas, o que ajudará as instituições financeiras a analisar seus portfólios de investimentos e financiamento.

Um mercado de R$ 7 bilhões

E não é à toa que bancos e instituições financeiras precisam direcionar seu olhar para o RenovaBio. Segundo cálculos do novaCana, feitos a partir de dados do MME, os títulos podem movimentar mais de R$ 6,8 bilhões em um cenário otimista para o preço dos CBios – só o setor de etanol seria responsável por R$ 5,5 bilhões.

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Como os CBios serão negociados em bolsa com preços variáveis de acordo com o mercado. O MME, a princípio, estimou que os papéis custarão em torno de R$ 37, o que geraria uma movimentação superior a R$ 1,5 bilhão. Ainda assim, o ministério também trabalhou com a previsão de valor de R$ 146 por CBio, o que corresponde a visão mais otimista mencionada anteriormente. Esses valores do MME, é importante deixar claro, são apenas uma perspectiva de possibilidade.

As usinas, entretanto, devem observar que, para gerar CBios elas devem levar em consideração o volume de etanol comercializado e sua nota individual de eficiência energético-ambiental, calculada pela RenovaCalc. Assim, uma unidade com uma boa nota pode até mesmo obter mais títulos para comercialização que uma usina de maior porte, mas com práticas ambientais que a prejudiquem.

Considerando uma unidade de desempenho médio, segundo os parâmetros adotados pela Embrapa e instituições parceiras no desenvolvimento da calculadora, as usinas de cana-de-açúcar que produzem etanol de primeira geração precisarão de cerca de 668,69 litros de etanol anidro ou 703,56 litros de etanol hidratado para gerar um único CBio.

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Esse valor muda consideravelmente quando são considerados outros tipos de planta industrial. Para uma usina de etanol celulósico, por exemplo, serão necessários 538,98 litros de anidro e 566,59 de hidratado. Isso significa que, na comparação com a planta de etanol 1G, uma usina de E2G poderá emitir um CBio produzindo 19,5% menos etanol. Ou seja, o RenovaBio permite que as usinas de E2G tenham um custo 19,5% maior e, ainda assim, possam competir de igual com a primeira geração. Uma conquista significativa para o meio ambiente.

Já no caso de uma unidade integrada de 1G e 2G serão 650,22 litros de anidro (-2,8%) e 684,05 litros de hidratado.

Em contrapartida, para uma usina flex – que utiliza milho e cana – esses valores passam a ser 689,30 litros de anidro (+3,1%) e 725,34 litros de hidratado. Já as usinas nacionais de etanol de milho precisarão de 729,78 litros de anidro (+9,1%) e 725,34 litros de hidratado (+9,4%), enquanto as usinas de etanol anidro de fora do país precisarão de mais de mil litros (+51,4%).

Todos esses valores consideram unidades médias e devem sofrer variações a partir do momento que o RenovaBio estiver em andamento.

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Com informações da assessoria da Febraban

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