“Invistam sem preconceito no setor de açúcar e etanol”: essa tem sido a recomendação do BTG Pactual aos interessados nas empresas sucroenergéticas ao longo de todo o ano de 2017.

novaCana.com 29 ago 2017 - 11:04

Quem está por trás desse raciocínio é o analista de mercado Thiago Duarte. O profissional, que está sempre de olho nos preços do açúcar, nas margens de lucro e na valorização das ações das companhias do setor na bolsa de valores, tem apostado na desalavancagem e no aumento da rentabilidade dos maiores grupos do setor.

Agora, ele classifica o RenovaBio como uma boa ideia e acredita que a aprovação via medida provisória pode ajudar o setor de etanol. “Se implementado com sucesso, o programa finalmente trará à realidade uma regulação tão aguardada e tão necessária, além de melhorar a transparência no setor de etanol e biocombustíveis”, afirma em relatório divulgado pelo BTG Pactual neste mês.

Formado em Economia pela Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (FEA-USP), Thiago Duarte já fez parte da equipe de analistas da multinacional Schroders, especializada na gestão de ativos. Sua entrada no BTG Pactual aconteceu em 2009 e, dois anos depois, ele passou a ocupar a posição de analista sênior para os setores de Agronegócio, Alimentos e Bebidas.

Em 2017, a equipe de análise liderada por ele recebeu reconhecimento como a melhor para o setor de Agronegócio da América Latina pela publicação Institutional Investor. Eles são responsáveis por elaborar estimativas dos retornos do mercado acionário e oferecem recomendações sobre alocação de ativos, análises fundamentalistas, projeções e recomendações de investimento.

Assim, para falar sobre o assunto, Duarte estará no painel “Fusões e aquisições do setor sucroenergético” do NovaCana Ethanol Conference 2017, que acontece em São Paulo (SP) nos dias 25 e 26 de setembro. Também farão parte da discussão o superintendente executivos de agronegócios do Bradesco BBI, André Assumpção, e o sócio-fundador da FG/A, Juliano Merlotto. Como moderador desse painel, está confirmada a presença do sócio da Ernst & Young, Renato Gennaro.


Palestra: Fusões, aquisições e perspectivas para o setor sucroenergético

Por: Thiago Callegari L. Duarte
Data: 26 de setembro às 11h
Local: Local: Hotel Tivoli - Mofarrej

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Impacto do RenovaBio no mercado

Ainda que aposte fortemente no impacto positivo do RenovaBio para o setor, Duarte aponta que um dos principais determinantes sobre como o programa funcionará na prática permanece um mistério. Ele se refere à relação entre a oferta e a demanda de créditos de descarbonização (CBios), que serão comercializados na bolsa de valores.

A número de créditos emitidos dependerá, principalmente, da meta estabelecida, do volume de etanol vendido e de uma nota que será atribuída a cada usina. A compra desses títulos, por sua vez, terá seu mercado motivado pelas distribuidoras, que terão metas individuais de descarbonização estabelecidas pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

“A definição da primeira meta dará uma boa ideia de quão ambiciosa a proposta do RenovaBio pode ser” (BTG Pactual)

Com base nos compromissos nacionais estabelecidas dentro do Acordo de Paris (COP 21) e na estimativa de produção de 50 bilhões de litros em 2030, o BTG Pactual realizou exercícios com o objetivo de estimar o crescimento do Ciclo Otto no país. “Pelas nossas estimativas, os créditos de carbono precisam gerar o equivalente a R$ 0,46 por litro para incentivar o etanol ao longo dos anos ou um fortalecimento de 31% nos atuais preços das usinas”, calcula.

Impacto do RenovaBio na indústria

A projeção do banco também coloca a necessidade de R$ 67 bilhões em investimentos adicionais para possibilitar um aumento de 214 milhões de toneladas na capacidade de moagem do setor de cana-de-açúcar. “Nós acreditamos que isso apenas será possível se forem garantidos uma maior visibilidade e incentivos econômicos”, afirma o relatório.

Segundo o BTG Pactual, a atual capacidade de produção de etanol pode alcançar até 31 bilhões de litros anuais. Assim, para que a produção atinja os níveis necessários até 2030, os investimentos não devem esperar o prazo final.

“Os objetivos [do RenovaBio] podem ser bem ambiciosos, mas se a regulação for coerente com tais propostas de longo-prazo, ela tem o potencial para salvar o etanol hidratado brasileiro” (BTG Pactual)

“Esses efeitos só começarão quando o governo publicar e definir um período de tempo para a implementação do RenovaBio, algo que esperamos que aconteça em 2018, no mínimo”, projeta o relatório, que continua: “Acreditamos que a abordagem correta pode estar em andamento e pode representar uma verdadeira oportunidade de longo prazo para a rentabilidade, a sustentabilidade e o potencial de crescimento da indústria de etanol”.

Impacto do RenovaBio para o consumidor

De acordo com os números apresentados, para que o consumo de etanol atinja 50 bilhões de litros até 2030, o consumo de combustíveis do Ciclo Otto deve ter um crescimento médio anual de 2% – o que estaria de acordo com a projeção de crescimento do PIB elaborada pelo banco. Além disso, a participação do etanol (somando anidro e hidratado) precisaria ir dos atuais 40% para 55%.

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“O RenovaBio não apenas precisará aumentar a capacidade de produção de etanol hidratado no Brasil para quase o dobro em apenas uma década, mas também terá que criar uma diferença de preço significativa entre o etanol e a gasolina para que os consumidores gerem uma demanda por mais etanol hidratado, em detrimento da gasolina C”, complementa.

Levando isso em consideração, a estimativa do BTG Pactual é que os créditos de carbono ampliem em R$ 0,53 por litro a diferença de preço entre gasolina e etanol em relação aos valores atuais. Isso pode ocorrer tanto por um aumento nos preços da gasolina ou por uma redução nos valores do etanol.

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“Nosso entendimento do modelo proposto para o RenovaBio é que, como os créditos de carbono geram um bônus para os produtores de etanol, eles devem aumentar a diferença entre os dois combustíveis nas bombas”.

Dessa forma, existe a possibilidade de que os preços do etanol caiam nesse processo, uma vez que os ganhos com o biocombustível podem ser incentivados pelos CBios, diminuindo a pressão de mercado sobre as bombas.

No que interessa as usinas, o RenovaBio precisa atender apenas dois pontos: “Um, a diferença de valor entre o etanol e a gasolina aumente nas bombas, de modo a migrar o consumo da gasolina para o etanol. Dois, que os produtores de etanol recebam suficiente incentivo econômico para ampliar os volumes produzidos e alcançar as metas de longo prazo para produção e consumo”.

Na teoria, simples. Na prática o RenovaBio precisa, antes, ser compreendido com todas as suas variáveis. Essa compreensão e os impactos do programa no mercado de fusões e avaliações das empresas serão discutidos durante o novaCana Ethanol Conference, em três semanas.

A programação completa do evento está disponível aqui e o cadastro para participar do evento pode ser feito aqui.

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