Eduardo Puertas: Análise do mercado de etanol – preço e comercialização

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Enquanto o mercado de açúcar está fundamentalmente sujeito a fatores internacionais, o etanol é muito mais sensível a dinâmica nacional. Com isso, programas e normas governamentais ganham um papel fundamental.

novaCana.com20/09/2017

Recentemente, três iniciativas que alteram essa dinâmica estão em desenvolvimento. O RenovaBio, apesar das disputas internas, está avançando. O recém-aprovado imposto sobre o etanol importado pretende limitar a entrada de etanol importado. E, recentemente, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis avançou nas discussões para alterar a Resolução nº 67/2011, que regula o mercado de compra e venda de etanol.

Todas as complexidades desse cenário – e muitas outras – fazem parte do dia a dia do chefe global do departamento de etanol da ED&F Man, Eduardo Puertas. Com passagens profissionais pelo Banco Safra, pela Esbra Environmental Solutions do Brasil e pela Fair Energy, Puertas integra a equipe da empresa global de commodities agrícolas desde 2010. Ele ingressou como o gerente de etanol nas Filipinas, tornando-se posteriormente gerente de açúcar e etanol na Ásia e, em 2015, assumindo a atual posição.

Com esta experiência, Eduardo Puertas estará presente no painel dedicado ao biocombustível no NovaCana Ethanol Conference, que acontece em São Paulo na próxima semana. Também fará parte do painel o CEO da SCA Trading, Martinho Ono. Além disso, ele participará de um debate moderado pelo diretor comercial do grupo Alta Mogiana, Luiz G. Junqueira.


Palestra: Analisando o mercado de etanol – preço e comercialização

Por: Eduardo Puertas
Data: 25 de setembro às 18h
Local: Hotel Tivoli - Mofarrej

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Setor de etanol tem dificuldade em cumprir metas

A Resolução ANP nº 67/2011 é um dos principais instrumentos de regulação do mercado de compra e venda de etanol anidro, tendo sida criada pela ANP para evitar que falte o combustível necessário para mistura à gasolina, especialmente na entressafra. Contudo, desde que as regras entraram em vigor, a agência se deparou com um grande número de companhias que não conseguem cumprir as metas estabelecidas ou que preferem arcar com as multas em vez de manter os estoques exigidos.

Segundo números divulgados pela ANP, das 153 usinas e cooperativas com meta para este ano, apenas 81 conseguiram atingir a meta de contratação de 90% estipulada para janeiro. As 72 usinas restantes ficaram sujeitas à obrigação de apresentar estoques equivalentes a 25% do volume comercializado no ano anterior, contudo, 32 não cumpriram essa exigência.

Além disso, todas as companhias deveriam comprovar estoque de 8% em março, mas apenas 95 o fizeram e três foram canceladas. Dessa forma, outras 55 estão sujeitas a penalizações por parte da ANP, podendo ser multadas ou até mesmo interditadas.

Metas da ANP

Novas metas em estudo pela ANP

O quadro de descumprimento visto este ano, contudo, não representa uma novidade em relação aos períodos anteriores. As constantes reclamações do setor e a ineficiência das multas aplicadas fizeram com que a ANP organizasse reuniões com entidades representativas e elaborasse uma nova proposta de regulação, que se adeque às necessidades das companhias sem comprometer o abastecimento nacional.

Uma das principais mudanças é a alteração nas datas de homologação dos contratos de fornecimento para distribuidoras: fornecedores e distribuidores terão até o dia 15 de maio para protocolar os documentos. Nesse caso, a meta de contratação permanece a mesma – ou seja, 90% do volume de etanol anidro comercializado no ano civil anterior –, mas ela passa a ser obrigatória e não existirá mais a possibilidade de estocagem de 25% do volume em janeiro.

Já com relação à segunda data de comprovação de estoque mínimo – quando as usinas precisam ter 8% do volume comercializado no ano anterior – a ANP reduziu a meta para um montante equivalente a 15 dias de comercialização de etanol anidro.

Estoques de etanol

Inclusão dos importadores de etanol

Outra mudança presente na proposta da ANP é a incorporação dos importadores de etanol na mesma categoria dos produtores, de modo que ambos ficam sujeitos às mesmas regras.

Etanol anidro ANP

Essa inclusão já era esperada, uma vez que, em abril deste ano, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) – presidido pelo ministro de minas e energia, Fernando Coelho Filho – aprovou uma resolução que estipula que os importadores de biocombustíveis deverão atender às mesmas obrigações de manutenção de estoques mínimos e de comprovação de capacidade para atendimento ao mercado exigidas dos produtores de biocombustíveis.

A programação completa do NovaCana Ethanol Conference está disponível aqui.

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