Temer não cumpre promessa do RenovaBio ao setor sucroenergético

Acreditar em promessas de políticos não é aconselhável. Porém, quando o político é o presidente do país, é importante ouvir com seriedade. O presidente Michel Temer em reunião com representantes do setor de biodiesel e etanol disse que daria uma resposta sobre o RenovaBio em 30 dias. Quem acreditou na palavra do presidente fez as contas e concluiu que até o dia 2 de agosto a população saberia o destino que o RenovaBio teria.

Já se passaram 60 dias e o presidente Temer não fez nenhuma manifestação pública sobre o RenovaBio, nem positiva, nem negativa. A promessa feita pelo presidente aconteceu em um momento que ele buscava apoio do congresso para impedir que fosse instaurada ação contra ele no STF. Não acredito que ele tenha prometido uma resposta ao setor de biocombustíveis para angariar apoio das frentes parlamentares que apoiam a iniciativa. Mas eu acreditei que ele daria a resposta em 30 dias.

O prazo de validade da promessa expirou e ninguém cobrou o presidente. Nenhuma associação ou personalidade do setor apontou o dedo para o presidente e disse que ele estava descumprindo uma promessa que havia feito. Os grandes interessados no programa não exigiram que ele honrasse sua palavra. Pode parecer ingênuo querer que o presidente cumpra o que prometeu em uma reunião com empresários e parlamentares em meio a tantos casos de corrupção apontados pelo ministério público. Mas aqui a promessa foi feita pelo presidente na frente do setor, não em gravação escondida ou contada por um delator.

Para piorar a situação, tanto o setor de biodiesel como o setor de etanol, diminuíram a pressão política sobre o governo. Continuaram acontecendo discussões técnicas, novos trabalhos foram realizados, várias palestras foram ministradas explicando o programa e mostrando sua importância, mas a vontade política de fazer o RenovaBio sair do papel diminuiu. E sem a pressão constante sobre a cúpula governamental, o RenovaBio foi para a vala das discussões técnicas.

E o lugar onde moram as discussões técnicas é o mesmo em que as ideias de um governo morrem.

Quando um governo quer mesmo fazer algo acontecer, as discussões técnicas terminam acontecendo depois que a decisão política está tomada. O RenovaBio já está tecnicamente muito bem elaborado, mas, mesmo assim, a Casa Civil continua usando questionamentos técnicos para dificultar o andamento do programa. Os técnicos do governo não têm muito que fazer, a não ser apresentar as respostas solicitadas. Contudo, o setor produtivo não tem a mesma obrigação.

As usinas precisam mostrar ao presidente como o país está perdendo com a demora na publicação da MP do RenovaBio. São empregos, investimentos e desenvolvimento no interior do país que estão sendo postergados. As contas do tamanho do benefício que o RenovaBio vai trazer já foram feitas e talvez o presidente Temer já as conheça.

Quem já entendeu o RenovaBio e conhece a realidade do setor sucroenergético do Brasil, tem dificuldade para entender por que o governo não aprova o RenovaBio. Quais são os argumentos contrários? Quando colocados em uma balança com os benefícios do RenovaBio, fica difícil de acreditar que o prejuízo é maior.

O mais provável é que o presidente Temer, o ministro Padilha e seus subchefes da Casa Civil saibam de tudo isso. E o governo esteja usando o RenovaBio como uma cenoura na frente do cavalo do setor de biocombustíveis. Enquanto a cenoura estiver na frente, o cavalo vai seguir caminhando para o lado que o governo quiser enquanto acha que está chegando cada vez mais perto da cenoura.

É preciso ter em mente que esse governo precisa mais de apoio do setor que o contrário.

Já passou da hora de exigir que o presidente cumpra com atraso sua promessa e diga se o RenovaBio é lançado pelo executivo ou não. Se a resposta for negativa, há dezenas de deputados que podem apresentar um projeto de lei do RenovaBio. O setor não pode continuar eternamente refém de uma decisão que não vem.

Miguel Angelo Vedana é diretor-executivo do novaCana

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