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Política

Rubens Ometto, da Cosan, é o maior doador individual das eleições 2018

Até o momento, empresário contribuiu com R$ 6,33 milhões, doados a 50 candidatos de diversos partidos


UOL / novaCana.com - 21 set 2018 - 13:09

De acordo com dados divulgados pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), até a manhã desta sexta-feira (21) os eleitores brasileiros doaram mais de R$ 218,6 milhões às campanhas eleitorais. O maior doador individual nas eleições de 2018 até agora é Rubens Ometto Silveira Mello, com R$ 6,33 milhões doados a 50 candidatos, de vários partidos, da esquerda à direita, a maioria a deputado federal, e quatro diretórios partidários.

Presidente do conselho de administração da Cosan, Rubens Ometto nunca havia feito uma doação eleitoral antes da mudança da legislação eleitoral, que proibiu a participação de pessoas jurídicas, de acordo com dados disponíveis no banco de dados do TSE sobre as eleições passadas. Sua primeira doação como pessoa física aconteceu em 2016, quando doou R$ 700 mil para algumas campanhas a prefeito e vereador.

Já a Cosan, empresa liderada por ele, doou R$ 6,8 milhões nas eleições de 2010 e outro R$ 1 milhão em 2012. Em 2014, as doações do conglomerado industrial pularam para R$ 30,8 milhões. No nome do empresário, há outras 20 firmas cadastradas na Receita Federal, onde ele consta como presidente, dono, sócio ou administrador. Elas não foram checadas nesta reportagem.

Na semana passada, o UOL procurou Ometto, por meio de sua assessoria de imprensa, e perguntou se o incremento nas doações pessoais neste ano seriam uma estratégia para suprir, ao menos em parte, as doações que deixaram de ser feitas pelas empresas às quais é ligado. Em nota, ele diz que "as doações eleitorais foram realizadas em caráter pessoal e seguem as regras estabelecidas pelo TSE e demais normas aplicáveis".

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Doações de empresários – não de empresas

Os dez maiores doadores individuais às campanhas políticas nas eleições deste ano até o momento multiplicaram várias vezes suas doações pessoais em relação a eleições passadas. O incremento aconteceu após mudança na legislação eleitoral que, a partir das eleições de 2016, proibiu as contribuições por parte de empresas. Metade deles nunca havia feito uma doação pessoal pelo menos até as eleições passadas.

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As empresas que mais contribuíram com campanhas políticas em 2014 estão vetando ou desaconselhando as doações neste ano por parte de seus dirigentes, donos ou acionistas (como a JBS, a Odebrecht e outras envolvidas na Operação Lava Jato). Mas diversas outras empresas que tradicionalmente contribuem com campanhas políticas não aplicaram essa regra. Em 2014, a JBS sozinha doou quase meio bilhão de reais aos candidatos.

Qualquer pessoa física pode fazer doações pessoais registradas para campanhas políticas, desde que estas não ultrapassem 10% do rendimento bruto declarado pelo doador no ano anterior ao da eleição. Isso deve derrubar a quantidade de doações, já que para as contribuições empresariais não havia limite legal.

Aiuri Rebello e Leonardo Martins
Com informações adicionais e edição novaCana.com