Com safra mais curta, etanol atinge maior preço em quatro temporadas

Publicada em 03/01/2017

Encerrada antecipadamente em grande parte da região Centro-Sul, a safra 2016/17 foi marcada por preços maiores dos etanóis no mercado paulista, inclusive no período de pico de colheita, segundo pesquisas do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP. No balanço da temporada (de abril a dezembro), o Indicador CEPEA/ESALQ (estado de São Paulo) teve médias de R$ 1,6425/litro para o hidratado e de R$ 1,8164/l para o anidro, as mais altas dos últimas quatro anos-safras, em termos reais (deflacionamento pelo IGP-M de dezembro). Em relação à temporada passada, o hidratado se valorizou 8,2%, refletindo principalmente a menor oferta do combustível. Para o anidro, que teve aumento real de 8,8% de uma safra para outra, o principal fator de impulso foi a demanda elevada, tendo em vista que a produção cresceu.

Segundo dados da Unica (União da Indústria de Cana-de-açúcar), na segunda quinzena de dezembro, a estimativa era de que apenas 55 usinas ainda operavam na região Centro-Sul. O término antecipado da colheita decorreu principalmente do clima adverso (excesso de chuvas e geadas). Esse cenário combinado às dificuldades financeiras de temporadas anteriores resultaram, ainda, em queda na proporção da área de plantio em relação à área total cultivada, para o segundo menor nível da série histórica em 31 safras, conforme o Censo Varietal do IAC (Instituto Agronômico). A produtividade também diminuiu. Em novembro, foram colhidas 66,8 toneladas por hectare no Centro-Sul, queda superior a 20% em relação ao mesmo período de 2015, de acordo com levantamento do CTC (Centro de Tecnologia Canavieira).

No acumulado da safra 2016/17 (de abril até 15 de dezembro), foram processadas 588,9 milhões de toneladas de cana na região Centro-Sul, volume 1,88% maior que no mesmo período de 2015. De etanol, foram produzidos 14,25 bilhões de litros de hidratado (-11,9%) e 10,49 bilhões de litros de anidro (2,24%). O volume de açúcar, por sua vez, cresceu 16,7% em igual comparativo, ainda conforme números da Unica.

O foco na produção de açúcar já era esperado desde o início da safra, tendo em vista os altos patamares de preços dessa commodity, em função do déficit mundial. Na média da temporada (até a primeira quinzena de dezembro), o mix na região Centro-Sul foi de 46,7% para o adoçante, o maior percentual desde a safra 2012/13 e aumento de 6% em relação ao mesmo intervalo da temporada passada. O Indicador CEPEA/ESALQ do açúcar cristal (estado de SP) teve média de R$ 88,15/saca de 50kg de abril a dezembro, elevação de 37,55% na comparação com o mesmo período da safra anterior.

As maiores receitas obtidas com as vendas de açúcar e também de hidratado favoreceram uma maior distribuição da comercialização do combustível ao longo da safra 2016/17. Isso porque a necessidade de usinas elevarem a oferta de etanol no spot nos períodos de final de mês, no intuito de “fazer caixa” para arcar com despesas com folha de pagamento, foi menor.

O efeito de localização geográfica das usinas do estado de São Paulo foi menor que em temporadas passadas. Em determinados momentos desse ano-safra, unidades mais distantes das principais bases de distribuição conseguiram preços semelhantes aos daquelas próximas das bases paulistas.

De abril a dezembro, o fluxo de etanol de outros estados para o spot de São Paulo se mostrou pequeno, tendo em vista os preços pouco atrativos, considerando o custo do frete. O excedente do produto de Mato Grosso do Sul, por exemplo, teve como principal destino o Sul do Brasil.

Do lado da demanda, a competitividade do etanol hidratado sobre a gasolina C vem diminuindo desde agosto. Cálculos do Cepea com base nos preços da ANP (Agência Nacional do Petróleo) mostram que, em novembro, o preço do hidratado no estado de SP correspondeu a 76,4% do valor da gasolina, o resultado mais desfavorável para o mês desde 2003 (série do Cepea). Em novembro de 2015, esse percentual estava em 72,2%. Na média da safra 2016/17, a relação está em 68,7%, ante os 64,7% de igual intervalo da temporada anterior.

Diante da vantagem sobre o etanol, a gasolina registrou aumento de consumo praticamente mês a mês em 2016, diferente do comportamento de 2015. De janeiro a novembro, foram consumidos 35 bilhões de litros de gasolina C no Brasil, volume 3,4% maior que no mesmo período de 2015 – dados da ANP. Já o volume de etanol caiu fortemente, em 16,6%, para 12 bilhões de litros.

No mercado internacional, as exportações de etanol recuaram nesta safra. De abril a dezembro, foram enviados ao exterior 1,154 bilhão de litros (anidro e hidratado), queda de 24,4% ante os 1,527 bilhão de litros de igual intervalo da temporada anterior, de acordo com a Secex. Em receita, as vendas externas de etanol geraram US$ 583 milhões no período, 15,3% abaixo do montante do ano passado.

Dra. Mirian R. Piedade Bacchi, Msc. Ivelise Rasera Bragato, Carla Luciane dos Santos, Gabriela Nascimento, Giovanna Souza e Talita Negri.

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