Etanol: Importação

EUA manterá cotas de biocombustíveis estáveis em 2019, dizem fontes

Agência de Proteção Ambiental realiza uma ampla revisão das metas para uso de biocombustíveis dos EUA


Bloomberg / novaCana.com - 29 nov 2018 - 11:55

O governo de Donald Trump deve exigir que as refinarias do país usem mais de 55 bilhões de litros de combustíveis renováveis convencionais, como etanol de milho, no próximo ano. A medida é uma resistência à pressão da indústria petrolífera para reduzir o mandato, segundo três fontes familiarizadas com o assunto que foram consultadas pela Bloomberg.

A lista de metas para as misturas de biocombustíveis será divulgada amanhã (30) e deve estar alinhada com as cotas propostas em junho pela Agência de Proteção Ambiental (EPA), disseram as fontes que pediram para não serem identificadas, pois estão discutindo sobre o assunto antes do anúncio oficial.

Ainda assim, é improvável que as cotas satisfaçam os líderes agrícolas e seus aliados políticos que denunciaram a ação da EPA de isentar algumas pequenas refinarias dos mandatos. Sob as regras do programa de Combustíveis Renováveis dos EUA (RFS, na sigla em inglês) apenas as pequenas refinarias que enfrentam uma "dificuldade econômica desproporcional" podem obter isenções das exigências anuais de mistura de biocombustível. Mas, até agora, 15 refinarias – de tamanhos diversos – solicitaram redução das cotas de 2018.

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A princípio, a EPA propôs que as refinarias misturassem 75 bilhões de litros de biocombustíveis no próximo ano, um aumento de 3,1% em relação às cotas atuais. Essa meta incluiu uma cota de 56,8 bilhões de litros para combustíveis convencionais renováveis, como o etanol à base de milho produzido no país, o máximo permitido pela lei federal e a mesma quantidade exigida em 2018. A agência também vai atender a uma exigência de 2020 para o uso de biodiesel, que é tipicamente feito de soja, depois de propor um aumento de 15,7% na meta.

O valor dos créditos negociáveis de biocombustíveis – que permitem o acompanhamento da mistura de etanol em 2018 – aumentaram 4,8% com a notícia, sendo negociados a 11 centavos de dólar, de acordo com a StarFuels Inc. Anteriormente, eles atingiram 9,25 centavos de dólar. Na segunda-feira, eles mudaram de mãos a 10,5 centavos de dólar.

Além disso, a EPA não ajustará as cotas finais para contabilizar as isenções das refinarias, atingindo os produtores de etanol e os interesses do chamado “cinturão do milho”, que queriam que as cotas de biocombustíveis renunciadas fossem realocadas, de acordo com duas pessoas familiarizadas com o assunto. Representantes da EPA não responderam imediatamente a solicitações por e-mail feitas pela reportagem.

Os defensores dos biocombustíveis dizem que as isenções prejudicam as cotas anuais de biocombustíveis. “Se for verdade, a decisão da EPA de não incluir as isenções projetadas para pequenos refinadores em 2019 significa uma das duas coisas: ou a agência não espera distribuir quaisquer isenções a partir dos requisitos de 2019, ou a EPA continuará a prática subversiva de conceder isenções após sua finalização – reduzindo efetivamente o RFS e minando a intenção do Congresso”, disse Geoff Cooper, presidente da Associação de Combustíveis Renováveis. "Para o bem de produtores, agricultores e consumidores de biocombustíveis da América, esperamos que seja a primeira opção”, conclui.

Ao liberar as cotas finais do biocombustível, o governo Trump dará início a uma ampla revisão do programa Renewable Fuel Standard, desencadeando uma nova batalha entre a indústria do petróleo e os interesses agrícolas em relação ao mandato de biocombustíveis que o Congresso criou em 2005.

O congresso previa que as refinarias usariam mais de 135 bilhões de litros de biocombustível em 2022 e esperavam que, com o tempo, o etanol convencional à base de milho daria lugar a biocombustíveis avançados de última geração feitos de switchgrass (gramínea perene de estação quente, nativa da América do Norte), algas e outras matérias-primas não comestíveis. Mas o biocombustível celulósico tem tido comercialização lenta e uma produção abaixo da esperada inicialmente.

A EPA disse que planeja estabelecer novas metas de mistura de biocombustíveis para 2020 até 2022 como parte da próxima atualização do RFS. A agência, inclusive, estaria preparada para reduzir as ambiciosas metas do Congresso para biocombustíveis como parte desse processo.

Líderes da indústria do petróleo disseram que veem a redefinição da agência como uma chance de calibrar o programa criado há 13 anos sob condições de mercado muito diferentes, quando os legisladores estavam ansiosos para afastar os EUA de fontes estrangeiras de petróleo e desenvolver alternativas locais.

Esforços para renovar o programa no Congresso foram frustrados por anos por conta das tensões entre a indústria do petróleo e o setor agrícola.

Agora, a EPA está escrevendo isoladamente um novo regulamento que eleva as restrições de mistura de etanol na gasolina para até 15%, em consonância com a promessa feita por Trump aos eleitores de Iowa, em outubro.

Jennifer A Dlouhy e Mario Parker – Bloomberg
Com tradução novaCana.com