Após queda nos preços por ordem judicial, motoristas não encontram etanol em postos de Goiânia

Consumidores desconfiam empresários estejam ocultando produto para obrigar comercialização da gasolina, que segue cara. No entanto, estabelecimentos alegam alta procura.

Três dias depois da Justiça ordenar que 60 dos 252 postos de Goiânia baixassem o lucro sobre o preço do etanol, motoristas enfrentaram dificuldades para encontrar o produto nesta segunda-feira (20). Eles desconfiam que os estabelecimentos estejam evitando comercializar o combustível de propósito para obrigar a população a abastecer com gasolina, que seguem com o valor alto. No entanto, os estabelecimentos alegam que o déficit ocorre devido à grande procura.

"Eles já estão escondendo isso aí [etanol]. Isso é fato", opina o empresário Murilo Brasil.

Além dele, outros motoristas também estão desconfiados. O vendedor Jean Farley diz que está rodando por vários postos, mas não encontra etanol. E se há, o preço ainda está alto.

"Não estou encontrando e quando encontra, o preço abusivo. A gente que precisa do carro para trabalhar, infelizmente, essa é a nossa realidade aqui em Goiânia", lamenta.

A decisão da Justiça atendeu a uma ação da Superintendência Estadual de Proteção aos Direitos do Consumidor (Procon-GO), que apontou aumento abusivo de 120% no litro do combustível. O procedimento, por sua vez, demandou de um protesto em que motoristas bloquearam as portas das distribuidoras contra os preços altos.

A motorista Valdete Sousa Silva acredita que tudo seja uma forma dos postos voltarem a aumentar o preço. "Abaixou com a pressão que o pessoal fez. Agora acabou. Aí vai querer aumentar o valor porque está em falta. Vai voltar o valor que era antes", salienta.

Em falta

A TV Anhanguera percorreu dez dos 60 postos alvos da ordem judicial. Em seis deles, o etanol havia acabado. Um ainda tinha o produto em estoque e os outros três ainda praticavam o preço antigo – cerca de R$ 3,30 – alegando que ainda não tinham sido notificados oficialmente.

Em um dos estabelecimentos, os funcionários confirmaram que havia quase mil litros de estoque, mas que não era possível vender porque a bomba não consegue sugar essa quantidade do tanque.

Já a frentista Márcia Belchior, de outro posto, disse que a grande procura é que tem feito o etanol acabar rápido. "Acabou sexta-feira [17] à noite. Tinha estoque, mas tinha muita venda", explica.

Em nota enviada à TV Anhanguera, o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo no Estado de Goiás (Sindiposto) informou que todos os postos que foram notificados já diminuíram o preço do etanol.

Porém, em virtude da procura acima do normal por parte dos consumidores, o produto acabou faltando. Como os postos vão comprar mais combustível, a situação deve voltar ao normal nos próximos dias.

Lista

Desde sexta-feira (17), a Secretaria da Fazenda (Sefaz) começou a publicar diariamente no site da pasta os preços mínimos, médios e máximos praticados pelos estabelecimentos do ramo no estado. A medida visa dar transparência à definição dos valores.

De acordo com a Sefaz, a medida obedece aos critérios de sigilo fiscal e facilitará a consulta de preços por parte do consumidor goiano e dos órgãos, como o Ministério Público de Goiás.

''Antes de sair de casa ele já pode ver o posto que tem o menor preço, que seja de sua confiança então ele pode optar por abastecer pelo menor preço'', disse o superintendente da Sefaz, Adonínio Neto Vieira Júnior.

Sílvio Túlio

Tags: Goiás

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