Etanol e açúcar: comportamento do mercado de frete em março

Com movimentações pontuais para a exportação, o mês de março se iniciou de maneira lenta para o açúcar, sendo que os volumes eram referentes ao estoque remanescente da safra 2016/17. Os dados foram coletados pelo Grupo de Pesquisa e Extensão em Logística (Esalq-LOG), da Universidade de São Paulo (USP).

Segundo o relatório, a última semana de março foi caracterizada pelo início da colheita da safra 2017/18 em regiões como Ribeirão Preto, São José do Rio Preto, Araçatuba e Piracicaba, aquecendo o mercado de fretes e aumentando o volume exportado de açúcar VHP. O açúcar ensacado continuou com movimentações focadas no estoque da última safra, com a exceção de apenas algumas usinas, que já estariam comercializando a nova safra.

“Como as movimentações estão divididas entre estoque da safra anterior e da nova safra, os agentes do mercado estão optando tanto pela movimentação via transporte rodoviário direto para o porto de Santos como para terminais ferroviários da região”, afirma.

De acordo com o boletim assinado pelo responsável técnico Gabriel Detoni, o repasse no valor dos fretes ocorreu de maneira generalizadas em todas as principais regiões produtoras, algo que ocorreu devido a dois fatores principais. O primeiro seria a necessidade de atrair caminhões tanto para saldar os estoques quanto para a movimentação da nova safra. Além disso, houve a intensificação dos volumes comercializados.

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Ele ainda relata que, na região de Piracicaba, o repasse no valor foi menos acentuado, uma vez que a região já presenciava um frete mais elevado para o açúcar.

“De maneira geral, mesmo com as chuvas, o porto de Santos apresentou boas operações e um incremento do line up para o açúcar na última semana de março facilitando o escoamento do produto”, complementa o boletim.

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O uso do porto de Santos ocorreu de maneira generalizada para todas as regiões. Segundo o documento, foram utilizados também os terminais de Itirapina e Pradópolis para Ribeirão Preto e o de Jaú para Araçatuba. Em regiões como São José do Rio Preto e Piracicaba, a opção foi pelo escoamento via modal rodoviário direto.

“O aumento dos fretes aconteceu com maior intensidade em regiões como Minas Gerais, Leste e Sul de São Paulo, por conta da intensificação das movimentações. Em outras regiões, como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás, ele ocorreu principalmente pela maior competividade de caminhões com o mercado da soja”, aponta o boletim.

Frete de etanol

De acordo com relatório assinado pela responsável técnica Luiza Mazzafera, as negociações de etanol no mês de março foram voltadas para o etanol hidratado que, ao longo do mês, apresentou consecutivas quedas de preços nos postos, como também nas cotações das usinas.

“Os volumes transportados não apresentaram grande recuperação em relação ao mês de fevereiro, uma vez que a demanda pelo produto continuou baixa”, aponta o relatório, que continua: “O principal motivo para isso foi a preferência das distribuidoras em atender contratos e finalizar estoques e, como consequência, houve baixa atuação no mercado spot”.

Quanto ao etanol anidro, o documento aponta que houve um grande volume do produto importado pelos portos de Paranaguá e de Santos. Os principais destinos foram as cidades de Araucária, Campo Grande e Paulínia.

Além disso, embora muitas usinas da região Centro-sul tenham dado início à produção no mês de março, os pesquisadores acreditam que grande parte das distribuidoras optou em segurar o produto na expectativa de melhora de preço. “Dessa forma, a oferta de caminhões para atender a cadência movimentada no mês de março foi satisfatória e sobraram veículos no mercado”, aponta.

Com isso, houve estabilidade dos fretes e algumas rotas em que há maior volume de etanol negociado apresentaram pequenos reajustes positivos. Ainda assim, os fretes em Goiás, São Paulo, Paraná, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul sofreram quedas. O principal motivo para isso foi a alta disponibilidade de veículos aguardando produto para transportar.

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Também houve uma grande quantidade de etanol de Goiás e Mato Grosso do Sul que entrou na região Centro-Sul, especialmente para Paulínia, Ribeirão Preto e Guarulhos.

Expectativas para abril

Para o mês de abril, a expectativa é de um mercado aquecido para o açúcar e com uma movimentação intensa, já que as usinas estarão optando por um mix açucareiro no início da safra.

Além disso, os pesquisadores esperam que, na segunda quinzena de abril, mais usinas deem início à produção da safra 2017/2018. Dessa forma, os volumes negociados de etanol tanto para o mercado interno quanto para exportação deverão aumentar. “A expectativa é de que os fretes também sejam reajustados positivamente com o início da safra”, conclui.

Grupo Esalq-LOG
Com edição novaCana.com

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