Distribuidoras cobram embasamento técnico do governo na questão do preço dos combustíveis

Associação do setor discorda da visão do governo de que as elevações de preços praticadas pela Petrobras são repassadas às bombas, mas a redução não chega à população

As distribuidoras de combustíveis pedem que o governo tenha embasamento técnico ao abordar a questão dos preços na bomba. A visão do governo é de que as elevações de preços praticadas pela Petrobras são quase que automaticamente repassadas às bombas, mas a redução não chega à população.

A Associação Nacional das Distribuidoras de Combustíveis, Lubrificantes, Logística e Conveniência (Plural, antigo Sindicom), que reúne as empresas líderes do setor de distribuição de combustíveis, levantou dados que não corroboram com essa visão. Entre 18 junho de 2017, época em que a petroleira passou a anunciar mudanças nos preços mais ativamente, e esta terça-feira, 6, foram registrados 144 movimentos de preço da gasolina vendida aos distribuidores, sendo 73 aumentos com média de 1,37% e 71 reduções com média negativa em 1,2%. No intervalo, o preço do produto na bomba subiu 20%.

Quando se analisa a composição do preço, o porcentual que cabe ao custo da gasolina aumentou 18%, considerando a mistura com o etanol anidro, cuja representação subiu 32%, em igual período. A fatia relativa a PIS Cofins e Cide, por sua vez, teve elevação de 79% nesse intervalo, enquanto a que compete ao ICMS avançou 13%. Já as margens e o custo com frete recuaram 7%. Os dados são da ANP, Esalq (CEPEA), Petrobrás e Cotepe.

"Estamos preparados para discutir o assunto sob o ponto de vista técnico", disse Leonardo Gadotti, presidente da Plural. "Há 40 mil postos revendedores no País. A concorrência é acirrada e os preços são balizados por volume. Os impostos são o problema. É preciso olhar com lupa para entender o que está acontecendo com os impostos no Brasil, na área de combustíveis".

Em entrevista à Band nesta semana, o presidente Michel Temer prometeu soluções para evitar que as distribuidoras de combustíveis repassem ao consumidor apenas os aumentos que saem das refinarias. "Agora, nós estamos vendo fórmulas jurídicas de como obrigar, quando haja a redução do preço do combustível, que também isso repercuta na bomba". Temer disse esperar para "logo" dar uma solução para o problema.

O ministro Moreira Franco, da Secretaria Geral da Presidência, relatou que iria buscar auxílio no Conselho Administrativa de Defesa Econômica (Cade) sobre as leis disponíveis e as medidas cabíveis para combater a cartelização na distribuição da gasolina. A expectativa dele era ter uma resposta antes do Carnaval.

Karin Sato

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