O volume de etanol produzido anualmente pelo Brasil é de 28 bilhões de litros. Destes, quase 280 milhões de litros podem ser perdidos via evaporação e eliminados para o meio ambiente caso o armazenamento não seja feito de maneira adequada.

Romão Tecnologias 03 jul 2018 - 09:07 - Última atualização em: 11 jul 2018 - 13:07 CONTEÚDO PATROCINADO

Exigência da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) em tanques de etanol desde 2009, os selos ou tetos flutuantes são a principal recomendação para garantir a segurança ambiental durante a tancagem. O objetivo é simples: proporcionar um armazenamento seguro e eficiente de produtos voláteis com perda mínima de vapor para o meio ambiente.

“Essa exigência é feita por ocasião do licenciamento ambiental de bases e outros locais onde sejam instalados tanques para armazenamento e distribuição de combustível líquido recebido por meio de caminhões, vagões tanques e/ou dutos provenientes das refinarias, usinas e/ou terminais marítimos”, detalha a Cetesb.

Não é à toa que São Paulo tenha sido a primeira unidade federativa a aderir à norma. O estado é o maior produtor nacional do biocombustível e, em maio, concentrava a maior parte do volume armazenado, respondendo por 1,9 bilhão de litros.

Evaporação que pesa no bolso

Além do impacto ambiental, o rombo financeiro causado pela evaporação também é grande. Como a taxa de evaporação de etanol pode chegar a 1%, as perdas nacionais podem alcançar 280 milhões de litros de etanol por ano, considerando uma produção total de 28 bilhões de litros, como a registrada pelo Ministério da Agricultura na safra 2017/18.

Levando ainda em conta o valor de comercialização do litro de etanol como sendo de R$ 1,90, é possível estimar um prejuízo anual aproximado de R$ 532 milhões apenas devido à evaporação. Esse valor pode ser drasticamente reduzido com a utilização dos selos ou películas flutuantes nos tanques, de acordo com o diretor-presidente da Romão Tecnologias, Oscar Romão.

Segundo ele, a partir da metodologia validada através do software Tanks, desenvolvido pelo Instituto Americano de Petróleo, o volume de perdas por evaporação em um ano pode chegar a 109 m³ em um tanque de 35 metros de diâmetro e altura de 10 metros. Para esse exemplo, o volume é de 9.621 m³ e foram considerados dois turnovers por ano, com um percentual de evaporação de aproximadamente 0,57% a cada turnover.

Com a utilização de selo ou película flutuante, esse número pode ser reduzido em até 98%, gerando uma economia superior a R$ 200 mil em um ano.

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"Com durabilidade de mais de uma década, um selo pode ter um retorno financeiro inferior a dois anos, resultando em um investimento altamente rentável", complementa Oscar Romão.

Armazenamento na prática

De acordo com o coordenador de engenharia e manutenção dos terminais da Copersucar, Renato Cesar Scandinari, a partir do momento em que sai da usina onde é produzido até chegar ao consumidor final, o etanol pode passar meses armazenado, dependendo do período de colheita.

Segundo Scandinari, desde o carregamento já é possível tomar algumas medidas para diminuir a evaporação do etanol, utilizando uma unidade de recuperação de vapor. “Ao retirar o combustível dos tanques e carregar o caminhão rumo à distribuidora, também há emissão de gases. Por meio da unidade de recuperação, 100% desses gases são coletados e transformados em líquido novamente, garantindo a segurança do processo”.

Por meio de transporte rodoviário ou dutoviário, o etanol parte das usinas para os centros de distribuição, espalhados por todo o Brasil, de onde é enviado para os postos de combustível. No entanto, de acordo com ele, o padrão é que a maior parte do tempo o combustível seja mantido nos armazéns de tancagem – exatamente o local onde a evaporação pode ser maior.

No caso da própria Copersucar, a empresa possui um terminal de armazenamento de etanol na cidade de Paulínia (SP) com 10 tanques de tamanhos diferentes – são quatro tanques de 5 mil m³, outros quatro de 20 mil m³ e mais dois de 40 mil m³ de capacidade, totalizando 180 mil m³ de etanol armazenado.

Desde a inauguração do terminal, em 2014, todos os tanques são equipados com selos flutuantes – fabricados pela Romão Tecnologias – por exigência da própria Cetesb e também da legislação municipal, que demanda a aplicação dessa proteção. Com a medida, a empresa consegue evitar 1.800 m³ de evaporação a cada carga dos tanques, todos os anos.

Daí a necessidade de lançar mão de recursos como os selos, uma vez que todo este volume seria lançado na atmosfera. “No caso de Paulínia, por exemplo, a cidade concentra um grande número de bases de distribuição, além da maior refinaria do país – a Replan –, o que faz dela uma região saturada, com grande quantidade de emissões de poluentes. Precisamos utilizar alguns equipamentos que ajudem mitigar esses gases”, comenta Scandinari.

A recomendação pelos selos flutuantes

A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e o Instituto Americano de Petróleo (API, na sigla em inglês) colocam como obrigatoriedade para o armazenamento de compostos orgânicos voláteis – como o etanol – o uso de dispositivos de segurança para proteção contra os excessos de pressão positiva e negativa (vácuo) e contra a deflagração (fogo) no interior dos tanques.

Usualmente são utilizados dispositivos conhecidos como válvula de alívio de pressão e vácuo com corta chamas, porém, eles fazem somente a proteção estrutural dos tanques. Os selos, por sua vez, vão além desta proteção e também reduzem a perda por evaporação a limites considerados desprezíveis.

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De acordo com Oscar Romão, os selos ou tetos flutuantes são estruturas metálicas, normalmente de alumínio. Eles possuem placas delgadas montadas sobre flutuadores, fixadas por perfis e com uma coroa anelar de material resiliente, compensando eventuais deformações no costado dos tanques, além de caixas de passagem para atender mastros, colunas ou outras interferências. Os componentes do selo flutuante acessam o tanque através da boca de visita e uma equipe treinada é capaz de montá-lo em até uma semana.

“Conforme ocorra a variação do volume líquido do tanque, o mesmo flutuará sobre a superfície, reduzindo significativamente o espaço suscetível para evaporação. É como se o tanque do usineiro estivesse sempre cheio”, explica Oscar Romão. Ele ainda complementa: “Com essa redução, a concentração de vapores inflamáveis fica muito abaixo do limite mínimo de explosividade (LEO), eliminando a necessidade de utilização de válvulas de alívio e corta-chamas, que são exigidas por norma, quando não há a utilização do selo película”.

Olhar atento para a segurança

No entanto, para que isso aconteça, é fundamental que esses equipamentos sigam uma série de recomendações de segurança. “O selo é constituído de vedações periféricas conformáveis que se moldam a eventuais deformações dos tanques, além de permitir a passagem de colunas e quaisquer interferências nele existentes. Neste componente, deve-se ter uma atenção especial, pois muitas empresas fornecem suas periferias em desconformidade ao seu propósito fundamental e inquestionável: vedação”, detalha Romão.

Segundo o engenheiro, é possível encontrar à venda selos irregulares, desenvolvidos em placas descontínuas e não vedadas na periferia. “[Nesses casos] todo o vapor gerado é acumulado de forma perigosa no interior do tanque, uma vez que passa a ser um processo contínuo de evaporação sem saturação, que além de perder produto, gera perigosas concentrações de hidrocarbonetos que podem superar o limite mínimo de explosividade”.

Ele ainda comenta: “Como qualquer vazamento pode desencadear um acidente de grandes proporções, a segurança é um fator fundamental no armazenamento de etanol e, portanto, o selo ou película deve garantir estanqueidade não só pela parte central (película), como pela sua periferia”.

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Texto: Luciane Belin

Edição: Renata Bossle

Infográficos: Bianca Rati

 

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