Multinacional malaia Petronas transformou açúcar e etanol em um dos seus segmentos chave de atuação

Petronas 17 mai 2018 - 09:05 - Última atualização em: 11 jul 2018 - 13:07

Com uma estimativa de 584,01 milhões de toneladas de cana-de-açúcar a serem moídas na região Centro-Sul durante a safra 2018/19, o Brasil é o maior produtor de cana-de-açúcar no mundo e o segundo maior fabricante de etanol – a produção do combustível deve chegar a 27,54 bilhões de litros neste ano.

Embora impressionantes se comparados com os dados de uma década atrás, por exemplo, estes números representam um decréscimo com relação aos da safra de 2017/18, que alcançou 596,31 milhões de toneladas. Aliás, o setor tem registrado apenas quedas desde o ápice visto em 2015/16, quando foi atingida a marca de 617,71 milhões de toneladas.

Assim, um aumento de produtividade passa a ser imperativo para que o setor de cana-de-açúcar brasileiro consiga manter o posicionamento de maior do mundo e as usinas atuem com lucratividade. Essa necessidade abre espaço para investimentos no setor.

petronas estrategia 1 moagem brasil

Uma detalhada avaliação do potencial desse mercado e uma análise das lacunas do processo produtivo fizeram com que a Petronas Lubricants International (PLI) – braço da empresa nacional de petróleo da Malásia – direcionasse seu olhar para o setor sucroenergético nacional e o tornasse um dos seus segmentos chave de investimento e atuação nos últimos anos.

“A indústria de cana-de-açúcar está no Top 5 entre os segmentos para a Petronas mundialmente, graças à importância que a mesma tem em volume e mix de produtos dentro da empresa”, Youri Hiddes (gerente global de produtos da Petronas)

Um dos motivos foi que, nos últimos 10 anos, a colheita da cana-de-açúcar passou por um importante processo de mecanização. De 2007 para cá, a colheita manual caiu de 75,6% para 9% da produção total, na média entre as regiões. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que, em 2016/17, 91% da safra nacional tenha sido colhida de forma mecanizada. Em São Paulo, maior produtor nacional, o índice já alcançava 96%.

Quando plantio e colheita são mecânicos, um dia de maquinário parado pode representar prejuízos milionários, com a redução do tempo de manutenção podendo impactar de maneira significativa os números finais de uma companhia. Foi essa a conta que a Petronas fez.

Mapeamento de processos

Comandar uma usina sucroalcooleira é como reger uma orquestra. Cada instrumento precisa estar funcionando bem individualmente para poder atuar dentro do coletivo e, no fim, produzir música de qualidade. O maestro é essencial para garantir o bom andamento do grupo, mas não pode se ocupar pessoalmente da checagem de cada peça.

Em uma usina, o raciocínio é o mesmo: cada setor precisa garantir a plena atuação de suas particularidades para que o negócio seja viável e produtivo. Entre tantos pontos a serem supervisionados em uma plantação de cana-de-açúcar, atentar para o óleo lubrificante das máquinas agrícolas utilizadas no plantio e na colheita pode parecer ser o equivalente a checar a afinação de cada corda da orquestra inteira.

petronas estrategia 2 demanda lubrificantes

Para esse trabalho é preciso conhecer o instrumento, quem o manipula e, acima de tudo, sua rotina de trabalho. “Desenvolvemos um mapa de processos específico para as usinas de cana-de-açúcar visando compreender toda a cadeia produtiva – o que é importante para cada setor, quais os desafios de cada um e como e onde os lubrificantes são parte do trabalho”, explica o gerente de marketing industrial da Petronas Lubrificantes Brasil (PLB) para as Américas, Bruno Reis Bechtlufft.

A partir desse mapeamento, a Petronas criou um Programa de Serviço das Soluções em Tecnologia de Fluidos, uma espécie de atendimento personalizado que organiza toda a demanda de lubrificantes de cada usina que atende, de forma a otimizar a utilização, a seleção de produtos mais eficientes e a logística.

“O nível de exigência do segmento sucroenergético está acima de qualquer padrão. Estar preparado com tecnologia e pessoal nos dá a tranquilidade de oferecer ao setor sucroenergético o que há de melhor para o setor”, Bruno Reis Bechtlufft (Petronas)

Do mundo para Contagem – e, novamente, para o mundo

Depois de realizar o mapeamento de processos em usinas de cana-de-açúcar – a partir de sua unidade em Contagem (MG) –, a Petronas iniciou, entre 2013 e 2014, uma atuação ativa com negociações, aquisições de grandes contas e novos produtos. Dessa forma, o que começou no mercado brasileiro transgrediu as fronteiras nacionais e fez com que o setor sucroenergético se tornasse um dos pilares no trabalho da Petronas também globalmente.

“Nosso esforço é obter um alinhamento global com diferentes países que atendemos em todo o mundo para aplicar as melhores soluções e serviços aos nossos clientes”, relata o gerente global de produtos da Petronas, Youri Hiddes. Ele ainda sugere: “Sendo um dos mais importantes segmentos para a Petronas, a indústria da cana-de-açúcar nos permite desenvolver produtos personalizados, que vão atuar diretamente junto às máquinas agrícolas, e especificações com um nível muito alto de performance e confiança aos consumidores”.

Agora, o setor de açúcar e etanol está dentro do posicionamento e direcionamento estratégico da companhia, que tem plantas produtivas e operações em todos os continentes. “Na África do Sul, outro país forte como sucroalcooleiro, a Petronas tem uma participação líder de mercado de marketshare, com as maiores usinas sucroenergéticas sob nossa gestão”, conta Bruno Reis Bechtlufft.

“Hoje, a área industrial da Petronas engloba indústrias, setor de transportes e o setor do agronegócio. E este – dos quais o sucroenergético é um dos segmentos – toma posição de destaque globalmente”, Bruno Reis Bechtlufft (Petronas)

Ainda de acordo com Bechtlufft, a Petronas passou por um ciclo de alto investimento entre 2014 e 2015, quando completou 40 anos de história. Na época, mais de 200 milhões de dólares foram investidos na companhia como um todo.

“Em linhas gerais, tivemos aumento de capacidade de produção para 220 milhões de litros por ano. Isso trouxe também um aumento de capacidade de estoque nos centros de distribuição no Brasil”, explica o gerente de marketing.

O crescimento foi distribuído entre aumento da tancagem e do estoque de matéria-prima nos portos e, conforme o gerente, houve forte investimento em pessoas, processos, marketing, operacional e, por fim, no laboratório e centro de pesquisa da empresa. “Hoje, nosso laboratório de lubrificantes é o único com certificação ISO 17025, o que o torna o único a determinar um estado da arte de procedimentos para laboratórios de combustíveis e lubrificantes”, completa.

petronas estrategia 3 companhia

Equipado com máquinas e instrumentos para diferentes tipos de ensaios, o laboratório da Petronas tem, segundo Bechtlufft, todos os aparelhamentos que correm os testes em lubrificantes disponíveis no mercado internacional. “Isso atesta que, para qualquer segmento que a Petronas for atender, ela consegue garantir qualidade acima da média, independente se tem exigência de qualidade maior ou menor”.

“O laboratório da Petronas é um dos melhores laboratórios que eu já vi, com bastante tecnologia. Traz resultados confiáveis”, Adonias Gomes de Moraes (analista administrativo da Bunge)

O valor do networking

Para obter sucesso no atendimento das usinas sucroenergéticas, a Petronas aposta, segundo Bechtlufft, em parcerias com grandes produtores. “Entendemos problemas que a usina tem e desenvolvemos processos, recursos e serviços que geram redução de custos no final. Nosso gerente conhece todo o processo técnico das usinas e possui relacionamentos comerciais e técnicos com 90% delas, pois circula nesse meio há duas décadas”, pontua.

Outro ponto forte é a atenção às necessidades logísticas. “O setor sucroenergético demanda isso. Não se pode ter falhas nas entregas e nos fornecimentos, porque máquinas paradas acarretam prejuízos milionários”.

Dentro dessa estratégia e como uma aposta para alcançar maior número de clientes neste mercado, a empresa realizou em janeiro deste ano seu primeiro Petronas Industry Summit. “Durante dois dias, reunimos os principais decisores técnicos de engenharia, manutenção e operação de grandes usinas sucroenergéticas dentro da sede da Petronas, para conhecerem nosso laboratório, fábrica, instalação e parte de inovação que está em andamento. Foram dias de intenso conteúdo relevante para o dia a dia dos profissionais e, ao mesmo tempo, um ambiente propicio para networking”, complementa Bechtlufft.

O evento contou com apresentações sobre temas como a importância da análise de óleo durante a safra, além de treinamentos sobre como realizar a leitura de um relatório de uma análise, por exemplo.

Entre os participantes esteve Emerson Cruz, engenheiro de manutenção da Biosev. “É uma oportunidade onde a gente pode trocar ideias com colegas do mesmo setor, trocar informações de lubrificantes, de óleos, fazer uma interface com fabricantes e absorver mais conhecimentos, trazer melhores soluções para o setor e crescer juntos com novas melhorias”, disse.

Adonias Gomes de Moraes, analista administrativo do grupo Bunge, também ressaltou o valor das trocas entre profissionais do segmento: "Além de agregar valor, está trazendo um ótimo networking. A gente está conhecendo outras pessoas de outras usinas, trocando conhecimentos e ajudando a gente a gerar valor entre as empresas nessa troca de ideias”.

Texto: Luciane Belin
Edição: Renata Bossle
Infográficos: Bianca Rati

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