Investidores: preparem-se para a revolução dos carros elétricos

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Após várias falsas largadas, uma nova era para o automóvel brilha no horizonte

novaCana.com / Wall Street Journal16/12/2016

O carro do futuro será elétrico, conectado e – isso talvez demore um pouquinho mais – com piloto automático. Mas e a indústria automobilística do futuro, como será? Numa série de artigos este mês, o Wall Street Journal ajuda os investidores a compreender o maior choque tecnológico a sacudir o setor automotivo em décadas.


Na aurora da era automotiva, os carros elétricos a bateria chegaram a sobrepujar os carros a gasolina. Transcorrido mais de um século, é possível que isso volte a acontecer no prazo de uma década ou duas. E os investidores que não quiserem ser pegos na contramão da história precisam abrir os olhos.

Exatamente quando os carros elétricos irão deixar o nicho do mercado de luxo ou da tecnologia verde e – após tantas falsas largadas – ingressar no mercado de massas, vai depender sobretudo do seu custo relativo. Neste quesito, tudo indica que a maré é favorável.

O barateamento das baterias é um fator-chave. O crescimento da computação móvel atraiu investimentos maciços para essa área, com duas consequências felizes para os elétricos: eles ganharam maior autonomia no momento mesmo em que seu custo de produção declinava. A Daimler, fabricante da Mercedes, acredita que o custo de produção das tecnologias de motores e de baterias pode alcançar paridade já em 2025. Mas o ponto de virada para os consumidores, que também leva em conta subsídios e custos operacionais, pode chegar antes disso.

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Normas ambientais cada vez mais rígidas vêm tornando a produção de motores de combustão interna dentro dos parâmetros cada vez mais cara, particularmente na Europa. Lançando mão de subsídios agressivos, a China – maior mercado automotivo do mundo em número de unidades vendidas – já criou uma demanda segura para os veículos elétricos. O preço baixo da gasolina – especialmente nos Estados Unidos – deixou de ser a criptonita da eletrificação, muito embora o governo Trump, caso concretize suas pretensões desregulatórias, possa dar alguma sobrevida aos modelos tradicionais.

Ademais, a indústria agora tem um modelo a seguir: o revolucionário modelo Tesla, cria do Vale do Silício, mostrou que existe demanda para carros elétricos bem planejados, obrigando os barões da indústria, de Detroit ao Japão, passando pela Alemanha, a investir pesado para não ficar para trás.

A General Motors está lançando o seu Chevrolet Bolt, 100% elétrico, que sairá na faixa dos US$ 30 mil, impostos inclusos. É menos que o preço médio de venda de um carro novo nos Estados Unidos, ainda que caro para um compacto. O tão propalado Modelo 3 da Tesla, que deve chegar ao mercado no segundo semestre de 2017, deve custar um pouco menos que isso.

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Manter a relevância – e os lucros – na era dos elétricos será um desafio para as montadoras tradicionais. O know-how acumulado em matéria de tecnologia de motores garantiu-lhes uma posição de mercado estável por várias décadas. Mas os motores elétricos são mais simples e mais baratos de fabricar. À medida em que a expertise em motores for perdendo relevância, a tendência é ficar cada vez mais difícil bater a concorrência – especialmente do Leste Asiático, onde se produz a maior parte dos equipamentos eletrônicos e estão instalados os fabricantes de bateria.

As montadoras que sobreviverem aos solavancos desse período de mudança talvez terminem mais parecidas com empresas de tecnologia – e tão valorizadas quanto.

Isso não impedirá que elas tentem. As três gigantes da indústria automotiva alemã – Volks, Daimler e BMW – divulgaram novas estratégias voltadas para o mercado de elétricos este ano. Até mesmo a Toyota, maior fabricante de carros do mundo em número de unidades produzidas, sinalizou no mês passado uma reversão em sua antiga estratégia de focar na tecnologia de células-combustíveis a hidrogênio em detrimento das baterias. Os próximos anos testemunharão uma enxurrada de novos lançamentos para rivalizar com o Bolt e o Modelo 3.

O design de marca também terá de sofrer adaptações. Um exemplo: as emblemáticas grades em formato de rim da BMW vão se tornar obsoletas com a eletrificação. Os líderes de ontem terão de encontrar novas maneiras de combinar marca, design e tecnologia.

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Para os investidores, os riscos e as oportunidades afiguram-se imensos. As ações de quase todas as fabricantes de automóveis, exceção feita à Tesla Motors, estão saindo a preço de banana, seja na comparação com o histórico em bolsa, seja em relação ao mercado de forma mais ampla. Há preocupações de longo prazo, como o custo de adaptação das linhas de montagem para a tecnologia elétrica e o risco de uma quebradeira geral. No entanto, as montadoras que sobreviverem aos solavancos desse período de mudança talvez terminem mais parecidas com empresas de tecnologia – e tão valorizadas quanto.

O futuro do automóvel será eletrizante. E as recompensas para os que apostarem certo suas fichas serão enormes.

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Por Stephen Wilmot

Wall Street Journal

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