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Sab19042014

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Resultados do leilão A-5 evidenciam melhor momento para cogeração

Uma nova oportunidade surgiu para a retomada da cogeração a biomassa graças à melhoria das condições de financiamento, às incertezas no segmento de carvão, à falta crônica de gás natural e à sinalização do governo de que manterá a participação de um produto térmico nos próximos leilões deste ano - protegido da competição com as demais fontes. Por isso, embora o mercado não o tenha considerado um sucesso pleno, o leilão A-5 de agosto serviu para dar novo ânimo aos empreendedores que apostam na fonte. E não apenas no bagaço de cana, mas também no cavaco de madeira.

A biomassa representou 51 % dos 1.265 MW de capacidade (355 MW médios) negociados na concorrência, que também contratou hidrelétricas e PCHs. Foram vendidos 647 MW (393 MWm), dos quais 347 MW a partir de bagaço de cana e 300 MW de cavaco de madeira, totalizando R$ 1,8 bilhão em investimentos. Nada mal para um setor que passou em branco no leilão A-5 de 2012.

"Está havendo uma retomada, e isso é fruto do esforço que tivemos. Não tenho dúvida de que a próxima etapa do A-5 (marcada para 13 de dezembro) continuará atrativa, porque serão mantidas as mesmas condições", anima-se o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim.

Tolmasquim garante que a fonte vai alcançar o crescimento previsto no Plano Decenal de Energia (PDE) 2021. O documento estima que sejam inseridos mais 8.800 MW médios a biomassa que poderão ser exportados para o Sistema Interligado Nacional (SIN).

Nas contas da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), contudo, esse potencial é maior. As usinas poderiam colaborar com 15 mil MW médios até 2020, em vez dos atuais 1.500 MW médios, demandando algo em torno de R$ 4 bilhões em investimentos. Para que isso ocorra, porém, só mesmo com uma política integrada de longo prazo voltada para a expansão do etanol. É a produção do biocombustível que, na prática, puxa a geração de bioeletricidade com bagaço.

"Os projetos de cogeração que negociaram energia no A-5 são decorrentes, na verdade, da decisão de ampliação da oferta de cana, planejada ainda na safra 2007-2008", explica Zilmar Souza, gerente de Bioeletricidade da UNICA.

Souza admite que a falta de competividade do carvão e o cuidado do governo em evitar a concorrência direta com a geração eólica foram decisivos para o êxito na licitação de agosto. Mas também por isso levanta dúvidas quanto aos próximos leilões. A preocupação é que, com a entrada da geração eólica, o governo não resista à tentação de deslocar a maior parte da demanda para essa fonte, mais barata.

Por isso o executivo defende um preço-teto mais alto, que reconheça externalidades positivas da bioeletricidade, como a proximidade dos centros de carga, por exemplo. Seria possível, assim, viabilizar projetos de retrofit em 250 das 415 usinas do setor. A expansão de capacidade instalada, nesse caso, ocorre independentemente do aumento da moagem de cana.

"Em 18 meses é possível fazer esse tipo de adaptação numa usina para que gere mais. Só que o investimento precisa ser remunerado integralmente pela tarifa, porque está segregado dos processos de fabricação de açúcar e etanol", justifica.

Plínio Nastari, da consultoria Datagro, também entende que é preciso remunerar melhor a bioeletricidade. Não apenas porque é uma receita importante, que contribui para o equilíbrio do negócio das usinas, mas também porque o país precisa considerar melhor o planejamento energético integrado.

"Logo mais o Paraguai vai precisar da geração de Itaipu que hoje vende ao Brasil. Precisamos pensar já em como repor de 4 mil MW a 7 mil MW de capacidade. É uma oportunidade importante para valorizar as usinas de etanol que estão próximas aos centros de carga, evitando perdas de transmissão, e que, em termos ambientais, têm vantagem sobre similares movidas a gás e a carvão", diz ele.

Quando o gás voltar a ficar disponível, no entanto, vai ser mais difícil para a biomassa continuar competindo, alerta Erik Rego, da Excelência Energética. "O que se observa no histórico dos leilões é que, quando as térmicas a gás entram, fica bem mais acirrada a disputa", aponta.

No entanto, Tolmasquim contesta a exigência de um preço-teto maior e argumenta que a venda de energia para o ambiente regulado vale como hedge, ao contrário das demais fontes de receita do setor sucroenergético, o etanol e o açúcar, cujos preços seguem as flutuações do mercado. Ou seja, ao longo de 25 anos, o fluxo de caixa está assegurado por contrato corrigido pela inflação, mesmo que a demanda por eletricidade venha a recuar.

Trecho extraído do texto "O Retorno é sustentável", publicada na revista Brasil Energia
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