As opiniões sobre a cana transgênica

Na última quinta-feira (8) a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) aprovou a cana-de-açúcar geneticamente modificada, desenvolvida pelo Centro de Tecnologia Canavieira (CTC).

O novaCana acompanhou a repercussão e traz abaixo declarações mostrando sentimentos distintos, de animação, cautela e críticas à aprovação.

Gustavo Leite, presidente do CTC:

"Vai ser uma revolução para os produtores, porque isso reduzirá as despesas do combate a essa praga [a broca da cana] e limitará o impacto do inseto sobre a produtividade da cana-de-açúcar."

"Esse inseto vai morrer assim que morder a cana."

“O Brasil tem cerca de 10 milhões de hectares de campos de cana-de-açúcar e potencial para plantar cana GM em até 15 por cento dessa área. Dadas as características da cultura, esse nível pode levar dez anos para ser atingido.”


 

José Orive, presidente da Organização Internacional do Açúcar (ISO, na sigla em inglês): 

"A experiência da Europa e dos EUA com as beterrabas transgênicas mostra que existe um potencial significativo para aumentar os rendimentos."

A cana-de-açúcar transgênica tem potencial para exercer uma "enorme influência" na oferta futura de açúcar.


 

Sergio Mattar, diretor do CTC:

"Os benefícios se refletirão num aumento significativo da produtividade, a partir do controle eficiente da praga [broca]."


 

Jacyr Costa, diretor da Tereos no Brasil*: 

"A adoção de cana transgênica é uma decisão individual de cada companhia, mas é ótimo ter essa opção."

O país irá lucrar com a maior produtividade de seus canaviais, acrescentando que a ciência é fundamental para alcançar isso.


 

Integrantes do CTC:

"Fomos promovidos. Agora estamos na agricultura moderna"


 

Fábio Venturelli, presidente da São Martinho*:

Os produtores irão considerar a eventual reação negativa de consumidores contra produtos transgênicos antes de optar pela cana transgênica.


 

Leonardo Melgarejo, presidente da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan) e ex-integrante da CTNBio:

"Nos campos de cana, a carga de toxina inseticida Cry1Ab será 20 vezes superior ao que já ocorre nas lavouras de milho transgênico. Essa carga monumental ameaça de forma inédita os lepidópteros, trazendo grande preocupação a todos quanto aos danos ambientais"


 

Rogério Magalhães, pesquisador do Ministério do Meio Ambiente (MMA) e ex-integrante da CTNBio:

"A empresa [CTC] tem a obrigação de fazer essas pesquisas e de nos responder, entre outras coisas, quais são os agentes polinizadores. É só o vento? E se for, a quantos metros da planta ele carrega o pólen? Em vez disso, limita-se a afirmar que isso não tem importância quando é extremamente preocupante para o Ministério do Meio Ambiente"

"Pesquisas realizadas em outros países apontam que essa toxina [toxina inseticida do gene Cry1Ab] provoca danos em outros insetos que estão na região de cultivo dessa cana e para outros animais que se alimentam desses insetos, além de afetar micro-organismos do solo e levar ao aumento da resistência dos insetos em outras culturas nas quais a tecnologia é empregada. São muitas as preocupações, para as quais não temos resposta."


 

Sergio Mattar, diretor do CTC: 

"Passamos sem problemas pela CTNBio e vamos para o CNBS (Conselho Nacional de Biossegurança) com confiança de que os resultados da cana geneticamente modificada são substanciais e, portanto, não esperamos impactos ou questionamentos de mérito"


 

CTNBio*:

A cana transgênica ainda precisa ser avaliada e registrada pelo Ministério da Agricultura.


 

* Para facilitar a compreensão estas declarações foram parafraseadas 

novaCana com declarações obtidas pelo CTC, Reuters, Bloomberg e Rede Brasil Atual

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