BASF
Trabalhadores

Grupo Raízen remaneja funcionários em usinas de São Paulo


Comércio do Jahu - 12 abr 2018 - 07:50

A Usina Diamante, no distrito de Potunduva, em Jaú (SP), está importando mão de obra de outras cidades da região desde o fim do ano passado. A mudança no recrutamento de trabalhadores tem eliminado vagas no campo entre os moradores de Jaú, que tinham a empresa do grupo Raízen como principal empregador.

A vinda de profissionais de outras cidades aumentou após o anúncio do fechamento da unidade da Raízen em Dois Córregos, em novembro do ano passado. Na época, a empresa alegou que a medida tinha como objetivo “otimização da logística e da produção”. Funcionários de Barra Bonita também são remanejados diariamente.

O jornal Comércio do Jahu conversou com um trabalhador rural de Potunduva, que teve o nome preservado, e que relata cortes sucessivos de pessoal de Jaú. “Ninguém explica o que está acontecendo. Eles trazem o pessoal [de outras unidades], que já está registrado, e que ocupa todas as partes da usina: indústria, lavoura, mecanização e barcos”, comenta. Diariamente, três ônibus trazem o efetivo de fora, além dos funcionários que vêm ao distrito por meios próprios.

A importação de mão de obra preocupa o Sindicato dos Empregados Rurais de Jaú, que já pediu informações ao grupo Raízen. Por causa da reforma trabalhista aprovada no ano passado, as homologações de demissões não são mais feitas com intermediação da entidade. Em razão disso, não é possível precisar a quantidade de funcionários de Jaú demitidos. O sindicato estima que sejam “dezenas”.

“Nós sentimos muito pelos trabalhadores da região, mas Jaú não pode pagar essa conta, que é muito alta”, alerta o presidente do sindicato, José Luiz Stefanin Júnior.

Após o fechamento de usinas em Dois Córregos e Araraquara, no ano passado, a Justiça foi acionada e impediu as demissões em massa. A empresa nega que o remanejamento tenha relação com estes casos.

Por meio da assessoria de imprensa, a Raízen informou que realocou, a partir do final de 2017, “boa parte dos funcionários que atuavam na unidade Dois Córregos para trabalharem em outras unidades próximas”. “Este assunto não é objeto de negociação com o MPT. As demissões que porventura ocorreram após isso se deram de forma pontual”, conclui.

Considerada uma das mais bem localizadas usinas do grupo, a unidade Diamante já empregou 6 mil pessoas em Jaú – mas os números atuais são desconhecidos. A indústria produz açúcar e álcool e, apesar da mecanização da lavoura, emprega profissionais na abertura da plantação para entrada de maquinário, no fundo do canavial e em outros setores.

João Guilherme D’Arcadia