Demissão de 600 trabalhadores da Usina Madhu (Renuka) gera reflexos em Promissão (SP)

Comércio da cidade com pouco mais de 40 mil habitantes contabiliza redução de 20% nas vendas. Prefeitura estuda formas de gerar mais emprego; já a usina não se manifestou sobre as demissões.

A demissão de cerca de 600 trabalhadores, segundo sindicato da categoria, de uma usina de Promissão (SP) está gerando reflexos na economia da cidade, com cerca de 40 mil habitantes. A prefeitura estuda uma solução com a criação de um distrito industrial. O objetivo é atrair empresas e gerar novos empregos.

A usina pertence ao grupo Renuka Brasil, que está em processo de recuperação judicial desde 2015 com muitas dívidas. A reportagem entrou em contato com a direção da usina que informou que não vai se manifestar sobre o caso.

Alexandro de Carvalho e Jonatas Camilo dos Santos foram demitidos na semana passada. Junto com eles foram mais de 200 empregados da Usina Madhu mandados embora. A cada dia novas dispensas vêm acontecendo, o sindicato da categoria fala em 400 a 600 trabalhadores na rua.

“Alegaram que era redução de quadro, mas até agora não temos uma posição completa do grupo. Só no meu setor foram umas 200 pessoas. A região nossa já não é boa de serviço então agora ficou meio um caminho estreito para gente”, afirma.

A rescisão foi parcelada em seis vezes e eles não terão acesso ao seguro desemprego, já que no início do ano a empresa aderiu a um plano federal que suspende temporariamente o contrato de trabalho. Enquanto os empregados ficam parados eles recebem pelo seguro. A intenção do programa seria preservar os empregos, o que não aconteceu.

Segundo o advogado trabalhista consultado pela reportagem, os trabalhadores realmente não terão este direito, porém é possível que a empresa pague uma multa aos trabalhadores.

“É lamentável a situação da empresa, o problema é esse monte de gente tem que ir para o mercado de trabalho procurar emprego novamente e o parcelamento dessa rescisão nossa. A gente sente muito. Lamentável uma empresa assim não deveria acontecer algo assim", afirma Alexandro.

A presidente do sindicato dos trabalhadores rurais não deu detalhes sobre as negociações, mas disse que a parcela da rescisão foi aceita pelos trabalhadores e que a questão de uma multa no lugar do seguro ainda está sendo discutida.

No Ministério do Trabalho a informação é de que nenhuma denúncia formal foi registrada. No Ministério Público do Trabalho não existe nenhuma investigação, até o momento, sobre as últimas demissões e o parcelamento das verbas rescisórias.

Reflexos na cidade

Enquanto isso, os comerciantes da cidade estão preocupados. Pequenas demissões já vinham acontecendo há algum tempo na usina e os reflexos já sentidos podem piorar. Segundo a Associação Comercial do município a queda nas vendas já chega a 20%. O que tem feito inclusive com que algumas lojas fechem as portas.

“O comércio da cidade gira em torno dos trabalhadores da usina e do frigorífico da cidade e há uns dois anos já estamos sentindo os reflexos das demissões, do corte de horas extras. Todo o comércio tem sentido e não só setor específico”, afirma Wilson Coutinho, presidente da associação.

O prefeito Artur Franco projeta uma futura queda na arrecadação. Ele diz que a administração está em um esforço para cidade criar um distrito industrial e melhorar a economia da cidade.

“Nós estamos de portas abertas, sensíveis a essa demanda e atendendo através da nossa Secretaria de Assistência Social. Estamos em tratativas com o governo do estado buscando verbas para instalação do distrito industrial II para conseguirmos fazer a infraestrutura asfalto, esgoto no local já destinado a este local”.

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