[Unica] Atualização quinzenal da safra 2018/19 - 2ª quinzena de maio

Greve dos caminhoneiros afeta a produção e comercialização de açúcar e etanol

  1. Moagem quinzenal: A greve dos caminhoneiros afetou severamente os resultados da segunda quinzena de maio da safra de cana-de-açúcar na região Centro-Sul do País. A quantidade processada da matéria-prima atingiu 32,38 milhões de toneladas, o equivalente a perda de 4,5 dias de moagem.

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  2. Produção quinzenal de etanol: A produção de etanol anidro totalizou 546,36 milhões de litros nos 15 dias finais de maio, recuo de 16,95% sobre a primeira metade do mês. No caso do etanol hidratado, a redução alcançou 15,46%, com 1,20 bilhão de litros produzidos.

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  3. Produção quinzenal de açúcar: O açúcar apresentou a maior retratação. A quantidade fabricada somou 1,34 milhão de toneladas na segunda quinzena de maio, queda de mais de 550 mil toneladas sobre a quinzena anterior (1,91 milhão de toneladas). Trata-se também do menor volume já apurado para esse período.
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  4. Efeitos da greve: Segundo Antonio de Padua Rodrigues, diretor técnico da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), “deixamos de processar cerca de 13 milhões de toneladas nessa quinzena, devido à suspensão das operações pela falta de diesel e outros insumos à produção”. No Paraná, o estado mais impactado, a perda chegou a 10 dias de moagem, acrescentou o executivo.
  5. Queda na receita: Considerando os preços vigentes na comercialização do açúcar e para o etanol, a redução da receita do setor sucroenergético devido à greve totalizou cerca de R$ 1,2 bilhão.
  6. Evolução do ATR: O recuo no processamento de cana ocorreu mesmo com o clima favorável à colheita e à qualidade da matéria-prima. A concentração de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) alcançou 133,44 kg por tonelada na última metade de maio, contra 122,75 kg verificados em igual data de 2017. No acumulado até 1º de junho, o indicador registrou alta de 4,53%, com 123,71 kg por tonelada.
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  7. Rendimento dos canaviais: Em relação à produtividade agrícola, dados apurados pelo Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) para uma amostra de 143 empresas, indica que o rendimento médio da área colhida em maio atingiu 82,77 toneladas de cana-de-açúcar por hectare, aumento de 0,9% em relação ao índice apurado no mesmo mês de 2017. No acumulado da safra, a produtividade alcançou 81,64 toneladas por hectare, crescimento de 2,01% ante o valor apurado no mesmo período do ciclo 2017/2018 (80,03 toneladas por hectare). Mas, segundo a Unica, esse resultado positivo deve ser analisado com precaução, pois não retrata a expectativa de quebra agrícola esperada para a safra 2018/2019, que pode variar de -2% a -15%, dependendo da região.
  8. Mix de produção: Na segunda quinzena de maio, 67,46% da cana-de-açúcar processada destinou-se à fabricação de etanol, frente a 52,53% em igual período de 2017. No acumulado desde o início da atual safra até 1º de junho, esse percentual atingiu 65,46%. Essas cifras ratificam o entendimento quanto a um mix de produção bastante alcooleiro para o ciclo 2018/2019.
  9. Moagem acumulada: No acumulado desde o início da safra 2018/2019 até 15 de maio, a moagem alcançou 102,52 milhões de toneladas, contra 80,52 milhões contabilizadas em igual período do ciclo anterior.

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  10. Perspectiva para a safra: Ainda de acordo com a entidade, a quantidade de cana-de-açúcar a ser processada neste ciclo sofrerá os impactos da conjunção de um canavial envelhecido com um extenso período de seca entre os meses de março a maio, prejudicando severamente as lavouras e a produtividade agrícola do restante da safra. O estado de São Paulo, que representa cerca de 60% da oferta de cana no Centro-Sul, foi a região mais afetada pelas adversidades climáticas. Ademais, mantida essa condição desfavorável para o desenvolvimento da planta a disponibilidade de cana-de-açúcar ficará comprometida no último terço da safra.
  11. Produção acumulada de açúcar: A saber, no acumulado desta safra, a quantidade fabricada de açúcar atingiu 40,71 kg por tonelada de cana, contra 50,93 kg por tonelada verificados até a mesma data de 2017. Essa redução do rendimento, por sua vez, reflete em uma quebra da produção próxima de 1,50 milhão de toneladas, a qual, mantida a atual tendência para o mix, resultará em uma queda acumulada da fabricação de açúcar superior a 5 milhões de toneladas no agregado da safra 2018/2019.
  12. Análise sobre a produção de açúcar: De acordo com a Unica, essa queda da produção é claramente demostrada nas vendas de açúcar ao mercado externo pelas unidades da região Centro-Sul e por conta de um mix mais alcooleiro, priorizando a produção de etanol.
  13. Produção acumulada de etanol: Por sua vez, o volume acumulado de etanol alcançou 6,56 bilhões de litros, sendo 1,79 bilhão de litros de anidro e 4,77 bilhões de litros de hidratado. No caso do hidratado, esse volume representa um incremento de 81,79% sobre o índice registrado no mesmo período do ciclo 2017/18.
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  14. Vendas de açúcar: As vendas de açúcar para o mercado externo pelas unidades produtoras do Centro-Sul alcançaram 703,68 mil toneladas nos últimos 15 dias de maio. A média nessa quinzena nas três últimas safras é de 1,30 milhão de toneladas. “O Centro-Sul deixou de entregar 160 mil toneladas de açúcar para comercialização no mercado doméstico e mais de 170 mil toneladas para exportação”, destacou Rodrigues.
  15. Vendas de etanol hidratado: Após sucessivos recordes, o volume de etanol hidratado comercializado no mercado interno pelas unidades do Centro-Sul caiu para 564,45 milhões de litros na metade final de maio – aquém dos 760,03 milhões de litros contabilizados na quinzena passada e dos 601,47 milhões de litros vendidos em igual data de 2017.
  16. Vendas de etanol anidro: Em relação ao etanol anidro, apenas 226,95 milhões de litros foram comercializados, menos da metade do valor registrado no mesmo período da safra 2017/2018.
  17. Importação de etanol: A Unica considera importante ressaltar o aspecto do etanol importado como agente redutor das vendas das unidades produtoras. Estas quedas foram de tal ordem que, no acumulado mensal, as vendas de etanol pelas unidades produtoras do Centro-Sul diminuíram. Somaram 1,88 bilhão de litros, contra 2,00 bilhão de litros em maio do ano passado.
  18. Impacto da greve nas vendas de etanol: “Embora em plena safra e com produção crescente de etanol, as distribuidoras não conseguiam retirar o biocombustível nas usinas e destilarias”, explicou o executivo. Nos dias de paralisação, as unidades deixaram de entregar 300 milhões de litros de etanol hidratado e 150 milhões de litros de etanol anidro, acrescentou o diretor da Unica. Contudo, a entidade ressalta que o impacto efetivo sobre a demanda de etanol devido à greve será conhecido após a divulgação das estatísticas pertinentes pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
  19. Consumo de combustíveis: A demanda de combustíveis do ciclo Otto (gasolina C + etanol hidratado), em gasolina equivalente, no período de janeiro a abril de 2018 apresentou uma sensível queda de -1,6% em comparação ao mesmo período do ano anterior. O cenário deve se acentuar nos próximos meses, também em função da queda no consumo indicada em maio decorrente da greve dos caminhoneiros. A previsão para o ciclo de abril/2018 a março/2019 indica que a demanda de ciclo Otto deverá indicar uma retração entre -2% a -2,5%.

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