O setor sucroenergético visto a partir de 12 mapas do IBGE

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Instituto traça principais aspectos territoriais do plantio de cana-de-açúcar, das usinas sucroenergéticas e da comercialização dos produtos derivados da matéria-prima. Mapas foram editados e animados pelo novaCana.com.

novaCana.com24/07/2018

Com o título de “A Geografia da Cana-de-açúcar: dinâmica territorial da produção agropecuária”, a mais recente publicação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) trata exclusivamente sobre o setor de açúcar e etanol. Lançado ao final de 2017, o material é o segundo volume do projeto Dinâmica Territorial da Produção Agropecuária.

Dividido em seis capítulos, o trabalho conta com dados de Produção Agrícola Municipal (PAM), Estatísticas do Cadastro Central de Empresas (Cempre) e com pesquisas do próprio IBGE e de órgãos como Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços.

Os aspectos abordados na publicação envolvem a análise dos aspectos básicos da geografia canavieira, tratando da sazonalidade produtiva, da infraestrutura e de insumos. Dessa forma, a expansão da cana em biomas brasileiros também é um dos principais temas, com foco no avanço visto no Cerrado.

No processo de elaboração do livro, a equipe visitou quatro regiões canavieiras: duas no Sudeste, uma no Centro-Oeste e uma no Nordeste. O objetivo era resgatar parte da diversidade geográfica e histórica do setor.

Segundo dados divulgados pelo PAM e pela publicação, em 2015, havia plantações de cana em 3.276 municípios brasileiros, ou seja, 59% dos 5.570 existentes.

Contudo, muitos dados datam de 2005, o que limita alguns aspectos da pesquisa. O esforço da publicação foi concentrado mais em compilar dados e traçar alguns fluxos e dinâmicas territoriais do que em trazer grandes novidades sobre o setor. Por outro lado, isso não inibe a importância do trabalho para o setor de cana-de-açúcar do Brasil.

A seguir, o novaCana selecionou 12 mapas atualizados que retratam o setor sucroenergético. Eles foram editados e animados com exclusividade a partir da publicação do IBGE.

1. Área plantada de cana-de-açúcar

De acordo com os números divulgados, houve uma redução do plantio de cana em áreas tradicionais da costa nordestina e norte fluminense em detrimento da expansão no Cerrado, por conta da modernização consolidada em Ribeirão Preto (SP).

A constatação se deu a partir da análise dos aspectos sociais e econômicos do cultivo, considerando o período entre 1975 e 2015. Apesar do dado mais recente ser de três anos atrás, é possível observar a evolução histórica da expansão de cana sobre os biomas.

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Mapas 9 e 10 - Área plantada com cana-de-açúcar (hectares) nos biomas brasileiros

2. Concentração da área plantada

A mudança mais evidente, entre 2006 e 2015, foi a expansão da cana a partir do núcleo paulista em direção ao norte-noroeste e oeste-sudoeste, incorporando o Triângulo Mineiro, o sul goiano e o centro-sul do Mato Grosso do Sul.

Nesse período, a área plantada em Mata Atlântica ampliou em 41,6% (de 3,6 milhões para 5,1 milhões de hectares. Já no Cerrado o aumento foi de 80,7% (de 2,6 milhões para 4,7 milhões de hectares), no mesmo período. Com isso, o peso relativo da cana em cada bioma também foi alterado: 50,5% estava plantada na Mata Atlântica e 46,6% no Cerrado.

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3. Origem da cana utilizada pelas usinas

A maior capacidade de moagem das usinas fez com que elas consumissem mais matéria-prima, influenciando na produção agrícola ao seu redor. De acordo com os dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), considerando a grande maioria dos estados produtores, mais de 60% da cana na safra 2014/15 era produzida em áreas próprias das usinas.

Em estados mais tradicionais na produção de cana – como São Paulo, Pernambuco e Alagoas –, que estão ligados a um maior número de usinas, a participação da cana vinda de fornecedores era maior.

“Em São Paulo tem surgido, ao longo das últimas quatro décadas, a figura do chamado ‘parceirão’”, aponta o estudo, observando a presença de arrendamentos disfarçados em contratos de parceria, a fim de obter vantagens tributárias e menor pagamento pelo uso da terra.

Já na região Nordeste, a rede de fornecedores também integrava pequenos produtores, conforme constatado pela pesquisa de campo feita no Alagoas.

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4. Mecanização x colheita manual

Nesse movimento de crescimento vertiginoso da produção de cana nacional, está a mecanização da colheita. Nesse caso, a expansão ocorreu, em grande parte, em um movimento dos fornecedores para atender às metas do Protocolo Agroambiental.

O documento foi assinado em 2007 pelo governador de São Paulo, pelos Secretários de Estado do Meio Ambiente e de Agricultura e Abastecimento e pelos presidentes da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) e da Organização de Plantadores de Cana da Região Centro-Sul do Brasil (Orplana).

Segundo dados do Sistema Ambiental Paulista, o número de colhedoras próprias das usinas chegou a 3.080 na safra 2016/17. O valor é 309% maior em relação às 753 unidades presentes na safra 2006/07, dez anos antes. Além disso, quando são somadas as 667 colhedoras terceirizadas que entraram na safra 2016/17, o número total chega a 3.747.

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5. Produção de açúcar

Dos derivados da cana, o açúcar é o principal produto das usinas, atendendo mercados interno e externo. Em 2015, de acordo com o estudo, a produção do derivado foi de 37 milhões de toneladas, sendo que 53% eram VHP.

No mesmo ano, de acordo com dados da Pesquisa Industrial Anual (PIA), do próprio IBGE, São Paulo produziu mais de 62% do açúcar brasileiro. O estado foi seguido por Minas Gerais, que tem produção seis vezes menor.

Dessa forma, a região Sudeste concentra a maior produção de açúcar do Brasil produzindo, em média, duas vezes mais que a região Nordeste. Tanto açúcar cristal quanto o VHP são representativos na região.

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6. Produção de etanol

Conforme o documento, em 2015, a produção de etanol se concentrava em São Paulo e Goiás. Nos outros estados produtores, a representatividade era menor se comparada com o mercado de açúcar, principalmente quando o olhar recai sobre a região Nordeste.

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7. Usinas de açúcar, destilarias e unidades mistas

Além disso, grande parte das usinas brasileiras são mistas. Devido à evolução histórica do setor, a região Nordeste possui, proporcionalmente, um número maior de usinas produtoras exclusivamente de açúcar, com exceção dos estados da Bahia e Maranhão, em que a maioria produz exclusivamente etanol.

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8. Cogeração de energia

Como quase todas as usinas brasileiras têm autossuficiência na produção de energia, o IBGE aponta que há bagaço excedente, criando um potencial para o setor. Assim, o estudo também analisa o uso dessa matéria-prima para a cogeração energética e para o desenvolvimento de produtos como o etanol de segunda geração (E2G) e o “plástico verde”.

Especificamente em relação à cogeração, o IBGE compilou a localização das usinas termelétricas a partir de dados da PAM de 2015 e da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) de 2017, incluindo usinas do setor sucroenergético e outras centrais termelétricas que usam essa biomassa na geração de energia.

A distribuição dessas unidades no mapa nacional coincide com os municípios com áreas agricultáveis mais amplas destinadas à cana. Assim, as maiores concentrações estão em São Paulo, Mato Grosso do Sul e Goiás – justamente onde há mais usinas sucroenergéticas.

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9. Logística

A publicação também apresentou como os produtos circulam no país, desde a infraestrutura logística até o consumo nacional, passando pelas exportações.

Com isso, foi possível observar como o crescimento do setor se refletiu em desafios nos processos logísticos para colocar o etanol e o açúcar ao alcance das mãos do público, por conta da amplitude territorial.

Por meio do mapeamento de rodovias, ferrovias e dutovias, portos, terminais de distribuição de etanol e usinas, o IBGE apontou a diferença entre a área canavieira nordestina e a do Centro-Sul. Enquanto a primeira tem atividades concentradas no litoral, a área produtiva no Centro-Sul possui uma malha ferroviária mais articulada, além de um maior número de rodovias pavimentadas.

Além disso, o Centro-Sul também se integra com os consumidores por mecanismos logísticos mais complexos.

No transporte de etanol, o município de Paulínia, em São Paulo, é o principal local de depósito. Os fluxos do renovável acompanham a mesma cadeia dos derivados de petróleo, inclusive para revenda e consumo. Já o açúcar dispõe de lógica diferente: possui armazenagem nas usinas em depósitos localizados na extensão das rodovias e ferrovias, bem como nos portos. Os dados são da PAM, de 2015, e do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, de 2017.

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10. Exportação de açúcar

Quando o assunto é exportação de açúcar, o Porto de Santos é a rota de saída da maior parte do derivado de cana, tendo Índia e China como principais destinos.

Em 2016, os indianos receberam 2,3 milhões de toneladas do adoçante brasileiro e os chineses, 2,1 milhões de toneladas.

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11. Exportação de etanol

Já em relação ao etanol, o Porto de Santos exerce maior influência do que sobre o açúcar: em 2016, as saídas por ele foram quase equivalentes à exportação do país inteiro, despachando 566 mil toneladas para os Estados Unidos e 510 mil toneladas para a Coreia do Sul.

As informações são de 2017, do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços.

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12. Estudos na área sucroenergética

Outro esforço de mapeamento do órgão foi quanto à distribuição dos grupos de pesquisa cadastrados no Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), constatando a expansão de estudos sobre o tema, com dados até 2017.

Os principais polos de pesquisa são no interior do Estado de São Paulo, norte fluminense, norte de Minas Gerais, Triângulo Mineiro e Pernambuco.

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Publicação completa

Gabrielle Rumor Koster – novaCana.com
Edição e animação dos mapas por Bianca Rati

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