Falta de chuvas, excesso de açúcar a nível global e diferentes cenários de preços. A expectativa para a safra 2018/19 é de muito etanol, mesmo com menor moagem

novaCana.com 15 ago 2018 - 10:08

O cenário é de falta de chuvas e canaviais envelhecidos. O momento é de cautela e a expectativa para o resultado da safra 2018/19 de cana-de-açúcar vem se concretizando nos últimos meses. Mesmo com uma moagem expressiva nos primeiros meses da temporada, a previsão geral é de safra mais curta com uma moagem menor, ainda que com um mar de etanol.

A produção do biocombustível, principalmente de hidratado, está cada vez maior, e a qualidade da cana – especialmente a que tem sido colhida até então – está boa, aumentando a quantidade de açúcar total recuperável. Segundo a União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), no acumulado até 1º de agosto, o setor atingiu uma média de 134,67 kg de ATR por tonelada de cana, ampliação de 5,24% em relação à safra 2017/18.

Ciente desse quadro, a Agroconsult foi uma das consultorias que diminuíram suas estimativas para a moagem da safra atual nos mais recentes levantamentos realizados pelo novaCana. Ainda assim, a companhia divulgou um número médio dentre as empresas: 570 milhões de toneladas.

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Fabio Meneghin, sócio-analista da Agroconsult, afirma que a consultoria pretende manter a estimativa neste número, ao menos por enquanto. “Nós sabemos que há perdas [por causa da chuva], mas algumas previsões parecem um pouco drásticas”, explica.

Anteriormente, Meneghin estava mais otimista em relação ao resultado: “Nossa observação por satélite demonstra 4% a mais de vegetação em São Paulo em comparação ao mesmo período do ano passado e dos últimos cinco anos”.

Para expandir sua visão sobre o assunto, Fabio Meneghin vai participar do NovaCana Ethanol Conference 2018, que acontece nos dias 3 e 4 de setembro, em São Paulo (SP).

Com a palestra “Uma análise da safra de cana no Brasil”, Meneghin se une ao diretor executivo da Bioagência, Tarcilo Rodrigues, e ao analista sênior de inteligência de mercado da FCStone, João Paulo Botelho, no painel “Avaliações e perspectivas de safra”. Em seguida, os três participam de um debate moderado pelo economista Haroldo Torres, do Pecege.

O engenheiro agrônomo Fabio Meneghin é sócio-analista da Agroconsult, consultoria com mais de 15 anos de atuação no setor de agronegócio. Desde 2003, Meneghin trabalha antecipando as tendências para o setor sucroenergético e suas leituras de mercado já foram expostas em palestras conjunturais no Brasil e no mundo.

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Mais etanol, menos açúcar

Uma das principais diferenças entre os levantamentos realizados pelo novaCana em maio e julho é a média das previsões para a produção de açúcar, que caiu 3,45% – de 31,02 para 29,95 milhões de toneladas. O número é uma consequência da queda de 4,18% no mix de açúcar, de 41,47% para 39,74%.

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A Agroconsult divulgou uma das maiores projeções de mix para o açúcar na temporada 2018/19, com 41,9%. Ainda assim, a consultoria diminuiu sua estimativa em 1,9 pontos percentuais entre as duas últimas pesquisas, seguindo a tendência geral.

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Entre os fundamentos para essas mudanças estão o excedente de açúcar esperado a nível global e a queda no preço da commodity. Cada vez mais, as previsões indicam uma redução na produção nacional da commodity, o que se reflete no aumento da produção de etanol hidratado. O mix de produção das usinas, assim, está muito mais alcooleiro.

Fabio Meneghin explica que, geralmente, é o mercado que determina o mix das usinas: “A sobra de açúcar da safra passada, naturalmente, leva a um mix mais alcooleiro”. E o preço do açúcar nas últimas semanas deixou as usinas sem muita opção, a não ser reduzir o mix açucareiro. Além disso, ele espera que a safra se mantenha favorável ao biocombustível mesmo em um segundo momento, pois os preços do etanol estão compensando para as empresas.

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Já em relação ao adoçante, a Agroconsult tinha, em maio, a segunda maior previsão de produção para a safra 2018/19, com 32 milhões de toneladas. Agora, ela sugere que a quantidade será ainda menor que a média do levantamento (29,95 milhões), com 29,4 milhões de toneladas, uma queda de 8,12%.

A programação completa do NovaCana Ethanol Conference 2018 está disponível aqui e o cadastro para participar do evento pode ser feito aqui.

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