Clima ajuda e safra de cana 2017/18 no centro-sul deve ser maior, diz Canaplan

Condições climáticas favoráveis ao longo dos últimos meses contribuíram para o desenvolvimento dos canaviais e as usinas do centro-sul do Brasil deverão processar 588 milhões de toneladas da matéria-prima na safra 2017/18, estimou nesta terça-feira a consultoria Canaplan, que em abril previa 575 milhões de toneladas.

O volume, caso venha a se confirmar, ainda seria 3,13 por cento menor frente às 607 milhões de toneladas observadas na temporada 2016/17 na principal região produtora do país.

O intervalo de estimativas vai de 585 milhões a 590 milhões de toneladas.

Segundo o diretor da Canaplan, Luiz Carlos Corrêa Carvalho, “chuvas em abril e em agosto” impulsionaram a produtividade dos canaviais, para cerca de 75 toneladas por hectare, contra 74 toneladas consideradas no início da safra.

Pelos cálculos da consultoria, que realiza nesta terça-feira sua segunda reunião anual em Ribeirão Preto (SP), as precipitações no acumulado da safra, iniciada em abril, foram 60 milímetros maiores na comparação com as de 2016.

Tendo por base um mix de produção de 52 por cento da oferta de cana para produção de açúcar e 48 por cento para etanol, ante 46,8 e 53,2 por cento, respectivamente, em abril, a Canaplan estima agora fabricação de 36 milhões de toneladas de açúcar e 24,2 bilhões de litros de etanol no ciclo 2017/18.

Na projeção de abril, a consultoria falava em 34 milhões de toneladas de açúcar e 23,8 bilhões de litros de etanol.

Por fim, o rendimento industrial, medido pelo nível de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR), deve alcançar 134,5 kg por tonelada de cana processada, frente a 133 kg na previsão de abril.

Usinas

A perspectiva de que o clima tem sido favorável é compartilhada pelas usinas. Conforme a Agência Estado, o diretor agroindustrial da Usina São Martinho, Mário Ortiz Gandini, e o diretor agrícola da Tereos Açúcar e Energia Brasil, Jaime Stupiello, afirmaram que as condições do tempo farão com que a safra nas duas companhias seja melhor que a esperada inicialmente.

“A operação agrícola foi boa e a safra deverá ser um pouco melhor do que o esperado”, disse Gandini. “Será a melhor safra da companhia”, completou Stupiello.

Entretanto, para Fernando Benevenuti, gerente corporativo de engenharia agrícola da Raízen, “a palavra para explicar a produtividade este ano é variabilidade”. Segundo ele, em algumas regiões a produtividade menor foi compensada pelo desempenho em usinas de São Paulo e Goiás, cuja chuva foi seguida de uma seca, o que melhorou a qualidade da matéria-prima.

“No balanço total ainda devemos manter a produtividade em relação à média com o ATR (Açúcar Total Recuperável) maior do que havíamos planejado”, disse à Agência Estado.

Próxima safra

A Canaplan também trouxe perspectivas para a safra 2018/19 no centro-sul do Brasil, cuja colheita começará oficialmente em abril do ano que vem.

“Tudo indica que será pior. A seca de setembro e outubro vai pesar no ano que vem, com área menor. O clima de agora joga contra, prejudicando o plantio e o desenvolvimento das socas”, explicou Corrêa Carvalho.

Segundo a consultoria, a área colhida no próximo ciclo deverá diminuir em 1,1 por cento, enquanto a idade média dos canaviais tende a saltar 5,7 por cento, para 3,89 anos, refletindo a renovação de plantações aquém do ideal neste ano.

Houve renovação nos canaviais em 13,5 por cento da área, frente a um nível visto como ideal de entre 18 e 20 por cento.

Em 2017/18, o centro-sul deve colher 7,77 milhões de hectares de cana, segundo a Canaplan.

A consultoria não divulgou projeções quanto à moagem de cana e à produção de açúcar e etanol no que vem.

José Roberto Gomes
Com informações adicionais da Agência Estado e edição novaCana.com

Etanol e Cana direto em seu email

Antes de sair, cadastre-se para receber as principais notícias do setor
Obrigado, não quero ficar informado.
Esqueci minha senha close modal