OIA: preços do açúcar devem subir em 2016/17 com 2 anos seguidos de déficit

Publicada em 06/01/2017

A Organização Internacional do Açúcar (OIA) salientou nesta sexta-feira, 6, que as expectativas de déficit da oferta mundial da commodity pelo segundo ano consecutivo sinalizam recuperação de preços na safra global 2016/17, iniciada em outubro. No relatório divulgado nesta data na capital britânica, a instituição destacou que os preços terminaram o ano passado com quase um terço de ganho na comparação com um ano antes.

"Em termos de média anual, o preço diário da OIA terminou 2016 significativamente maior do que em 2015, passando de 14,90 centavos de dólar por libra-peso para 19,20 centavos de dólar por libra-peso, um aumento de 29%", comparou o relatório. "Os preços do açúcar branco (refinado) também ficaram mais altos no período, passando de US$ 373,25 por tonelada em 2015 para US$ 498,13 por tonelada, um aumento de 33%."

A OIA não atualizou sua projeção de déficit para o ciclo 2016/17, mas citou previsões feitas por outras instituições. No caso da F.O. Licht, a estimativa foi reduzida de 8,1 milhões de toneladas esperada em novembro para 5,9 milhões de toneladas no mês passado.

O déficit menor é atribuído, em parte, a uma revisão para cima da produção de açúcar no Centro-Sul do Brasil para os ciclos 2016/17 e 2017/18. O Escritório Australiano de Agricultura, Recursos Econômicos e Ciências (Abares) divulgou uma nova projeção para a produção mundial em 2016/17, de 176,9 milhões de toneladas ante 183,9 milhões de toneladas de consumo.

O relatório da OIA menciona também a francesa Sucden, comerciante de commodities com sede em Paris, que considera que o aumento da produção global é prejudicado por perdas na Índia e pela safra brasileira no Centro-Sul do País em 2017/18, que deverá ficar apenas um pouco acima do crescimento do consumo.

A previsão, neste caso, é de um déficit de quase 5 milhões de toneladas. "O ciclo 2017/18 é ainda altamente incerto. Salvo quaisquer interrupções climáticas, as projeções apontam para ganhos fortes e generalizados, com a notável exceção do Centro Sul do Brasil. Se isso for confirmado, a produção global poderia registrar a passagem para um pequeno saldo excedente."

Já o banco Société Générale espera que, com condições climáticas adversas, o mercado de açúcar apresente um excedente de 3,5 milhões de toneladas em 2017/18, depois de registrar um déficit de 2,6 milhões de toneladas em 2016/17. No caso do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a projeção é de produção global em 2016/17 de 170,9 milhões de toneladas, enquanto o consumo deve ser de 173,6 milhões de toneladas.

A OIA menciona ainda a consultoria brasileira Datagro, que revisou, em dezembro, sua previsão de 2016/17 para um déficit mundial de 4,36 milhões de toneladas - a estimativa no início daquele mês era de 5,16 milhões de toneladas e, em novembro, de 6,48 milhões de toneladas. A maior produção no Centro-Sul do Brasil também foi apontada como o principal gatilho para a mudança.

Hedge funds

A OIA destacou no relatório mensal que, ao contrário do que costuma ocorrer nos finais de ano, quando é vista uma "letargia" dos mercados por causa do Natal, ano-novo e férias, os preços da commodity (tanto o açúcar bruto quanto o refinado) apresentaram "considerável volatilidade" no mês passado. A instituição lembrou que, na primeira metade do mês, os preços caíram para a mínima cotação em seis meses, mas se recuperaram acentuadamente na última semana do ano.

Pelo documento da OIA, os preços do açúcar bruto (preço diário da OIA) iniciaram o mês em 18,87 centavos de dólar por libra-peso e depois caíram para 17,80 centavos/lb, chegando ao fim do mês em 19,20 centavos/lb. Como resultado, a média mensal ficou em 18,49 centavos/lb. Os preços do açúcar refinado seguiram um caminho semelhante: começaram o mês a US$ 512,70 por tonelada, atingiram a mínima de US$ 484,55 por tonelada e fecharam 2016 em US$ 511,10 por tonelada. Em termos de média, o índice caiu para US$ 502,67 por tonelada contra 549,10 por tonelada de novembro.

O pico dos preços nesse mercado foi visto em setembro, mas em outubro e novembro foram registradas quedas. "Uma forte melhora dos preços no final de 2016 pode ser atribuída a novas expectativas para as importações da Índia, enquanto a temporada de esmagamento no Brasil continua baixa", considerou a OIA.

Além da volatilidade, o relatório da instituição destacou que, durante a maior parte de dezembro, o mercado foi significativamente influenciado pela contínua liquidação de posições de longo prazo de hedge funds. Na semana encerrada em 27 de dezembro, o volume era de 112.783 contratos ante 154.268 lotes do final de novembro.

Célia Froufe

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