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Açúcar: Mercado

Exportações da Índia, produção da China e clima favorável no Brasil derrubam preço do açúcar em Nova York


Notícias Agrícolas - 12 abr 2018 - 07:26

Além do ganho na safra brasileira do Centro-Sul em 2017/18, que derrubou o açúcar na Bolsa de Nova York (ICE Futures), o mercado nesta quarta (11) precificou mais fundamentos. E todos os contratos de 2018 recuaram um pouco mais, de 7 a 8 pontos.

Vale dizer que a entrega de maio, que fechou em 12,06 centavos de dólar por libra-peso, não é mais considerado o contrato driver – e sim os dois próximos. Nesse caso, também houve rolagem de posições do contrato maio.

A tendência longa continua, com a perspectiva de que os contratos fiquem ainda mais próximos da fronteira dos cUS$ 11/lb, especialmente o julho. Na sessão de hoje, julho saiu fixado em cUS$ 12,12/lb e o outubro a cUS$ 12,40/lb.

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O preço do açúcar sentiu o peso da notícia da Índia sobre exportações compulsórias de 2 milhões de toneladas. Ela veio na esteira da decisão de dois dias antes, quando o governo do país anunciou o pagamento de um bônus por tonelada de cana entregue às usinas. Enquanto fortalece sua produção no campo, essencial para o equilíbrio social e político, a Índia se vê forçada a enxugar o excedente, da ordem de 4 milhões de toneladas, via mercado externo.

O segundo fundamento, de acordo com analista da safras e mercado do Notícias Agrícolas, Maurício Muruci, foi o informe da China mostrando uma evolução de 42% na produção de açúcar em março. O país, assim, acumula alta de 10% no ano, indo para 8 milhões de toneladas. Isso limita o apetite importador, que, para o Brasil, já estava restrito – e muito – pela sobretaxa imposta em 2017 contra o açúcar importado.

Além disso, o mercado climático também entrou no jogo, lembrou Murici. Os agentes de mercado estão acompanhando o tempo bom que segue há três semanas no Brasil – e sem risco de chuvas por mais de uma semana. Portanto, o clima não deve atrapalhar a colheita de cana-de-açúcar e a moagem na recém iniciada safra 2018/19.

Por fim, os dados de encerramento de safra da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica) já haviam fortalecido a queda de Nova York na véspera. O relatório mostrou o aumento de 1,2% na produção de açúcar na safra 2017/18 – chegando a 36 milhões de toneladas –, o que superou as estimativas anteriores da própria entidade. Com isso, o mercado perdeu ainda mais seu apetite devido à oferta inchada.

Giovanni Lorenzon
Com edição novaCana.com