Tipos de etanol combustível

O etanol pode ser usado como combustível de veículos em três maneiras: etanol comum, etanol aditivado e etanol misturado à gasolina. O etanol comum é o álcool hidratado, mistura de álcool e água que precisa ter de 95,1% a 96% de graduação alcoólica. O etanol aditivado é o álcool hidratado com aditivos que proporcionam melhor rendimento e um desgaste menor do motor (porém a controvérsia sobre o etanol aditivado, veja mais abaixo). Já o etanol misturado à gasolina é álcool anidro, álcool com graduação alcoólica de no mínimo 99,6%, praticamente álcool puro. Atualmente, a proporção de álcool anidro misturada à gasolina brasileira está estipulada em 20%.

Em alguns casos, ocorre também a adulteração do álcool comum com substâncias que tornam o produto mais barato, o que é chamado de etanol adulterado. Vender etanol adulterado é ilegal, e o uso dele no veículo pode causar diversos malefícios ao motor e ao meio ambiente.

Os três tipos de etanol são a mesma substância (C2H6O), mudando apenas a graduação álcoolica, no caso do etanol anidro e hidratado, o uso de aditivos, diferença entre etanol hidratado comum e aditivado, ou a adição de substâncias ilegais, etanol adulterado.

Etanol hidratado (etanol comum)

Nos postos de combustível, o álcool hidratado é aquele vendido como etanol comum, ou apenas etanol. Esse é o mesmo tipo de álcool utilizado na produção de bebidas, alimentos, cosméticos, aromatizantes, produtos de limpeza, remédios, vacinas, entre outros produtos, mudando nesses casos o processo de pós-fabricação. No Brasil, ele é feito principalmente através da fermentação da cana-de-açúcar (processo em que as moléculas de açúcar da cana são transformadas, com a ação de fermento de leveduras, em álcool e gás carbônico), mas pode ser obtido também através de outros vegetais, como milho e beterraba, ou em processos químicos controlados em laboratório.

Para ser vendido, o álcool precisa cumprir uma série de pré-requisitos, chamados de especificações, estabelecidos pela Agência Nacional de Petróleo (ANP). Entre as especificações, consta que ele precisa ser límpido, transparente, isento de impurezas, com graduação alcóolica entre 95,1% e 96%, PH neutro, e com uma tolerância extremamente pequena de minerais e metais como ferro, sódio e cobre. Agentes comerciais que descumpram esses quesitos podem sofrer sanções administrativas ou pecuniárias (multa).

Até hoje, o Brasil é o único país que utiliza o etanol hidratado puro como combustível, o E100 (100% etanol, embora também haja água na mistura). O primeiro carro movido 100% a álcool foi lançado no país em julho de 1979: o Fiat 147. A maior mistura vista no exterior ocorre na Suécia, que utiliza em alguns ônibus o E95, com 5% de aditivos para melhorar ignição. Em carros de passeio, os Estados Unidos e alguns países da Europa usam o E85 em motores flex. Uma das dificuldades em consolidar o etanol hidratado no mercado internacional é o frio, pois o etanol perde sua capacidade de gerar combustível em temperaturas abaixo dos 13 °C.

Por ser produzido nacionalmente e ter baixo custo, o preço do etanol é sempre menor que o da gasolina. Nos períodos de entressafra da cana-de-açúcar, intervalo em que o produto não é colhido, o que acontece no verão e meses próximos, o etanol fica mais caro, pois a oferta do produto é menor. O álcool é mais viável economicamente quando seu preço é 30% mais barato em relação à gasolina.

Etanol anidro (etanol na gasolina)

Além do álcool comum, o etanol também está presente como combustível em sua mistura com a gasolina. O etanol misturado é o etanol anidro, etanol com graduação alcoólica próxima a 100%. Seu processo de fabricação é o mesmo do álcool hidratado, com a diferença que após a fermentação ocorre sua desidratação (retirada da água utilizando o método da destilação). Além do uso combustível, o etanol anidro também tem grande utilidade industrial, estando presente em solventes, tintas e aerossóis.

A legislação sobre a especificação do produto é a mesma do álcool hidratado: Regulamento Técnico ANP nº3/2011, anexo da Resolução ANP Nº7 de 9 de fevereiro de 2011. Uma grande diferença entre os dois é na coloração. Para ser diferenciado facilmente, é obrigatória a adição de um corante laranja no álcool anidro. Em relação à sua graduação alcoólica, o álcool anidro precise ter no mínimo 99,6% de álcool puro.

A presença do álcool anidro na gasolina aumenta o número da octanagem do combustível (resistência a detonações não controladas), aumentando o tempo de vida útil do motor. Outras vantagens é a diminuição da emissão dos gases de efeito estufa, pois o etanol é combustível renovável, e a diminuição dos custos, sendo que o país tem uma alta capacidade de produção de etanol e precisa importar gasolina para atender todo o mercado interno. Até 25%, o etanol pode ser misturado à gasolina sem a necessidade de nenhum ajuste no motor.

Desde 1º de outubro de 2011, vigora no país a adição obrigatória de 20% de álcool anidro à gasolina, conforme portaria MAPA Nº 678/2011. Há grande possibilidade de essa mistura, até metade de 2013, subir para 25%.

Além do Brasil, diversos países, como México, Índia, Argentina, Colômbia, Japão, alguns países da União Europeia e alguns Estados dos EUA, utilizam a mistura de álcool anidro à gasolina, de forma opcional ou obrigatória. Essas misturam geralmente são de 5% ou 10%, sendo o Brasil o país que utiliza a maior proporção.

O preço do álcool anidro segue princípios semelhantes ao do álcool hidratado. Por isso que, em períodos de entressafra, o preço da gasolina também pode aumentar.

Histórico da proporção da mistura de etanol na gasolina

Desde 1931, com o Decreto nº 19.717, o Brasil utiliza na gasolina a mistura de álcool anidro. A proporção dessa mistura sofreu mais de 50 variações ao longo dos anos, começando com um mínimo de até 5% e atingindo o máximo de 25% em alguns períodos da década de 2000.

Quando a mistura começou a ser utilizada, era válida apenas para gasolina importada, que precisava conter álcool produzido nacionalmente. A mistura obrigatória para a gasolina de qualquer procedência começou em 1938, a partir do Decreto nº 19.717, com porcentagens definidas em conjunto pelo Conselho Nacional do Petróleo (CNP) e Instituto do Açúcar e do álcool (IAA), que regulamentava a medida por estados e regiões brasileiras ou em âmbito nacional. Com a extinção das entidades, no início da década de 90, o poder executivo passou a regulamentar a questão diretamente, através de decretos e medidas provisórias, até a mistura passar a ser definida desde 2001 pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, conforme Decreto nº 3.966 de 10/10/01. Com essa entidade, foram lançadas até o momento nove portarias, com a última datando de 31/08/11 e estabelecendo a mistura de 20% a partir 01/10/11, que vigora atualmente. O governo já sinalizou que a mistura deve aumentar para 25% até o fim do primeiro semestre de 2013.

Etanol aditivado

Uma outra opção de combustível oferecida ao consumidor no início desta década foi o álcool hidratado aditivado. O produto segue o mesmo princípio da gasolina aditivada: é o combustível comum com adição de substâncias que melhoram sua qualidade.

No caso do álcool, uma das grandes vantagens do combustível aditivado é a melhora de sua lubrificação. A taxa de água presente no álcool hidratado faz com que sua capacidade lubrificante seja menor que a do álcool anidro, o que pode reduzir o tempo de vida útil do motor. Com a adição de lubrificantes, essa deficiência é minimizada. Uma outra vantagem do etanol aditivado é relação ao rendimento, que melhora cerca de 3% em relação ao álcool comum.

O único tipo de etanol aditivado comercializado no Brasil até hoje é o Shell V-Power, desenvolvido pela multinacional. Com um preço em média 7% mais caro que o álcool comum, o etanol aditivado pode ser mais viável economicamente por consumir menos combustível na mesma distância rodada. Isso vai depender muito de cada veículo e da variação do preço entre os etanóis, sendo recomendável que se teste e calcule o rendimento dos dois para saber qual deles fica mais em conta.

Combustíveis aditivados precisam utilizar os aditivos permitidos pela regulamentação da ANP, sendo necessário também um relatório com as melhoras que justificam seu selo de aditivado. O combustível também é submetido às especificações da Agência, devendo seguir os mesmos critérios dos combustíveis comuns.

Vale a pena abastecer com o biocombustível aditivado?

E a resposta é não. Segundo o engenheiro Boris Feldman, não faz sentido aditivar o etanol, pois ele praticamente não forma resíduos carboníferos na câmara de combustão. A explicação é simples: "o que forma o depósito no motor é o carbono presente no combustível. Entretanto o teor de carbono na gasolina é três vezes maior que no etanol. Por isso, nenhuma outra empresa distribuidora de combustível considerou necessário aditivar o álcool. Nem as engenharias das fábricas. Só a Shell lançou o Etanol V-Power e dourou a pílula afirmando que, além dos aditivos normais, ela acrescentou um outro, antifricção, que reduz o atrito entre pistão e cilindro, aumentando o rendimento do motor. Teoricamente, ela está certa. Mas, na prática, os resultados são praticamente imperceptíveis."

Etanol adulterado (ilegal)

A adição intencional de substâncias proibidas ou em quantidades ilícitas ao etanol caracteriza o chamado etanol adulterado. Essa prática ocorre para tornar o combustível mais barato, dando mais lucro aos comerciantes.

Uma das formas mais comuns de adulteração é misturar álcool anidro com água e vender como etanol hidratado. Essa adulteração é chamada de álcool molhado, e é vantajosa ao comerciante por ele pagar menos impostos na compra do produto. Uma das formas do cliente perceber a adulteração é através da coloração do etanol comum, que precisa ser transparente. Coloração laranja constitui um forte indício de que o combustível está adulterado.

Entre os princípios prejuízos que isso causa ao automóvel, estão os resíduos em bicos injetores e válvulas, nas velas de ignição e na câmara de combustão, a perda de potência, o aumento de consumo e a batida de pinos. Essa prática também pode causar um enorme malefício ao meio ambiente. Combustíveis adulterados podem ter, entre outras substâncias, altas doses de metanol, solvente industrial altamente tóxico, cujo limite no etanol poder ser de no máximo 1%.

O órgão responsável pela fiscalização e aplicação de penalidade quanto à adulteração dos combustíveis é a ANP, que pode aplicar multa aos agentes econômicos responsáveis pela adulteração. Uma outra penalidade possível é a obrigação do reprocessamento do combustível, que deverá ser refeito até atender as normas de qualidade. Combustíveis fora das especiações não são necessariamente combustíveis adulterados, sendo essa classificação aplicada somente quando à intencionalidade de adulteração.

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