Projeção da demanda de gasolina e mercado potencial do etanol

A partir das perspectivas do etanol no mercado de combustíveis, é importante avaliar a projeção da demanda de combustíveis para os próximos anos e conhecer o tamanho do mercado potencial do etanol nesse cenário.

Projeção de crescimento da demanda de gasolina para 2025

O consumo mundial de gasolina foi de 1,22 trilhão de litros em 2006, que foram consumidos quase que exclusivamente como combustível de veículos leves. As tendências de mercado serão regidas por duas tensões opostas. De um lado, as expectativas de escassez do petróleo vêm promovendo o desenvolvimento de tecnologias poupadoras de combustível. Por outro lado, a evolução econômica acelerada de países em desenvolvimento com grandes índices populacionais como a China, a Índia e, em certa medida, o Brasil, e outros ditos emergentes vem tentando responder a uma demanda reprimida por veículos leves de uma população crescente.

Previsões de crescimento se tornam mais complexas quando se levam em conta traços socioculturais específicos. Um caso extremo é o dos EUA, onde o carro, muito mais que um meio de transporte, é um símbolo de status, um dispositivo de afirmação pessoal. Neste país, após 6 anos de disponibilidade (a partir de 1999), o modelo híbrido gasolina-eletricidade, que assegura um aumento de eficiência de 30% a 40% no dispêndio de gasolina, não alcançou o nível de 1% do mercado de compactos.

Não obstante estas dificuldades, o National Energy Information Center (NEIC) dos EUA projeta um aumento da demanda mundial de gasolina de 48% de 2005 para 2025, podendo variar cerca de 5% para mais ou para menos, dependendo da adoção de novas tecnologias. Note-se que a expectativa de aumento da demanda de combustíveis para veículos leves, de acordo com o NEIC, é muito maior do que para outros derivados de petróleo. Adotaremos, portanto, como referência para 2025 a demanda de 1,7 trilhão de litros de combustíveis para veículos leves.

Considerando que o poder colorífico do etanol é menor que o da gasolina e que seu uso melhora um pouco a eficiência dos motores a ciclo Otto, a quantidade de bioetanol necessária para substituir 10% desta gasolina (170 bilhões de litros) foi estimada, preliminarmente, em 205 bilhões de litros por ano. Isso demandaria uma área, considerando-se a produtividade média atual brasileira, de 30 Mha, ou seja, um terço da área identificada neste trabalho no território brasileiro, cerca de 90 Mha, apta ao cultivo da cana-de-açúcar, disponível sem outras culturas e sem necessidade de irrigação. Essa área, com os avanços tecnológicos descritos mais adiante, seria reduzida a apenas 24 Mha, que é pouco mais do que a área hoje ocupada com soja no Brasil.

Produção mundial de etanol e mercado potencial

O mundo consome mais de 20 milhões de barris de gasolina por dia, utilizados principalmente como combustíveis de veículos leves. Os principais consumidores de gasolina (EUA, Japão e União Europeia) e os países com rápido crescimento no consumo desse combustível fóssil (China e Índia) estão buscando alternativas para reduzir seus consumos. Fatores ambientais, econômicos, políticos e estratégicos tornam o etanol uma das principais opções para substituir parcialmente a gasolina, seja por meio da mistura direta ou como insumo na fabricação do ETBE (oxigenante da gasolina).

Assim, muitos países começaram a demonstrar interesse pela produção e pelo consumo do etanol para uso como combustível veicular, por meio de programas e políticas voltadas para os biocombustíveis, tais como incentivos à produção e ao consumo interno, e acordos internacionais.

O mercado internacional do etanol combustível ainda é incipiente e enfrenta dificuldades como segurança no fornecimento, falta de infraestrutura e barreiras políticas e comerciais em algumas regiões; porém, o rápido aumento na demanda de gasolina e as oscilações do preço do petróleo estão ajudando a incrementar o fluxo do comércio internacional deste combustível renovável.

Estima-se que, atualmente, em torno de 40% da produção mundial de etanol são oriundos da fermentação de açúcares originários de matérias-primas como cana-de-açúcar e beterraba; o restante vem de grãos como, por exemplo o milho, e uma pequena parte vem de fontes fósseis (gás natural e carvão).

Essa indústria é, em muitos países, sustentada por barreiras comerciais protecionistas, como tarifas de importação e subsídios para exportação; e, também, em condições particulares de cada país, como quotas de produção, preços fixados ao produtor e preços regulados ao consumidor.

Essas medidas de sustentação têm implicações positivas e negativas importantes para a economia de muitas nações em desenvolvimento no Caribe, Ásia e África, já que estas nações têm acordos preferenciais de comércio internacional com os EUA e a União Européia. Por outro lado, medidas protecionistas distorcem a competitividade entre os mercados de alimentos, materiais e energia provenientes da biomassa.

Os altos níveis de apoio às indústrias açucareiras dos países da Organização para a Cooperação Econômica e Desenvolvimento (OECD) resultam em excessos de produção que são exportados a preços abaixo dos custos de produção, o que limita oportunidades de acesso ao mercado. Nestas condições, o custo de oportunidade de produção de etanol pode ser atrativo, no entanto, os retornos da produção de açúcar em mercados domésticos são maiores, em geral, que os que seriam obtidos na fabricação de etanol.

As perspectivas de reformas e a desregulamentação das políticas do açúcar na União Europeia (UE) e nos EUA poderão criar maiores incentivos para a produção de bioetanol (e outras formas de bioenergia como a geração de energia elétrica), mesmo que incorra em altos custos, já que os retornos do açúcar do comércio preferencial e do mercado doméstico seriam, então, significativamente diminuídos.

Viabilidade das projeções

Para se avaliar a capacidade do Brasil vir a produzir para exportação os 205 bilhões de litros estimados para 2025, o Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), da Unicamp, realizou uma série de análises sobre a necessidade e a disponibilidade de recursos naturais, desenvolvimento tecnológico atual e esperado no futuro, infraestrutura existente e necessária para atender a exportação em 2025, nova fronteira de expansão da cultura de cana-de-açúcar, cenários para atendimento da demanda interna e externa de açúcar e demanda interna de etanol, além da demanda de bioetanol de exportação, impactos socioeconômicos do crescimento do setor, sustentabilidade das iniciativas de exportações, marco regulatório atual e futuro e, finalmente, as ações prioritárias de estímulo ao desenvolvimento tecnológico.

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