Portos usados na exportação de etanol

A infraestrutura atual, relacionada ao transporte de etanol combustível do país, não apresentou grandes mudanças quando comparada à da época da criação do Proálcool, na década de 1970, embora o programa tivesse como objetivo o abastecimento do mercado interno. Ainda assim, no que diz respeito à distribuição interna do combustível, já havia a percepção de que o menor custo para o transporte de etanol era através de dutos.

Hoje são poucos os portos que apresentam infraestrutura adequada às necessidades crescentes de exportação de etanol, embora iniciativas de investimento nos terminais tenham sido viabilizadas para essa finalidade, incluindo a adequação dos portos e terminais, a exemplo do Terminal para Exportação de Álcool de Santos (TEAS), Stolthaven, também localizado em Santos (SP), e Pasa, em Paranaguá (PR), além da ampliação e construção de terminais para combustíveis líquidos em diversos portos do país.

Dos 35 principais portos exportadores do Brasil, 11 responderam por 91% do total das exportações nacionais em 2006; são eles: Itaqui, Salvador, Aratu, Vitória, Rio de Janeiro, Sepetiba, Santos, Paranaguá, São Francisco do Sul, Itajaí e Rio Grande.

No que diz respeito à exportação de etanol, a regiões Sul e Sudeste do país responderam, em 2007, por 86% do volume exportado. Destes, o porto de Santos participou com 70% dos embarques, seguido pelo porto de Paranaguá.

Participação dos Portos Brasileiros na Exportação de bioetanol em 2007

PortoParticipação
Santos (SP) 70,0%
Paranaguá (PR) 14,0%
Maceió (AL) 8,0%
Recife (PE) 4,5%
Rio de Janeiro (RJ) 2,0%
Cabedelo (PB) 1,1%
Outros 0,4%
Total 100,0%
Fonte: Secex/SDP (2008) e UNICA (2008)

Os portos acima contam com estrutura instalada para o transporte de granéis líquidos, podendo essa infraestrutura ser ampliada e/ou adaptada ao álcool, além de contar com instalações (tanques e dutos) para o álcool.

A seguir, são descritos dois exemplos dos investimentos para ampliar a capacidade exportadora de etanol a partir dos principais terminais e portos atuais de exportação para os próximos anos.

O Terminal para Exportação de Álcool Santos (TEAS) é resultado da parceria entre COSAN, Crystalsev, grupo Nova América e Cargil para a abertura de um terminal específico para exportação de etanol. A finalidade desse terminal é de prestação de serviços à exportação de álcoois a seus associados e outros agentes do mercado. É o primeiro passo importante na direção de evolução logística para álcoois carburantes. O TEAS conta com 40 milhões de litros de capacidade de armazenagem e será expandida para 80 milhões.

Paranaguá iniciou as obras do primeiro terminal público de etanol do país dedicado exclusivamente à movimentação deste combustível. O terminal paranaense contará com sete tanques com capacidade de armazenamento de 35 milhões de litros e em 48 horas poderá descarregar o etanol armazenado para o navio e recarregar os tanques. Com isso, 15 navios, de 35 milhões de litros cada, poderão ser carregados por mês no porto de Paranaguá. O investimento foi feito com recursos da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (APPA), que investiu R$ 13,7 milhões no terminal.

Os mapas apresentados no ### estudo para ampliação da exportação de etanol (LINK) apontaram para os portos, terminais e principais hidrovias que poderiam fazer parte da logística de exportação de etanol, os quais são abordados a seguir com ênfase na localização, calado, navegabilidade atual e projetos para criação e/ou ampliação do fluxo no transporte de etanol.

O estudo foi realizado com base nos dados apresentados nos Relatórios Executivos do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) de 2007 e atualizado com dados do Balanço do PAC de 2008 e do Ministério de Transporte através da ANTT e ANTAQ (2008 e 2009).

São seis os portos considerados para a expansão da exportação de etanol em 2025: na região Norte, porto Vila do Conde, no estado do Pará; na região Nordeste, porto de Itaqui, no Maranhão, e os portos de Salvador e Ilhéus, na Bahia; na região Sudeste, os portos são Ilha d’Água, no Rio de Janeiro, e de São Sebastião, no estado de São Paulo. Adicionalmente, o Porto de Santos é citado devido à sua importância na exportação atual de etanol.

Quanto às hidrovias, as principais a serem abordadas, de acordo com as figuras citadas, são a hidrovia Araguaia-Tocantins, Tietê-Paraná e Paraguai e Paraguai-Paraná.

Os portos fazem parte do sistema aquaviário e desempenham papel estratégico para a integração regional no transporte de mercadorias e passageiros, seja utilizando a costa do país – cabotagem – ou através dos mares abertos, interligando diferentes países. A navegação interior compreende os rios e lagos, tendo as hidrovias como via de comunicação. A Agência Nacional de Transporte Aquaviário (ANTAQ), ligada ao Ministério dos Transportes, é responsável pelo sistema aquaviário do país (NUNES, 2007 e Ministério dos Transportes, 2008).

Porto de Vila do Conde, Pará

Localizado na região Norte do país, situa-se no município de Barcarena, no Pará, na margem direita do rio Pará, na confluência dos rios Amazonas, Tocantins, Guamá e Capim.

O Porto Vila do Conde foi inaugurado em 1985 como resultado do acordo de cooperação econômica firmado entre o Brasil e o Japão. O governo brasileiro responsabilizou-se pela infraestrutura portuária, rodoviária e urbana, visando ao escoamento do alumínio produzido no complexo industrial da Albras/Alunorte (ANTAQ, 2008).

O calado máximo recomendado no porto é limitado pelas profundidades dos canais de acesso:

  • Canal do Espadarte (Baixo do Taipu): 12,20m (40,0 pés) na preamar;
  • Canal do Quiriri: 13,70m (45,0 pés). Quando demandado o porto por este canal, supondo-se a velocidade da embarcação em 8 nós, navios com calado superior a 10,70m (35,1 pés) devem levar em consideração a maré da hora, antes de demandar o citado canal, de forma a manter uma separação em relação ao fundo de, no mínimo, 2,28 m (7,48 pés).

O Porto Vila do Conde conta com quatro berços de atracação, sendo dois para granéis sólidos, um para soda cáustica e outro para óleo combustível.

A área total do porto é de 3.920.347,00 m2 e o comprimento do cais, de 500 m.

Porto Vila do Conde (PA)Porto Vila do Conde (PA)

Pode-se chegar ao porto por via terrestre ou marítima. O acesso rodoviário de Belém a Vila do Conde pode ser feito pelas rodovias BR-316 até a PA-140 e PA-252 até a cidade de Moju.

A opção ferroviária não existe. O canal de acesso marítimo é o mesmo do porto de Belém, até a Ilha do Mosqueiro, com uma extensão de 170 km e profundidade mínima de 9 metros.

O porto tem como principais cargas transportadas alumina, caulim e óleo combustível no embarque; e coque, piche, soda cáustica, fluoreto de alumínio, tijolo refratário e blocos catódicos no desembarque.

Porto de Itaquí, Maranhão

O porto localiza-se no município de São Luís, com acesso por rodovias, ferrovias e hidrovias, respectivamente: BR-135, ramal ferroviário Piçarra – Itaqui e pelos rios Mearim, Pindaré e Grajaú. Sua área de influência abrange os estados do Maranhão e Tocantins, sudoeste do Pará, norte de Goiás e nordeste de Mato Grosso.

O porto é o segundo do país em volume de cargas, com investimentos previstos para ampliação em três dos seus seis berços.

Porto de ItaquiPorto de Itaqui

Os granéis líquidos representaram, em 2005, 8% do volume total, ou 5,4 milhões de toneladas. Os principais produtos movimentados no porto foram minério de ferro, minério de manganês, ferro gusa, soja, criolita, silício, derivados de petróleo, alumínio e alumina no embarque; e derivados de petróleo, fertilizantes, trigo, carvão/coque e piche no desembarque.

O PAC (2008) inclui a ampliação da infraestrutura do porto com a construção de mais um berço e ampliação de outros dois. Prevê, ainda, a dragagem do canal de navegação/bacia de atração dos berços 100 a 103.

De acordo com a projeção realizada juntamente com a Petrobras-Transpetro, o porto de Itaqui (MA) e o Porto Vila do Conde (PA) seriam responsáveis por cerca de 20% das exportações de etanol em 2025.

Porto de Salvador, Bahia

Localizado na cidade de Salvador, o porto situa-se na Baía de Todos os Santos, entre a ponta do Monte Serrat, ao norte, e a Ponta de Santo Antônio, ao sul.

O acesso ao porto pode ser realizado pelas rodovias: BR-324, BR-101, BR-110 e BR-116; e pela Ferrovia Centro Atlântica (FCA). Em sua área de influência estão: o estado da Bahia, o sudoeste e o sul dos estados de Pernambuco e Sergipe.

Os principais produtos que desembarcam no porto de Salvador são: plástico, concentrado de cobre, sisal, produtos siderúrgicos, sucos, celulose, produtos químicos, granito, cacau, alumínio, grafite, hidrogenados. Embarcam no porto, principalmente: cevada, papel, concentrado de cobre, veículos, produtos químicos, alimentos.

Segundo a Companhia das Docas do Estado da Bahia, a CODEBA (2009), Salvador é o porto com maior movimentação de contêineres das regiões Norte e Nordeste, e o segundo maior exportador de frutas do país.

O porto de Salvador seria responsável por 29% das exportações de etanol em 2025.

Porto de Ilhéus, Bahia

Localizado em Ponta do Malhado, na cidade de Ilhéus, sul do estado da Bahia, tem como área de influência as regiões sudeste e oeste do estado, bem como o polo de informática de Ilhéus.

O porto tem como principais cargas embarcadas: soja, cacau, produtos químicos, sisal, grafite, fumo, peles, cobre, celulose e equipamento; enquanto as importadas são: trigo, amêndoas, chapa de aço.

De acordo com a projeção realizada, o porto de Ilhéus seria responsável por 13% do volume de exportação de etanol, a partir das áreas A14 e A15.

Porto de São Sebastião (SP)

Administrado pela Companhia Docas de São Sebastião, o porto está localizado na cidade de São Sebastião, em frente à Ilha de São Sebastião (Ilhabela), no litoral norte do estado de São Paulo. O objetivo do governo do estado de São Paulo é integrar o porto ao corredor de exportação Campinas – Vale do Paraíba – Litoral Norte, com o intuito futuro de privatizá-lo. Nos últimos dois anos, o governo estadual já investiu mais de R$ 259,1 milhões nesse corredor, sendo R$ 7,3 milhões destinados ao porto. Há uma projeção de investimentos da ordem de R$ 155 milhões destinados a uma ampliação da estrutura e melhorias dos terminais, permitindo, assim, o atraque de navios de grande calado.

Porto de São SebastiãoPorto de São Sebastião

O acesso ao porto pode ser feito por rodovias: SP-055 e BR-101, que encontram a SP-099, dando acesso ao Vale do Paraíba e à rodovia Presidente Dutra. A área de influência do porto é representada por um trecho do Vale do Paraíba, destacando-se os municípios paulistas de São José dos Campos, Taubaté, Pindamonhangaba, Guaratinguetá e Cruzeiro, por parte da região do ABC, Moji das Cruzes, Sorocaba, Campinas, Piracicaba e estado de Goiás.

Por apresentar uma densa rede de dutos de escoamento e um terminal da Petrobras para óleo bruto e derivados, o porto de São Sebastião deverá receber os maiores investimentos projetados por essa empresa, ficando apto para escoar volumes de até oito bilhões de litros de etanol ao ano.

No presente estudo, o porto de São Sebastião (SP) e o porto de Ilha d’Água (RJ) teriam em 2025, juntos, uma capacidade para exportar até 74,2 bilhões de litros, ou 36% do total das exportações projetadas.

Porto de Santos (SP)

A expansão da cultura do café na província de São Paulo, na segunda metade do século passado, atingiu a Baixada Santista. Esse fato originou a necessidade de novas instalações portuárias, surgindo a instalação do porto de Santos, em 1888.

O porto localiza-se no centro do litoral do estado de São Paulo, estendendo-se ao longo de um estuário limitado pelas ilhas de São Vicente e de Santo Amaro, e dista 2 km do Oceano Atlântico.

O acesso ao porto se dá por rodovias e ferrovia, respectivamente pelas SP-055 (Rodovia Padre Manoel da Nóbrega), SP-150 (Via Anchieta) e SP-160 (Rodovia dos Imigrantes), e pela Ferrovia Centro Atlântica S.A. (FCA).

Vista do Porto de SantosVista do Porto de Santos

Diversos portos brasileiros enfrentam hoje problemas com a falta de infraestrutura. Em Santos, esse problema é agravado devido ao grande volume de cargas que transitam pelo porto.

Estudo feito pela Crystalsev, empresa que possui um terminal no porto e uma das maiores exportadoras de álcool do país, aponta problemas de logística para a exportação do produto, em especial com relação à competição deste com outras cargas líquidas a granel, como químicos, óleos vegetais e outros combustíveis.

Em 2008, o porto de Santos exportou cerca de 70% do total de etanol enviado ao exterior, ou pouco mais de 3 bilhões de litros. Este estudo projetou, para 2025, uma capacidade de exportação de até 7,7 bilhões de litros. Questiona-se, no entanto, a capacidade do porto de atender a demanda projetada para o etanol nos próximos anos, já que além da infraestrutura saturada, o porto tem uma profundidade que impossibilita a atracação de navios de grande calado, restringindo a atracação de embarcações com 40.000 toneladas de peso bruto (tpb), enquanto outros portos, a exemplo do porto de São Sebastião, teriam capacidade para receber navios de até 300.000 tpb.

Atualmente, a exportação de etanol, a partir de Santos, é realizada, na sua maioria, em navios de 25.000 tpb. O porto de Ilha d’Água recebe navios petroleiros capazes de exportar até 130.000 tpb (Petrobras-Transpetro, 2008).

Calados dos portos avaliados

Assim, um dos itens mais importantes dos portos diz respeito à profundidade dos calados, fator que influencia diretamente o porte máximo das embarcações que podem ser atracadas. A tabela apresenta as profundidades dos calados dos principais portos contemplados no estudo.

Portos para exportação de etanol e seus calados

PortosProfundidade dos calados (m)
MínimoMáximo
Vila do Conde (PA) 13,0 15,0
Itaqui (MA) 13,0 19,0
Salvador (BA) 12,0 18,0
São Sebastião (SP) 12,0 18,0
Ilhéus (BA) 10,0 10,0
Angra dos Reis (RJ) 6,0 12,0
La Plata (Argentina) 8,5 8,5
Fonte: Ministério do Transportes (2007) e Coppead (2007)

Os dois primeiros portos, Vila do Conde e Itaqui, fazem parte dos investimentos previstos no PAC (2007) e espera-se que fiquem preparados para receber as embarcações de grande porte, com capacidade para transportar 150 milhões a 280 milhões de litros de combustível.

Como comparativo, a próxima tebela apresenta a profundidade dos calados dos demais portos pelos quais o etanol tem sido exportado nos últimos anos.

Portos atuais que exportam etanol

PortoProfundidade dos calados (m)
MínimoMáximo
Santos (SP) 5,0 13,5
Paranaguá (PR) 5,9 7,2
Cabedelo (PB) 6,0 9,5
Maceió (AL) 7,0 10,0
Vitória (ES) 2,4 10,6
Fonte: Ministério dos Transportes (2007) e Coppead (2007)

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