Impactos macroeconômicos do aumento da exportação de etanol

O esforço que seria realizado para que o Brasil alcançasse as metas de exportação definidas no estudo Bioetanol combustível: uma oportunidade para o Brasil, são compatíveis com o tamanho alcançado pela economia brasileira na atualidade e as projeções de desenvolvimento no futuro.

A título de comparação, a Petrobras investiu, em 2006, R$ 33,7 bilhões no conjunto de atividades tanto no país quanto no exterior. A mesma empresa deverá investir, em valores atuais, R$ 32 bilhões anualmente, somente no território nacional, entre 2007 a 2011.

No cenário avaliado neste trabalho, o impacto causado pela consecução de suas metas deverá ser substantivamente significativo, conforme pode ser comprovado no gráfico.

Relação dos investimentos anuais com a formação bruta de capital fixo (FBCF) no cenário 'tecnologia progressiva'Relação dos investimentos anuais com a formação bruta de capital fixo (FBCF) no cenário "Tecnologia Progressiva"

O volume anual de investimento ultrapassaria os R$ 35 bilhões em alguns anos e se aproximaria de 10% do volume de formação bruta de capital fixo (FBCF) da economia brasileira em 2005. O esforço envolvido seria atenuado consideravelmente após o décimo sexto ano, mesmo com uma perspectiva de expansão moderada da economia brasileira. Se o ritmo de expansão médio do crescimento doméstico for de 3% a.a. nos próximos 20 anos e se for mantida a mesma taxa de investimento de 2005 (19,9%), esse impacto deve ser mais reduzido, como é possível comprovar no próximo gráfico.

O esforço de investimento deveria se aproximar de 6% da FBCF em alguns anos, porém, em termos do PIB, essa participação seria bem menor, e chegaria apenas em alguns anos um pouco mais de 1%.

O volume total de investimento para esse cenário seria de R$ 368,6 bilhões.

Participação dos investimentos para viabilizar o cenário de exportação de bioetanol em relação ao investimento anual do País e ao PIB (cenário tecnológico “Tecnologia Progressiva”)Participação dos investimentos para viabilizar o cenário de exportação de bioetanol em relação ao investimento anual do País e ao PIB (cenário tecnológico “Tecnologia Progressiva”)

Os custos mencionados não envolvem a parte de logística. Esta está avaliada em US$14,5 bilhões, caso seja usada predominantemente a modalidade dutoviária. Esse investimento seria suficiente para escoar até 260 bilhões de litros de etanol ao ano. Para se ter uma base de comparação, esses volumes são mais de duas vezes superiores aos atualmente manejados com a distribuição de derivados de petróleo. Ao todo, o volume de investimento a ser realizado, contemplando os investimentos em produção e transporte, seria de R$ 402 bilhões.

Os impactos do cenário da exportação de 205 bilhões de litros de etanol sobre a atividade econômica do país e de suas macrorregiões podem ser apreciados na tabela logo abaixo, onde são computados os efeitos diretos, indiretos e induzidos, extraídos do modelo de insumo-produto desenvolvido no estudo citado.

Os impactos econômicos corresponderiam a 20% do PIB brasileiro de 2005. O impacto é maior para a região Sudeste, devido à maior importância da indústria e dos serviços nessa região. Entretanto, esse impacto varia sensivelmente de acordo com o respectivo porte econômico de cada região do país. A região Centro-Oeste teria o maior aumento regional, aumentando seu PIB 57,0% em decorrência do cenário avaliado, o que equivaleria a dizer que a consecução da meta de exportação de etanol induziria um crescimento do PIB da região Centro-Oeste a uma taxa média anual 2,28%, durante 20 anos. A segunda região que mais expressivamente se beneficiaria com a expansão das exportações de etanol seria a região Nordeste, cujo PIB aumentaria 35,8%. O impacto econômico do cenário contribuiria para o equilíbrio inter-regional porque beneficiaria as regiões menos desenvolvidas do país.

Impactos no PIB¹ (R$ bilhão de 2005) da expansão produtiva do bioetanol no cenário estudado, com e sem avanço tecnológico

Região/simulaçãoSem tecnologia 2015Tecnologia Progressiva 2015Sem tecnologia 2025Tecnologia Progressiva 2025
Norte Impacto 6,651 6,520 18,168 17,427
Participação sobre o PIB da Região Norte de 2005 6,5% 6,4% 17,7% 17,0%
Nordeste Impacto 23,596 23,296 99,904 97,621
Participação sobre o PIB da Região Nordeste de 2005 8,7% 8,5% 36,7% 35,8%
Centro-Oeste Impacto 29,581 30,082 81,663 82,928
Participação sobre o PIB da Região Centro-Oeste de 2005 20,3% 20,7% 56,1% 57,0%
Sudeste Impacto 49,278 48,068 150,875 142,903
Participação sobre o PIB da Região Sudeste de 2005 4,6% 4,5% 14,2% 13,4%
Sul Impacto 49,278 48,068 150,875 142,903
Participação sobre o PIB da Região Sul de 2005 3,1% 3,1% 9,9% 9,5%
Brasil Impacto 120,093 118,779 385,696 374,569
Participação sobre o PIB brasileiro 2005 6,2% 6,1% 19,9% 19,3%
(1): São computados os efeitos diretos, indiretos e induzidos

O impacto sobre o comércio exterior brasileiro seria também bastante expressivo. Pressupondo que seria cobrado US$ 0,30 pelo litro de etanol nas destilarias (preço Free on board – FOB), o volume de divisas arrecadado pelo país ultrapassaria a barreira de US$60 bilhões com a exportação de 205 bilhões de litros ao ano.

As exportações acumuladas, de dezembro de 2005 a novembro de 2006, elevaram-se a US$ 136 bilhões. O valor das exportações de etanol alcançado no cenário analisado corresponderia a 45,2% das exportações brasileiras de 2006. Tal valor colocaria o etanol muito acima das exportações do complexo soja, que foram de US$ 9,2 bilhões em 2005.

Observação: Os dados apresentados acima correspondem às informações publicadas em 2009 no livro Bioetanol combustível: uma oportunidade para o Brasil

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