Escoamento de etanol para exportação: infraestrutura e projeções

Na avaliação das áreas potenciais para produção de cana-de-açúcar, foi apresentada, para 2025, uma projeção de 80,2 Mha aptos e disponíveis para o cultivo de cana nas 17 áreas selecionadas, que poderiam produzir 434,6 bilhões de litros de etanol ao ano, supondo-se um aumento médio na produtividade agrícola de 40,5% e com a produtividade industrial atual.

A partir dessas informações, iniciou-se a distribuição da produção dos 205 bilhões de litros de etanol que seriam exportados em 2025. De acordo com o cenário construído para essa expansão, em 2015 o país teria uma capacidade exportadora de 63,8 bilhões de litros do combustível, adicionando mais 141,2 bilhões até 2025.

Para a devida distribuição das áreas selecionadas e os volumes a serem exportados, estudaram-se as opções logísticas existentes para curto e médio prazos, com base no PAC, lançado em 2007, e as perspectivas da Petrobras Transportes S.A. – Transpetro.

Alternativas de transporte de etanol: infraestrutura existente ou planejada

Para exportar 205 bilhões de litros de etanol ao ano, as alternativas de transporte para o escoamento a partir de cada área selecionada e respectivos clusters consideram a infraestrutura existente e os planos recentemente divulgados.

O escoamento com o Plano de Aceleração do Crescimento (PAC)

O desenho logístico elaborado para este estudo, no qual a exportação de etanol alcançaria 205 bilhões de litros ao ano em 2025, considera o Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) divulgado pelo governo federal em janeiro de 2007. Inserem-se, ainda, alguns dados relevantes para este projeto apresentados nos balanços do PAC em 2008 e fevereiro de 2009.

A nova logística para o escoamento prioriza as dutovias e a multimodalidade de transporte, utilizando, complementarmente, os modais hidroviário, ferroviário e, quando necessário, o rodoviário. Analisou-se, também, a situação dos portos marítimos e as hidrovias inseridas no estudo, bem como os terminais de estocagem e coletores que estão sendo construídos visando a expansão da capacidade exportadora de etanol do país.

O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) prometeu dispor, inicialmente, de R$ 503,9 bilhões em recursos da União, das estatais e de empresas privadas para a execução de projetos de infraestrutura entre 2007 e 2010 para três eixos denominados de logística, energética e social e urbana. Deste montante, R$ 58,3 bilhões destinam-se a projetos de logística distribuídos nas cinco regiões do país. Os demais 88,4% estão distribuídos entre os eixos energético e social e urbano, com montantes de R$ 274,8 bilhões e R$ 170,8 bilhões, respectivamente.

Em 2008, foram adicionados ao PAC, para o mesmo período de 2007-2010, investimentos da ordem de R$ 143,1 bilhões, totalizando R$ 646 bilhões. A área de logística deverá receber mais R$ 37,7 bilhões, perfazendo um total de R$ 96,0 bilhões. O eixo energético será acrescido com R$ 295,0 bilhões e o social e urbano, com R$ 255,0 bilhões.

Na área de transportes, o PAC engloba, inicialmente, 69 obras de construção e recuperação de 45.337 quilômetros de rodovias e de 2.518 quilômetros de ferrovias. Inclui a modernização de 12 portos marítimos, a construção de 67 portos fluviais e da eclusa de Tucuruí, esta última de especial interesse para o cenário analisado neste trabalho por permitir o acesso ao Porto de Vila do Conde. Na figura a baixo, destaca-se, circulado em azul, o Porto de Vila do Conde e a Eclusa de Tucuruí, ambos no estado do Pará, região Norte do país.

Durante o balanço do segundo ano do PAC, no início de 2009, foi confirmado um acréscimo, após 2010, de R$ 502,2 bilhões, elevando as verbas para um total de R$ 1,148 trilhão. No total, o eixo da logística receberá R$ 132 bilhões, o eixo da área energética R$ 759 bilhões e o social e urbana, R$ 257 bilhões.

Porto Vila do Conde e Eclusa de Tucuruí (PA)Porto Vila do Conde e Eclusa de Tucuruí (PA)

O relatório do Banco Mundial (2007) mostra que o Brasil precisaria investir 3,2% do Produto Interno Bruto (PIB) em infraestrutura para acompanhar o crescimento econômico do país. O próprio governo reconhece essa limitação, mesmo porque do montante de investimentos previstos no PAC até 2010, cerca de 41% serão da participação da iniciativa privada. Os investimentos do governo federal em infraestrutura foram 0,64% do PIB em 2006, 0,73% em 2007 e 1% em 2008. Embora com tendência de alta, o investimento nesta área encontra-se muito aquém das necessidades do país.

O transporte pela Transpetro

No que diz respeito ao curto e médio prazos para a exportação do etanol, dados do final de 2007 indicavam que a Petrobras-Transpetro estaria preparada para escoar até 8 bilhões de litros em 2012, com investimentos de cerca de US$ 800 milhões. No início de 2009, os planos da estatal juntamente ao de outros atores, apontam para uma capacidade exportadora de cerca de 20 bilhões de litros, com investimentos de US$ 2 bilhões.

A primeira etapa do projeto da Petrobras-Transpetro é a construção de um duto dedicado ao escoamento de etanol da Replan (SP) até o Terminal Ilha D’ Água (RJ), com capacidade de quatro bilhões de litros anuais. A segunda etapa, com a mesma capacidade de escoamento da primeira etapa, visa transportar o etanol produzido na região oeste do estado de São Paulo e leste do Mato Grosso do Sul. Inclui a construção de um duto de 90 quilômetros, o uso da hidrovia Tietê-Paraná e a construção de três terminais.

A terceira corresponde ao trecho que vai de Ribeirão Preto (SP) a Uberaba (MG) e, a última etapa, à construção de um duto de Senador Canedo (GO) a Uberaba (MG), um duto de 90 km de Guararema (SP) ao Porto de São Sebastião (SP) e outro de 270 km até Ilha d’Água, no Rio de Janeiro. O esforço, mesmo que significativo, não satisfaz a necessidade de escoamento considerada no cenário desse trabalho.

O projeto da Companhia Brasileira de Energia Renovável, a Brenco, tem planos para construir uma dutovia ligando o Alto do Taquari, no sul do Mato Grosso, ao porto de Santos, em São Paulo. São 1.164 km de dutos que variam de 12 a 22 polegadas de diâmetro, com investimentos previstos de US$ 1,3 bilhão. Com isso, a capacidade exportadora do grupo, que conta com dez usinas, será de cerca de 4 bilhões de litros de etanol ao ano.

Um outro projeto entre a Copel e produtores de etanol do Paraná e a Petrobras-Transpetro, diz respeito à construção de um duto de 528 km dedicado ao transporte de etanol. Com início em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, o duto passaria por Londrina, no norte Paraná, e seguiria rumo a Curitiba, chegando até o porto de Paranaguá (PR). O projeto, ainda em estudo, foi avaliado em R$ 638 milhões em 2007.

Projeções de escoamento para exportação nos próximos anos

A distribuição da produção e escoamento nas áreas selecionadas contempla espaços temporais de 10 e 20 anos, contados a partir de 2005. Inicialmente, a exportação de etanol aconteceria a partir das áreas selecionadas mais próximas da infraestrutura existente, principalmente no que diz respeito às hidrovias e ferrovias, embora o estudo priorize o transporte dutoviário devido aos benefícios ambiental e econômico deste modal, como também ao volume a ser transportado.

Outra premissa importante do trabalho é a distribuição regional da produção, almejando desenvolver áreas menos privilegiadas e que tem potencial para a expansão da produção de cana-de-açúcar e etanol. O objetivo é que, do total da produção, as regiões Norte e Nordeste participem com cerca de 40% da produção, sendo os 60% restantes produzidos nas regiões Centro-Oeste e Sudeste, esta última incluindo somente uma parte do estado de Minas Gerais.

Dessa maneira, seria evitada a expansão da produção em estados como São Paulo e Paraná, que concentram atualmente mais de 60% da produção de cana-de-açúcar e etanol do país.

Com essas orientações e conhecidos os potenciais das áreas aptas e disponíveis, procedeu-se à distribuição regional da produção para 2015 e 2025 para atender à exportação do cenário avaliado (205 bilhões de litros ao ano em 2025). A região N-NE, em 2015, participaria com 33,8% da produção de 63,8 bilhões de litros de etanol com 44,9% do total da produção de 205 bilhões de litros, em 2025.

Produção regional de bioetanol para exportação

RegiãoProdução (bilhões de litros)Participação regional
2015202520152025
Norte 4,1 10,2 6,4% 5,0%
Nordeste 17,5 81,8 27,4% 39,9%
Centro-Oeste 31,5 85,1 49,4% 41,5%
Sudeste 10,7 27,9 16,8% 13,6%
Sul 0,0 0,0 0,0% 0,0%
Total 63,8 205,0 100,0% 100,0%

A produção de etanol para os mesmos períodos, por área selecionada e por estado, encontra-se listado a seguir. A tabela inclui, também, a quantidade de clusters em cada área, entendendo-se o cluster como o conjunto de quinze destilarias no mínimo, que produzem, juntas, pelo menos 2,55 bilhões de litros de etanol ao ano, viabilizando os investimentos em infraestrutura local para a instalação de dutos para o transporte de etanol.

Distribuição da produção de bioetanol nas 17 áreas

Área U.F. Ano 10 (2015) Ano 20 (2025)
Produção* Nº Clusters Produção* Nº Clusters
Área 1 MT 0,0 0,0 12,8 5,0
Área 2 MT 0,0 0,0 12,7 5,0
Área 3 MT 0,0 0,0 2,6 1,0
Área 4 GO 2,6 1,0 5,1 2,0
Área 5 MS 2,6 1,0 2,6 1,0
Área 6 MS/GO 15,2 6,0 30,5 12,0
Área 7 MG 7,7 3,0 15,4 6,0
Área 8 CE/PB/RN 0,0 0,0 0,0 0,0
Área 9 BA/MG/PI 0,0 0,0 28,7 11,3
Área 10 MA/TO/PI 7,7 3,0 27,5 10,8
Área 11 TO/GO 2,6 1,0 2,6 1,0
Área 12 GO 10,1 4,0 17,8 7,0
Área 13 BA 0,0 0,0 7,6 3,0
Área 14 BA/MG 5,6 2,2 24,0 9,4
Área 15 BA/MG 0,0 0,0 2,6 1,0
Área 16 BA/SE 9,7 3,8 12,5 4,9
Área 17 RR 0,0 0,0 0,0 0,0
Total   63,8 25,0 205,0 80,4
* Bilhões de litros

Escoamento da produção de etanol – Ano 10 (2015)

A partir dos dados anteriores, idealizou-se o esquema logístico apresentado no mapa a seguir, ou seja, o caminho do escoamento da produção de 63,8 bilhões de litros de etanol no ano 10 (2015) para exportação. A figura indica, também, a estimativa do custo do transporte em cada área selecionada até o porto.

Desenho logístico para exportação – Ano 10 (2015)Desenho logístico para exportação – Ano 10 (2015)

Em 2015, a exportação do etanol produzido seria realizada por cinco portos principais:

  1. São Sebastião (SP)
  2. Ilha d’Água (RJ)
  3. Salvador (BA)
  4. Ilhéus (BA)
  5. Vila do Conde (PA)

A produção de 10,3 bilhões de litros anuais das áreas 10 e 11 poderiam ser escoadas pelas hidrovias Tocantins-Araguaia e o Rio Tocantins, passando pela represa de Tucuruí, até o porto Vila do Conde (PA).

As Áreas 14 e 16 poderiam ter suas produções de 5,6 e 9,7 bilhões de litros, respectivamente, escoadas por meio de dutos a serem construídos, para chegarem aos portos de Ilhéus e Salvador.

As Áreas 12, 4 e 7, com volumes de 10,1, 2,6 e 7,7 bilhões de litros, respectivamente, fariam uso do novo alcoolduto, que seria paralelo ao oleoduto existente para o transporte de combustíveis pesados. Esse alcoolduto passaria pelas cidades de Senador Canedo (GO), Uberaba (MG), Ribeirão Preto (SP) e Paulínia (SP), até o porto de Caraguatatuba.

Em Paulínia (SP), unir-se-ia à produção das Áreas 6 e 5, com um total de 17,8 bilhões de litros, fazendo uso da hidrovia Tietê-Paraná e de alcoodutos a serem implementados, conforme o mapa apresentado anteriormente.

Escoamento da produção de etanol – Ano 20 (2025)

Para o ano 20 (2025), todas as áreas, exceto a Área 17 por estar muito distante da infraestrutura disponível, produziriam os 205 bilhões de litros de etanol para serem exportados.

Quanto ao escoamento para exportação, seriam acrescidos mais dois portos:

  1. Itaqui (MA)
  2. La Plata (Argentina)

O mapa a seguir (Figura 5-4) apresenta o total de etanol que seria produzido em cada área e as vias correspondentes de transporte para a exportação. Pode-se observar que 43,0 bilhões de litros de etanol, relativos às Áreas 1, 11 e 10, seriam escoados pelos portos de Vila do Conde (PA) e Itaqui (MA). As Áreas 1 e 11 teriam acesso à hidrovia Tocantins-Araguaia por dutos, passando pela represa de Tucuruí para chegar ao porto Vila do Conde. Acompanhando a evolução da produção de etanol, dutos dedicados seriam construídos a partir da Área 10 até o porto de Itaqui, fazendo-se uso da “faixa de servidão” paralela à Ferrovia Carajás.

As Áreas 12, 3, 4, 6, 5 e 7, com um total de 74,0 bilhões de litros, poderiam fazer o escoamento por dutos e pela hidrovia Tietê-Paraná, chegando aos portos de São Sebastião (SP) e Ilha d’Água (RJ).

A Área 2 escoaria 12,7 bilhões de litros pela hidrovia dos rios Paraguai-Paraná até o porto de La Plata, na Argentina. Os 48,8 bilhões de litros correspondentes às Áreas 9, 13 e 16 utilizariam dutos dedicados para chegar ao porto de Salvador, na Bahia. A produção das Áreas 14 e 15, com um total de 26,6 bilhões de litros, alcançariam o porto de Ilhéus através de dutos.

Desenho logístico para exportação de 205 bilhões de litros – Ano 20 (2025)Desenho logístico para exportação de 205 bilhões de litros – Ano 20 (2025)

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