Aplicações e usos do etanol

O etanol pode ser utilizado de diversas maneiras. Em sua forma pura (álcool anidro), ele é muito utilizado na indústria, sendo matéria prima de tintas, solventes, aerossóis, etc. Além disso, ele é utilizado como combustível misturado à gasolina, em proporção obrigatória no Brasil de 20%, ou ainda no diesel, de forma opcional e que chega a aproximadamente 8%. Já o etanol hidratado (etanol com cerca de 5% de água), é utilizado na produção de bebidas, alimentos, cosméticos, aromatizantes, produtos de limpeza, remédios, vacinas e como combustível de veículos. Esse tipo de álcool é o etanol comum vendido nos postos, sendo o Brasil até hoje o único país que utiliza 100% de álcool hidratado nos tanques.

Etanol nos motores veiculares

Entre os motores de veículos (motores de combustão interna) o etanol é utilizado principalmente em motores de ignição por centelha (ciclo otto). Esses motores utilizam a vela de ignição para lançar uma faísca elétrica que queima o combustível, gerando energia para o veículo se movimentar. Normalmente, esses tipos de motores são movidos a etanol ou gasolina, estando presente nos veículos leves, como automóveis e motocicletas. Um outro tipo de motor veicular é o de combustão por compressão (ciclo diesel).

Veículos leves (ciclo otto)

O etanol vem sendo utilizado com combustível desde 1938, quando um decreto presidencial tornou obrigatória a mistura de álcool anidro à gasolina, atualmente estipulada em 20%. Como álcool puro (etanol hidratado), o combustível está no mercado desde 1979, quando foi lançado o primeiro carro a álcool, o Fiat 147. Até hoje, o Brasil é único país que utiliza etanol hidratado puro como combustível.

O grande marcou que consolidou o etanol foi o Próalcool, programa lançado em 1975 que estimulou a produção de álcool no Brasil para livrar o país da dependência do petróleo. O Proálcool teve grande resultados, acarretando que, durante parte da década de 1980, mais de 70% da frota nacional de automóveis fossem movidas a álcool hidratado. Com a redução do preço do petróleo, no fim dos anos 80, o Próalcool perdeu força, e utilização da gasolina predominou no decorrer dos anos 90. O etanol só ressurgiu em meados dos anos 2000, com o lançamento dos bicombustíveis no mercado brasileiro, iniciado com o modelo VW Gol 1.6 Total Flex, em 2003. Veículos total flex possuem motor que aceitam qualquer proporção de etanol ou gasolina sem nenhum prejuízo em sua durabilidade. Atualmente, estima-se que 85% dos automóveis em circulação no país sejam total flex.

Outro uso bem recente do etanol combustível em motores  de ciclo otto vem ocorrendo em motocicletas. Em 2009, foi lançada exclusivamente no Brasil a primeira linha de motos com motor bicombustível do mundo: a Honda CG150 Titan Mix. Com quatro modelos diferentes hoje em dia, as motos flex da Honda alcançaram em 31 de agosto 2012 a marca de 2 milhões de exemplares produzidos. Em julho do mesmo ano, a Yamaha lançou a Fazer 250 BlueFlex, que é atualmente a motocicleta flex de maior potência no mercado.

As primeiras experiências com motos movidas a álcool no Brasil ocorreram no começo da década de 80, com o lançamento da Honda CG150 a álcool em 1981 e da Yamaha RX125 a álcool 125 em 1982. Ambas, porém, deixaram de ser fabricadas poucos anos depois.

Veículos pesados (ciclo diesel)

Embora o diesel seja o combustível melhor adaptado a motores de combustão por compreensão (por queimar mais facilmente devido a sua baixa temperatura de autoignição), o etanol anidro tem sido cada vez mais utilizado também nesses tipos de motores, principalmente por causar menos impactos ambientais e ser mais barato. Na Suécia, por exemplo, desde 1990 é utilizado em sua frota de ônibus, com motores de ciclo diesel, um combustível contendo 95% de etanol hidratado e 5% de aditivos. Atualmente, cerca de 600 ônibus circulam no país com o E95, com grande parte de seus veículos sendo importação brasileira.

Em 2006, foi lançado o programa internacional BioEthanol for Sustainable Transport (BEST) – Bioetanol para o transporte sustentável. Com financiamento da União Europeia e participação do Brasil, China e nove países europeus, o programa desenvolveu ônibus movidos a etanol para serem utilizado no transporte público. O primeiro ônibus desse programa começou a circular em São Paulo em dezembro de 2007, utilizando o E95 em um motor de ciclo-diesel adaptado. Até o término do programa, no fim de 2009, foram implantados pelo BEST 138 ônibus, 127 em Estocolmo, dois em São Paulo e os restantes em Madri (na Espanha), La Spezia (Itália) e Nanyang (China).

Em 2011, foi lançado em São Paulo o Programa Ecofrota, com o objetivo de diminuir o uso de combustíveis fósseis no transporte público coletivo. Até janeiro de 2012, entraram em circulação 60 ônibus movidos a etanol na cidade.

No Brasil, algumas empresas de ônibus e caminhões utilizam o álcool misturado ao diesel (MAD), em misturas que geralmente são de 7 ou 8%. Desde 1997, alguns caminhões começaram a ser movidos com MAD7, com rendimento praticamente igual ao do diesel puro.  No transporte público de Curitiba, começou a se utilizar em 1998 uma mistura com cerca de 11% de etanol, 2,5% de aditivo e o restante de diesel. Entretanto, a mistura baixou para 8% depois de se comprovar uma queda na potência do motor. Desde então, o MAD8 tem sido utilizado em alguns ônibus da frota da cidade.

A mistura de etanol no diesel, ao contrário do etanol na gasolina, não é obrigatória na legislação brasileira. Porém, dois projetos de lei dos anos 2000 visaram regulamentar a obrigação dessa mistura. Em 2003, o deputado Pompeo de Mattos (PDT-RS) propôs o Projeto de Lei (PL) 222, que tornava obrigatória a adição de etanol anidro ao diesel. O PL foi arquivado, e em 2005 foi proposta uma lei semelhante, de autoria do Deputado Luiz Bittencourt (PMDB-GO). Ambos foram rejeitados pela Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara em 2006, com a alegação de que não há dados técnicos confiáveis que viabilizem essa mistura.

Apesar de proporcionar benefícios enormes ao meio ambiente, a mistura entre diesel e etanol fica inviabilizada devido às enormes diferenças entre os combustíveis. Ambos são praticamente imiscíveis devido à diferença de polaridade, o que separa os combustíveis dentro do motor quando a mistura é alta. Além disso, o álcool tem uma octanagem (resistência à detonação) e ponto de autoignição (temperatura de autocombustão) muito altos, algo impróprio a motores de combustão por compressão. Uma mistura mais viável tem sido a do biodiesel (diesel produzido organicamente) com o diesel, em uma proporção que atualmente ocorre na taxa de 5%, com perspectivas de se utilizar até 20% sem precisar de ajustes no motor.

Etanol na aviação

Em 2005, foi lançado no Brasil a primeira aeronave movida a etanol hidratado com autorização para ser produzida em série: a Ipanema EMB 202A, da Embraer. Monomotor de pequeno porte, o avião é utilizado na agricultura para a para pulverização de lavouras. Apesar de mais caro e de realizar menos tempo de voo se comparado com a gasolina de aviação, o litro do etanol é quase três vezes mais barato que o combustível aéreo.

Em aviões comerciais, um tipo de biocombustível derivado da cana-de-açúcar já foi utilizado em um voo teste da companhia Azul com o jato E195, produzido pela Embraer, que em junho de 2012 decolou de Campinas ao Rio de Janeiro, para a Conferência Rio+20.

Apesar desses exemplos, o álcool não é o biocombustível mais recomendado para uso na aviação. Entre as possibilidades, plástico reciclável, serragem, palha, óleo de cozinha e algas são algumas das opções estudadas. O mais promissor dos biocombustível tem sido a bioquerosene (querosene obtida de óleos vegetais). Em 2010, a TAM realizou um voo teste de 45 minutos no litoral brasileiro com o Airbus A320 abastecido com bioquerosene de Pinhão-Manso.

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