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Estudos

A dinâmica dos preços de etanol a partir da oferta e da demanda


novaCana.com - 16 out 2013 - 06:10 - Última atualização em: 27 ago 2014 - 17:08
O etanol, por ser uma fonte renovável de energia, tem a dinâmica da sua curva de oferta dissociada do volume de produção ou incorporação de capacidade, e definida essencialmente por fatores exógenos, sejam técnicos (tecnologia de produção, características físico-climáticas da região produtora, entre outros), econômicos (custos de insumos, mão de obra e outras despesas operacionais) e político-institucionais (políticas agrícolas e energéticas).
No âmbito da produção de etanol nos EUA e no resto do mundo, os principais fatores são o preço do petróleo (cujos derivados – fertilizantes, herbicidas, diesel e óleo combustível – são amplamente utilizados em todas as atividades agroindustriais) e as políticas de subsídios ao etanol combustível, especialmente nos EUA.

Em contraste, no Brasil, o fator considerado como mais relevante é a capacidade, por parte de grande parte das usinas, de direcionar sua produção entre o etanol e o açúcar, de acordo com os preços relativos dessas duas commodities.

Os ganhos de eficiência energética que se esperam, à medida que novas práticas e tecnologias são desenvolvidas e que antigas medidas são postas em uso, terão impactos sobre a demanda por combustíveis em todas as suas formas.

No Brasil, a demanda por combustíveis no setor de transportes é crescentemente impactada pela interação entre o consumo de gasolina e de etanol – especialmente devido à crescente adoção dos motores flex.

A tecnologia flex permite ao motorista escolher o combustível com preço efetivo mais baixo (possivelmente contabilizando não apenas a eficiência energética, como também diferenciais de custo de manutenção ou outros aspectos). Assim, a demanda por quilometragem da crescente frota flex se traduz em uma demanda pelo combustível com menor preço efetivo no momento em questão, caracterizando um modelo de substituição quase perfeita.

Entretanto, o impacto desse poder de substituição sobre o mercado de etanol é parcialmente amortizado, uma vez que a gasolina no Brasil conta também com uma proporção substancial (20% a 25%) de etanol anidro em sua mistura. Assim, qualquer eventual aumento da participação da gasolina reduz, por um lado, a demanda por etanol hidratado, mas simultaneamente aumenta (embora em escala menor) a demanda por etanol anidro.

Como visto anteriormente, o grau de importância que o etanol possui como energético no Brasil não tem paralelo em nenhum outro país na atualidade, sendo resultado de um processo histórico no qual confluíram fatores político-institucionais (o programa Pró-Álcool), mercadológicos (os altos preços relativos do petróleo e derivados no país) e técnicos (o grande potencial físico e tecnológico nacional para o cultivo de cana-de-açúcar, bem como a base agroindustrial já existente).

No resto do mundo, o mercado de etanol ainda está em um estágio inicial, e o produto se insere em um portfólio crescente de alternativas energéticas, das quais a mais premente, no futuro próximo, é a eletrificação da frota.

Fonte: Ernst & Young e FGV Projetos (coordenador Fernando Blumenschein)